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A cada mês de atraso no tratamento, risco de morte por câncer sobe até 13%

Pesquisa revela o impacto da demora em começar a tratar tumores, o que é especialmente preocupante durante a pandemia de Covid-19

Por Frederico Cursino, da Agência Einstein* 14 jan 2021, 18h11

A disparada nos casos de Covid-19 no Brasil reacende uma preocupação entre os oncologistas. Com os hospitais enchendo e a taxa de transmissão em alta, especialistas temem que pacientes com câncer voltem a interromper os tratamentos no início de 2020. Até porque adiar os cuidados – mesmo que em apenas algumas semanas – pode afetar o sucesso da estratégia terapêutica.

Um estudo publicado no fim do ano passado pelo The British Medical Journal mostra que, a cada quatro semanas de atraso no tratamento do câncer, o risco de morte aumenta até 13%. Atenção: mesmo diante da pandemia, a recomendação da comunidade médica é que os pacientes oncológicos não abandonem a terapia, especialmente sem uma conversa com os profissionais.

“O adiamento vai reduzir significativamente a chance de cura desses pacientes”, alerta Ramon Andrade de Mello, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O risco de um tumor é maior do que o da Covid-19. E os hospitais e clínicas adotaram procedimentos para aumentar a segurança desses pacientes”, salienta.

O professor da Unifesp explica que o temor maior é de que o período de interrupção permita que os cânceres sofram metástase (quando ele se espalha para outras regiões do corpo).

  • Segundo apuração do Instituto Oncoguia, exames para detecção precoce e confirmação da doença tiveram queda vertiginosa em 2020. As biópsias, por exemplo, caíram pela metade de março a setembro. No Sistema Único de Saúde (SUS), o número de pacientes oncológicos que iniciaram o tratamento diminuiu cerca de 30% no mesmo período.

    Além da dificuldade em atender a demanda durante os picos da pandemia — quando os pacientes com Covid-19 acabam “competindo” por atendimento médico e exigindo protocolos de higiene pra lá de rígidos —, a queda é explicada pelo temor dos pacientes em contrair a doença.

    O oncologista da Unifesp lembra também que a telemedicina tem sido uma ferramenta importante para acompanhamento e avaliação clínica de certos indivíduos: “Ela não atende todas as demandas clínicas e o especialista precisa de consultas presenciais em determinadas fases do tratamento. Mas a possibilidade de redução de visitas ao oncologista diminui os riscos da Covid-19″, conclui Mello.

    Um levantamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) havia mostrado que, durante a primeira onda da pandemia, 74% dos profissionais da área tiveram um ou mais pacientes com o tratamento postergado por mais de um mês. Já 10% dos entrevistados notificaram queda de 40% a 60% na procura em seus consultórios.

    *Este conteúdo é da Agência Einstein.

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