Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Estudo explica os benefícios do exercício aeróbico contra a hipertensão

Pesquisadores brasileiros descobriram como esse tipo de treino melhora o controle da pressão em indivíduos com hipertensão crônica ou insuficiência cardíaca

Por Agência Fapesp*
Atualizado em 4 jan 2023, 17h56 - Publicado em 4 jan 2023, 17h54

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) descobriram, por meio de experimentos com ratos, como o exercício aeróbico melhora o controle da hipertensão arterial em indivíduos com hipertensão crônica ou insuficiência cardíaca. De acordo com os estudos, o treinamento ajuda a corrigir disfunções na barreira hematoencefálica e restaura o fluxo sanguíneo no sistema nervoso central mesmo em caso de persistência da doença.

A barreira hematoencefálica é uma estrutura que tem a função de regular o transporte de substâncias entre o sangue e o sistema nervoso central, barrando a entrada de substâncias tóxicas e de hormônios plasmáticos em excesso.

Esses hormônios, em quantidade acima do ideal, são capazes de ativar neurônios envolvidos na regulação do sistema cardiovascular, levando à disfunção autonômica e ao desequilíbrio da circulação sanguínea. Isso facilita o aparecimento de lesões em órgãos-alvo, podendo comprometer coração, cérebro, rim, entre outros órgãos.

“Além de corrigir o controle autonômico da circulação, o treinamento aeróbico também contribui para reduzir de 10% a 15% os níveis da pressão arterial nos hipertensos”, afirma Lisete Compagno Michelini, coordenadora do Laboratório de Fisiologia Cardiovascular, responsável pelos estudos, em entrevista para a Assessoria de Imprensa do ICB-USP.

Continua após a publicidade

A investigação recebeu financiamento da FAPESP por meio dos Projetos Temáticos “Barreira hematoencefálica: um novo paradigma no tratamento da hipertensão” e “Amelioration of the autonomic imbalances of old age with exercise: exploring the molecular and physiological mechanisms”, além do projeto “Barreira hematoencefálica e regulação autonômica na hipertensão arterial: efeitos da angiotensina ii e do treinamento aeróbio”.

+ Leia também: O mundo dos estúdios fitness

Filtro de substâncias

Continua após a publicidade

Encontrada nos capilares cerebrais por onde o sangue circula, a barreira hematoencefálica é composta por células endoteliais intimamente ligadas umas às outras por junções oclusivas que limitam a passagem de substâncias solúveis em água.

Não há limite para a passagem de substâncias lipossolúveis, como oxigênio e gás carbônico, através da célula endotelial. O problema são as macromoléculas, entre elas substâncias tóxicas e hormônios plasmáticos.

“Em indivíduos saudáveis, a passagem de macromoléculas, que ocorre através de vesículas sanguíneas, é bastante limitada. No entanto, observamos que em hipertensos e portadores de insuficiência cardíaca há um aumento expressivo no número dessas vesículas em áreas autonômicas, o que eleva a permeabilidade da barreira hematoencefálica. Por outro lado, observamos que o treinamento aeróbico reduziu em muito a formação dessas vesículas, além de normalizar a permeabilidade da barreira hematoencefálica”, explica Michelini.

Continua após a publicidade

Segundo a professora do ICB, já se sabia que em casos de acidente vascular cerebral (AVC), traumas e doenças neurodegenerativas a integridade da barreira era comprometida pela quebra das junções oclusivas, o que permitia livre acesso das substâncias.

Compartilhe essa matéria via:

“Em nossos experimentos, observamos que na hipertensão e na insuficiência cardíaca não há quebra em áreas de controle cardiovascular e sim aumento da permeabilidade por facilitação do transporte das vesículas, o que pode ser prontamente corrigido pelo treinamento aeróbico”, destaca.

Continua após a publicidade

As descobertas feitas pela equipe reforçam a importância do treinamento físico para a melhora do controle autonômico da circulação, pois, além de ser um importante aliado no tratamento farmacológico dessas patologias, permite reduzir a quantidade necessária de medicamentos e, consequentemente, diminui a ocorrência de efeitos colaterais.

“O exercício físico, assim como diferentes fármacos, favorece a vasodilatação vascular, ajuda a balancear desvios do sistema renina angiotensina, responsável por regular a pressão arterial, e melhora o controle autonômico da circulação”, afirma Michelini.

O grupo segue estudando o funcionamento da barreira hematoencefálica, agora com o objetivo de avaliar se o transporte vesicular aumentado na hipertensão e insuficiência cardíaca, mas reduzido em ambas as situações pelo treinamento aeróbio, é mediado pela disponibilidade do hormônio angiotensina II e/ou de citocinas pró-inflamatórias.

Continua após a publicidade

O grupo verificará ainda se os resultados obtidos na hipertensão primária (sem causa esclarecida) são também aplicáveis à hipertensão secundária, derivada de uma outra condição (como apneia do sono, insuficiência renal e hipotireoidismo, entre outras).

*Esse texto foi publicado originalmente pela Agência Fapesp, e tem informações do ICB-USP.

 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

A saúde está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA SAÚDE.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.