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Um jeito comum de fazer agachamento na academia pode danificar a coluna

Estudo goiano sugere que não projetar os joelhos para além da linha dos pés desgastaria a coluna vertebral. O problema é a alternativa a isso... Confira

Por Chloé Pinheiro 14 ago 2019, 17h49

Existe um conselho comum no mundo da educação física de que o joelho não deve ultrapassar a linha dos pés durante um agachamento, aquele exercício comum nas aulas de ginástica funcional que fortalece os músculos da parte inferior do corpo. Só que essa recomendação talvez prejudique a coluna vertebral, segundo um grupo de pesquisadores brasileiros.

A equipe, da Universidade Federal de Goiás (UFG), avaliou a movimentação das costas de 19 voluntários enquanto eles faziam um agachamento. Todos praticavam atividades físicas e já estavam familiarizados com esse exercício especificamente há pelo menos um ano.

As medições foram conduzidas com um software desenvolvido no laboratório. Esse programa usava imagens geradas por adesivos reflexivos grudados na pele dos participantes e construía com elas um desenho da coluna no computador.

“Verificamos que, quando o joelho não passa a linha dos pés, o indivíduo tende a inclinar as costas muito para trás e retificar a região lombar. Isso faz com que ela perca sua curvatura natural”, comenta Mário Hebling Campos, educador físico e professor da UFG que coordena pesquisas nesse departamento. “Quando se aplica carga na coluna, o ideal é que essa curvatura seja mantida para não espremer os discos intervertebrais”, destaca.

Se projetar o bicho pega, se retificar o bicho come

Todos temos uma curvatura natural nas costas quando estamos em pé. A parte inferior – a lombar – fica um pouco para dentro e a superior, na altura do tórax, ligeiramente para fora.

Ao realizar o agachamento com aquela restrição de movimento do joelho, a tendência é esticar especialmente a lombar, o que acaba pressionando os discos que evitam o atrito entre uma vértebra e outra.

“Suspeitamos que essa sobrecarga aumente o risco de danos nessas estruturas a longo prazo. Mas essa hipótese ainda precisa ser confirmada”, ressalta Campos.

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Por outro lado, quando o joelho pôde ir mais para a frente, a pressão na coluna dos voluntários goianos foi menor. Só que, neste caso, é justamente o joelho que sofreria mais.

Os primeiros achados foram publicados no The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, um periódico científico italiano, em 2017. Outra descoberta do grupo, recentemente publicada, é a de que a barra guiada, ou Smith, parece preservar melhor a curvatura das costas do que a livre, empregada no estudo mais antigo.

O que fazer agora?

A história ainda precisa ser investigada mais a fundo para saber se a perda da curvatura momentânea oferece mesmo riscos para a coluna com o passar dos anos. “Como o exercício estimula o corpo a ficar mais resistente, pode ser que, no fim, essa sobrecarga na coluna não seja ruim”, comenta o professor.

Provavelmente, o melhor caminho é individualizar o treino de acordo com cada um, adotando cautelas adicionais em caso de limitações no joelho ou na coluna lombar.

“Mas para uma pessoa saudável, sem problemas nas costas ou nos joelhos, talvez seja bom colocar o joelho só um pouco pra frente dos pés e, assim, preservar melhor as duas estruturas”, sugere Hebling.

Por fim, vale ressaltar que quem possui problemas articulares ou na espinha dorsal deve consultar um médico. Em certos cenários, o agachamento chega a ser contraindicado.

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