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Chega ao país remédio para psoríase que pode ser reaplicado a cada 3 meses

Chamado risanquizumabe, o medicamento é injetável e pode ser manipulado em casa

Boa notícia para os portadores de psoríase: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar um novo medicamento para os casos moderados e graves da doença. É o risanquizumabe, da farmacêutica AbbVie, que tem como vantagens a administração trimestral após as duas primeiras doses e a possibilidade de ser aplicado em casa.

Essa doença inflamatória crônica provoca lesões na pele e acaba afetando outras partes do corpo, como coração, fígado e rins. A nova alternativa de terapia faz parte do grupo dos chamados medicamentos imunobiológicos.

“Eles bloqueiam a inflamação e o paciente fica quase sem lesões. Essa classe revolucionou o tratamento por deixá-lo mais simples. E são bastante seguros”, afirma a dermatologista Aline Okita, chefe do Ambulatório de Psoríase da
Universidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo.

O risanquizumabe é injetável e deve ser administrado por via subcutânea. Depois da primeira aplicação, são quatro semanas até o paciente receber a segunda dose. A partir daí, vem a fase da manutenção, em que o remédio é usado a cada três meses. Segundo Aline, isso representa um avanço, já que as opções atuais precisam ser manipuladas várias vezes por semana ou mês.

Os estudos clínicos que embasaram a aprovação contaram com mais de 3 000 voluntários no total. Para ter ideia, mais de 80% das pessoas tiveram melhora nas lesões na pele. E cerca de 60% alcançaram recuperação completa ao longo de 52 semanas de intervenção.

Além de avaliar a eficácia, os testes compararam sua ação com o ustequinumabe, o adalimumabe (dois outros fármacos) e um placebo. Nos três casos, a droga nova atingiu resposta significativamente superior.

“Ela tem uma eficácia bem alta comparada a de outros medicamentos usados hoje em dia. É mais uma opção. O paciente praticamente esquece que tem a doença”, comenta a especialista, que também atende na clínica Denise Steiner, na capital paulista.

Os efeitos adversos observados na pesquisa incluem dermatofitose (um tipo de micose), dor de cabeça, coceira, fadiga, reações no local da injeção e infecções no trato respiratório superior. Esse último contratempo, vale dizer, foi o mais comum: ocorreu em 13% dos participantes.

Apesar de ser um medicamento inovador, isso não significa que os já existentes entrarão em desuso. Afinal, o problema se manifesta de forma e intensidade diferentes. Por isso, o tratamento é individualizado.

“Cada medicamento tem seu perfil de paciente. Às vezes, ele sofre com efeitos adversos ou o remédio deixa de funcionar ao longo do tempo. Daí porque a gente precisa de outras opções”, completa Aline.

De acordo com a AbbVie, o risanquizumabe estará disponível para comercialização no Brasil a partir de setembro, após a definição do preço.

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Para a forma mais leve da doença, Aline conta que dá para recorrer a cremes de uso tópico — isto é, aqueles aplicados diretamente na pele.

Os imunobiológicos entram em cena para cuidar dos casos mais graves. A questão é que eles ainda são caros e disponibilizados apenas na rede privada.

O SUS, por sua vez, oferece metotrexato, acitretina, ciclosporina — comprimidos sintéticos — e a fototerapia. Eles são efetivos, mas acabam gerando diversos efeitos colaterais.

“Quem tem a forma mais grave, que acomete a pele toda e o couro cabeludo, geralmente acaba apresentando depressão. Não trabalha, deixa de ter lazer… Por isso é tão importante tratar adequadamente”, analisa a expert.

A especialista conta que o Ministério da Saúde estuda a introdução de um imunobiológico na lista dos medicamentos disponíveis no SUS — o adalimumabe. “Está em parecer final. Ele provavelmente será oferecido até o fim desse ano”, calcula.