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Associação americana elege o avanço do ano contra o câncer

A avaliação de características moleculares de tumores gastrointestinais levou o título de maior progresso na oncologia dos últimos meses. Veja o porquê

Por Maria Tereza Santos Atualizado em 8 fev 2021, 18h02 - Publicado em 8 fev 2021, 12h07

Todo ano, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês) destaca algum progresso especialmente promissor no combate ao câncer. Em 2021, o título foi dado às avaliações personalizadas do perfil molecular de tumores gastrointestinais. Em resumo, são exames que os médicos fazem para achar traços específicos da doença de cada paciente, o que ajuda a definir o remédio mais ideal a cada caso.

“A escolha do Asco está relacionada ao sonho de encontrar um modelo de tratamento ultraespecífico, de baixa toxicidade e alta especificidade. Ele seria capaz até de melhorar os resultados terapêuticos em áreas que hoje parecem estagnadas”, comenta o oncologista Artur Malzyner, consultor científico da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco), em São Paulo.

A decisão de valorizar os avanços do perfil molecular de cânceres que atacam o aparelho digestivo foi influenciada por estudos com o remédio trastuzumabe deruxtecan, do laboratório Daiichi Sankyo. Segundo as pesquisas, pacientes que têm um tumor gastrointestinal com uma mutação específica — que pode ser flagrada a partir dessas avaliações — se beneficiam bastante da medicação.

Atualmente, essa doença costuma ser tratada com cirurgia, quimio e radioterapia. Só que, dependendo do tipo e da fase na qual é diagnosticada, essas técnicas trazem vantagens limitadas, além de reações adversas que podem ser bem desagradáveis.

Já o trastuzumabe deruxtecan é um composto feito de uma droga potente ligada a um anticorpo, que consegue se ligar ao câncer. Ele basicamente gruda na doença e, aí, libera uma substância altamente tóxica. Esse fármaco já está liberado contra o câncer de mama nos Estados Unidos desde o início de 2020.

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Só que essa medicação mira especificamente uma mutação no gene HER2. Então os cientistas resolveram investigar se, em tumores gastrointestinais com essa alteração, ela também seria útil.

Em um primeiro estudo, os experts selecionaram 187 voluntários com cânceres gastroesofágicos que exibiam essa mutação. Em todos os casos, a enfermidade havia resistido ao tratamento anterior. Então 125 receberam o trastuzumabe deruxtecan e 62, sessões de quimioterapia.

O resultado mostrou que, em 51,3% dos participantes do primeiro grupo, o câncer diminuiu. O mesmo aconteceu com apenas 14,3% da segunda turma. É uma diferença enorme! Além disso, a sobrevida geral foi de 12,5 meses entre os que receberam a droga, em comparação com 8,4 meses na turma da quimioterapia.

A pesquisa levou à aprovação do medicamento nos Estados Unidos contra o câncer estomacal ou gastroesofágico em fases avançadas. Outro estudo com 90 indivíduos trouxe conclusões parecidas em tumores colorretais com aquela mutação no HER2.

Artur Malzyner afirma que, apesar de ainda serem pequenas, essas análises revelaram um benefício expressivo. Lembrando que os tumores gastrointestinais são responsáveis por 26% da incidência global e por 35% de todas as mortes relacionadas a essa doença, segundo a Asco.

“É um problema de saúde frequente e perigoso. Isso obviamente reforça a importância na busca de tratamentos eficientes”, finaliza o oncologista.

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