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6 mitos e verdades sobre a saúde bucal das gestantes

Ir ao dentista na gestação é importante para a saúde da mulher e a do bebê. Descubra por que você deve dar mais atenção à higiene da boca nesse período

Por Maria Tereza Santos - Atualizado em 26 Maio 2020, 10h46 - Publicado em 11 set 2018, 16h32

Desde a descoberta da gravidez, a futura mamãe precisa tomar cuidados especiais e fazer um bom pré-natal. E, além dos exames tradicionais e do acompanhamento médico, as gestantes devem incluir nessa lista visitas periódicas ao dentista.

“O estado de saúde bucal da mãe afeta diretamente o bebê. Certos problemas podem levar a um parto prematuro, por exemplo”, alerta o ortodontista José Lúcio Souza, sócio-diretor da OESP PRIME, uma rede de clínicas odontológicas originária da Associação Odontológica de Ensino de São Paulo.

Souza recomenda que, em geral, as grávidas compareçam ao consultório uma vez a cada três meses. “O primeiro trimestre costuma ser o mais crítico. É aqui que se faz a orientação sobre aleitamento, higiene oral e hábitos alimentares saudáveis”, completa.

E você não precisa ser atendida por um dentista específico. “O ideal é passar com qualquer profissional inicialmente. Em último caso, é possível indicar um especialista”, aconselha Souza.

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Mas, afinal, como problemas nos dentes das mães influenciam os bebês? A gravidez torna as mulheres mais propensas a terem complicações bucais? Com a ajuda de José Luiz Souza, SAÚDE desvenda mitos e verdades sobre o tema:

1) Os dentes da grávida ficam mais fracos porque ela divide o cálcio do organismo com o bebê – MITO

“Isso é uma grande fantasia popular”, desmente Souza. Não são nove meses que vão descalcificar a dentição da mulher.

Agora, a gestante deve manter uma dieta balanceada, com quantidades adequadas de cálcio para ela e a criança. Para isso, necessita de alimentos como leite, queijo, tofu, espinafre, iogurte, couve e grão de bico – um nutricionista pode ajudar nesse sentido.

“A importância desse mineral se dá na formação de ossos, dentes, coração, nervos, músculos etc”, enumera o profissional.

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2) A gestação favorece o surgimento de cáries – VERDADE

Por causa das alterações hormonais, há diminuição do fluxo e da ação protetora da saliva. E as grávidas passam a comer um pouco mais. Essa combinação gera um aumento da acidez na boca, o que facilita a desmineralização dos dentes e a formação de cáries.

Atenção: não faça pouco caso disso. As cáries da mãe são um perigo para o filho. “As bactérias podem acessar o sistema circulatório e se fixar na placenta, provocando partos prematuros e perda de peso do feto”, aponta o ortodontista.

3) Grávidas não podem fazer radiografia da boca – MITO

O importante é saber a quantidade de radiação a qual elas estarão expostas. Nos exames odontológicos, esse nível é baixo. “Porém, sempre deve-se utilizar os coletes protetores de chumbo e ter o máximo de cautela – principalmente nas regiões próximas ao feto, como o abdômen”, recomenda o especialista.

4) Grávidas não podem tomar anestesia – MITO

Já existem opções especiais disponíveis para essas mulheres. “Os dentistas usam anestésicos sem vasoconstritores. Eles não contêm substâncias que comprimem os vasos sanguíneos”, relata Souza.

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Ainda assim, os anestésicos são indicados apenas em situações emergenciais, pois eventualmente ultrapassam a barreira placentária e causam descolamento e alterações no feto. Embora não sejam proibidos, melhor evitá-los.

5) O aumento na produção de hormônios favorece a gengivite – VERDADE

“As variações hormonais promovem uma dilatação dos vasos sanguíneos. Isso provoca uma resposta exagerada dos tecidos gengivais, aumentando o risco de transtornos na região”, afirma o dentista.

Isso significa que as gengivas ficam menos protegidas e com menor capacidade de regeneração. Essa situação, junto com o maior consumo de alimentos, favorece o surgimento de inflamações. É a gengivite.

E as grávidas têm que se preocupar bastante com isso porque…

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6) … problemas nas gengivas induzem o nascimento prematuro – VERDADE

A inflamação libera citocinas e prostaglandinas, substâncias que induzem o parto. “Assim como na cárie, as bactérias podem atingir a criança invadindo o sistema circulatório”, acrescenta Souza.

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