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A polêmica sobre o remdesivir no tratamento da Covid-19

O antiviral foi aprovado recentemente nos EUA contra o coronavírus. Mas estudos com resultados diferentes geram incerteza sobre a magnitude dos benefícios

Por Daniella Grinbergas e Gustavo Grohmann
Atualizado em 12 mar 2021, 12h20 - Publicado em 23 out 2020, 12h38

A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, liberou o uso do antiviral remdesivir para casos moderados e graves de Covid-19 na quinta-feira (22 de outubro). Até então, ele era autorizado só em caráter emergencial. O remédio da farmacêutica Gilead ganhou esse aval dias após um estudo coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicar que ele não reduziria a mortalidade pelo novo coronavírus.

Vamos aos fatos: no 15 de outubro, a OMS divulgou resultados iniciais da pesquisa Solidarity. O levantamento avaliou a eficácia e a segurança de quatro diferentes tratamentos: cloroquina/hidroxicloroquina, interferon, lopinavir/ritonavir e o tal remdesivir.

O ensaio foi feito em 405 hospitais de 30 países, com mais de 11 266 pacientes randomizados, que receberam os quatro fármacos isolados ou combinados. Pois bem: nenhum reduziu significativamente a mortalidade ou o tempo de hospitalização.

A publicação fez a comunidade científica se movimentar, com especialistas alertando que o estudo clínico da OMS não trazia conclusões definitivas. Ora, ele não contava com um grupo placebo, o que dificulta comparações. O trabalho também não foi revisado por pares e publicado em um periódico científico — ou seja, especialistas independentes ainda não esmiuçaram seus métodos e dados para averiguar a qualidade da investigação.

Em contrapartida, uma pesquisa financiada pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID, na sigla em inglês) traz dados mais positivos sobre o remdesivir. Publicada no periódico científico The New England Journal of Medicine, ela contou com 1 600 pessoas hospitalizadas por causa da Covid-19 (85% apresentavam quadros graves). Algumas receberam o fármaco, enquanto outras ingeriram apenas um placebo.

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Nesse caso, os participantes que receberam o remdesivir se recuperaram cinco dias mais rapidamente, em média. Outra conclusão foi de que o antiviral reduziu a probabilidade de evolução para quadros graves, que pedem ventilação. O artigo chega a apontar uma tendência de queda na mortalidade, mas atenção: os resultados encontrados estão dentro da margem de erro. Dito de outra forma, não dá para dizer que o remdesivir diminui o risco de óbito de Covid-19 por meio desse experimento.

Para o virologista Mauricio Lacerda Nogueira, médico e professor da Faculdade de Medicina de São Jose do Rio Preto (SP), esses estudos devem ser elogiados pelo número de pacientes. Contudo, diante dos dados atuais, ele diz que ainda é cedo para ter convicções. “O remdesivir tem algum potencial, mas não há nada definido. E já entendemos que ele não é a bala de prata que vai resolver o problema. Se fosse, os dados seriam muito mais contundentes”, explica.

De acordo com Nogueira, essa droga deve ter um efeito limitado. Seria necessário tratar um número grande pacientes para ver o efeito positivo em um. Por outro lado, uma recuperação mais rápida da Covid-19 proporcionada pelo remdesivir ajudaria a diminuir a sobrecarga de centros hospitalares, entre outras coisas.

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No Brasil, a Gilead já entrou com pedido de registro do seu fármaco. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou seu uso em pacientes hospitalizados no dia 12 de março de 2021.

O remdesivir foi criado originalmente contra o ebola. Contudo, ele não se mostrou positivo nesse cenário.

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