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A vida não pausa: pesquisa mapeia percepções sobre a menopausa

Levantamento inédito mostra lacunas de conhecimento e cuidados nessa fase da vida

Por Goretti Tenorio (texto), Estúdio Coral (design) e Rodrigo Damati (ilustrações)
20 dez 2024, 14h25
menopausa
Levantamentos mostram impactos do climatério na vida das mulheres (Gráficos e ilustrações: Rodrigo Damati e Estúdio Coral/Veja Saúde)
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Há quem diga que a biografia de uma mulher se divide em antes e depois da menopausa. Ao menos do ponto de vista físico e emocional. De fato, muita coisa muda no corpo e na rotina com o fim da menstruação, da produção dos hormônios e da vida reprodutiva.

Mas será que as brasileiras estão mais conscientes e preparadas para encarar esse período que, em geral, acontece entre os 45 e os 55 anos?

Eis o que levou as marcas VEJA SAÚDE e CLAUDIA, da Editora Abril, em parceria com a Bayer, a conduzir um estudo com 1 363 mulheres nessa fase de todas as regiões do país. Para a maioria delas, a resposta à pergunta é sim, pois há mais informação circulando sobre o tema — ufa!

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No entanto, nem sempre a teoria se transforma em prática. As participantes apontam obstáculos que vão dos próprios sintomas à falta de esclarecimentos médicos sobre os tratamentos para chateações como insônia e ondas de calor.

“A menopausa ainda é um tabu”, afirmou uma das entrevistadas.

Pudera! “O processo é longo e sinuoso. Não se trata da última gota de sangue da menstruação, mas de toda uma transição, e, por vezes, a mulher não percebe as mensagens mais sutis do seu corpo durante as mudanças hormonais”, diz a ginecologista Anna Valéria Gueldini, da Associação Brasileira do Climatério (Sobrac).

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Agora, dando voz a quem vivencia a menopausa, será possível encaminhar suas dores e demandas não atendidas.

quadro sobre menopausa
Clique na imagem para ampliar (Gráficos e ilustrações: Rodrigo Damati e Estúdio Coral/Veja Saúde)

Afinal, quando se entra na menopausa?

As metamorfoses no corpo feminino que culminam na menopausa não começam da noite para o dia. Os ovários vão perdendo a capacidade de produzir hormônios entre cinco e sete anos antes da interrupção definitiva da menstruação — a esse intervalo os especialistas chamam de perimenopausa.

É quando aparecem indícios como irregularidade menstrual, com encurtamento entre um ciclo e outro, e aumento no volume do sangramento. “Mas os primeiros sintomas são difíceis de perceber numa mulher ativa”, observa Anna Valéria.

Essa imprevisibilidade pode ser uma das justificativas para um dos achados da pesquisa: a dificuldade em obter um diagnóstico rápido e certeiro. Quase um terço da amostra levou seis meses para confirmar a entrada na menopausa, e muitas relatam que tiveram os sintomas confundidos com ansiedade, depressão ou estresse.

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Na visão de mais de 30% delas, o médico não se aprofundou na investigação, sendo que uma parte teve que procurar até mais de três profissionais antes de finalmente descobrir que estava cruzando uma etapa natural, ainda que desafiadora, da vida feminina.

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Quais são os incômodos mais comuns?

O estudo nacional confirma que, em algum momento, os desconfortos do climatério — nome dado ao período que vai da perimenopausa à pós-menopausa — atingem a todas, com destaque para diminuição da libido, fadiga, ansiedade e alteração de humor.

Entre os incômodos que mais motivam a visita ao médico, porém, as ondas de calor (ou fogachos) estão no topo, com larga distância dos demais, sugerindo que as oscilações da temperatura corporal sejam mais angustiantes ou talvez menos envoltas em tabus do que o desejo sexual e as emoções.

“A queda dos níveis hormonais é sentida em intensidades distintas. Mas o que cada mulher experimenta está relacionado também à sua história de vida e a questões culturais, sociais e até raciais. Tudo isso deveria ser considerado na avaliação médica”, afirma a ginecologista Isabel Sorpreso, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

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As mudanças físicas e psíquicas são desatadas pela diminuição da oferta de estrogênio, hormônio fabricado durante a vida fértil. “Ele atua no corpo todo, incluindo em nosso centro de regulação de temperatura no cérebro e nos vasos sanguíneos. Daí o aparecimento dos fogachos”, esclarece a ginecologista Ilza Monteiro, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Essa oscilação hormonal afeta ainda a liberação de serotonina e dopamina, neurotransmissores associados ao nosso estado de humor”, completa. Por isso é que pintam o desânimo e a irritabilidade.

menopausa
Clique na imagem para ampliar (Gráficos e ilustrações: Rodrigo Damati e Estúdio Coral/Veja Saúde)

Mesmo após a confirmação do diagnóstico da menopausa, a jornada da mulher em busca de estratégias para amenizar os impactos na autoestima, no bem-estar e na vida sexual — sentidos por mais de 60% do público ouvido pelo estudo — nem sempre é isenta de percalços.

Uma em cada cinco respondentes diz não ter recebido por parte dos médicos explicações satisfatórias a respeito do que iriam encarar e sobre as indicações de tratamento.

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A pesquisa revela que, ainda que quase 80% delas se sintam confortáveis ao compartilhar as queixas com o doutor, seu nível de confiança durante o acompanhamento cai substancialmente, o que pode estar relacionado justamente à carência de orientações dadas ao longo dos atendimentos.“Falta esclarecimento e suporte psicológico”, opina uma das participantes.

Uma das lacunas se refere a quanto as condutas em consultório são tomadas com base nos últimos avanços da ciência. “É fundamental que os profissionais estejam atualizados e amparados em diretrizes para acolher essas mulheres”, defende Isabel, que também coordena o projeto Menopausando, que tem um site criado para disponibilizar informações sobre o assunto, sobretudo a quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS).

A especialista ressalta que, muito além dos sintomas típicos da menopausa e da prescrição de qualquer tratamento, é fundamental investir na prevenção e na detecção precoce de doenças na órbita dessa população, como o câncer de mama e o de colo de útero e os problemas cardiovasculares.

+Leia também: Menopausa abre brecha para problemas do coração

Nessa direção, o trabalho de conscientização, dentro e fora do consultório, deve ser mais amplo, reforçando o autocuidado e as medidas para superar a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, fatores que tornam os riscos e desafios dessa fase da vida ainda mais dramáticos.

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“Quem se exercita, tem alimentação saudável, mantém boas noites de sono e consegue lidar melhor com situações estressantes passa por essa transição de uma maneira mais tranquila”, argumenta Anna Valéria. No entanto, como adverte a pesquisa, mudanças no estilo de vida nem sempre fazem parte das conversas durante as consultas.

Uma em cada quatro brasileiras entrevistadas considera não ter recebido orientações adequadas nesse sentido. Ainda assim, a maioria (64%) concorda que exercícios físicos são importantes e acredita que ajudam na qualidade de vida após a menopausa, percentual maior até mesmo do que a alimentação saudável (56%), que também aparece como um hábito relevante nesse contexto.

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Clique na imagem para ampliar (Gráficos e ilustrações: Rodrigo Damati e Estúdio Coral/Veja Saúde)

Tratamentos aliviam sintomas da menopausa

No que diz respeito às opções terapêuticas para o manejo dos sintomas da menopausa, a terapia de reposição hormonal, principal recurso hoje prescrito pelos médicos, ainda não é totalmente conhecida e aceita.

Assim, um percentual de mulheres com indicação para o tratamento reluta em começá-lo, seja porque está à espera de uma segunda opinião, seja por medo dos efeitos colaterais, seja pelo custo dos medicamentos.

“Essa é a primeira linha de tratamento para lidar com as consequências da falta de estrogênio, que vão além das dificuldades mais perceptíveis. E deve ser recomendada a partir de uma análise criteriosa dos antecedentes da paciente e dos seus exames”, contextualiza Anna Valéria.

A meta é iniciar a reposição, caso não haja contraindicação, dentro da chamada janela de oportunidade, abaixo dos 60 anos ou com menos de uma década do fim da menstruação.

“A medida ajuda a manter os vasos sanguíneos saudáveis e a controlar o colesterol, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares”, afirma a ginecologista, uma das revisoras do mais recente Consenso Brasileiro da Terapêutica Hormonal do Climatério, elaborado pela Sobrac e pela Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

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No longo prazo, essa estratégia ainda evita prejuízos à massa óssea e o surgimento de desordens como ressecamento vaginal, perda de libido e incontinência urinária. Na pesquisa, entre aquelas que optaram pela reposição, 75% atestam que ela auxiliou a controlar os sintomas.

Para aquelas que não querem ou não podem fazer, existem algumas alternativas não hormonais capazes de amenizar dificuldades específicas. “Temos de apresentar todas as possibilidades terapêuticas, seus prós e contras, e a paciente deve participar da tomada de decisão”, ressalta Anna Valéria. “Já passou da hora de incentivarmos conversas abertas e derrubarmos mitos e preconceitos.”

A convocação vem bem a calhar, a julgar pelas respostas obtidas na pesquisa: metade das entrevistadas declara já ter vivido algum tipo de preconceito — devido à idade, por estar na menopausa ou simplesmente por ser mulher. Um absurdo!

Mesmo diante desse cenário, há espaço para uma visão otimista: 80% acreditam que hoje há muito mais informação disponível, o que as deixa mais preparadas para os percalços ligados ou não ao climatério.

E mais de 30% veem vantagens por aterrissar nessa fase, como o fato de ter mais tempo para se cuidar em um período que, com o avanço da longevidade, hoje pode ocupar um terço da vida.

Ainda bem: cuidar-se com a devida orientação é o maior divisor de águas para quem atravessa a menopausa.

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