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Por trás da cicatriz: minha história e vitória contra o câncer

No Maio Cinza, dedicado à conscientização sobre o câncer de cérebro, empresária relata em livro sua luta e êxito frente à doença

Por Daiene Berdoldi, empresária e coach* 29 Maio 2022, 10h56

Sim, tenho uma cicatriz e, para mim, ela representa muita coisa.

Era janeiro de 2020. Vivia uma das melhores fases da minha vida, realizada pessoal e profissionalmente. Me casaria com o homem que amo dois meses depois. De repente, o mundo parou. A ameaça se parecia com o desenho das raízes de uma árvore.

O diagnóstico deixava claro: tinha um tumor infiltrativo que preenchia um quarto do meu cérebro. Nos três primeiros dias, fiquei na lama. Passou de tudo pela minha cabeça — morrer, virar um vegetal, ficar com sequelas.

Era possível operar? Os médicos vão me desenganar? Nem o cansaço freava os pensamentos.

Mas é em momentos assim que definimos quem somos na vida, vítimas ou líderes do próprio destino. Levantei a cabeça e compreendi que ainda teria uma chance de cumprir minha missão na Terra, levando luz e inspiração a pessoas que encaram desafios tão grandes como o câncer.

Foi um processo longo. Comecei a escrever meu livro ainda no hospital com o desejo de deixar um legado sobre esse sofrimento, que pode se desdobrar de várias formas para os inúmeros casos de câncer com os quais, infelizmente, o mundo tem de lutar.

Eu lutei, chorei, sofri, quis largar tudo, cheguei a pedir para morrer. Mas encontrei forças para seguir em frente e, com certeza, meu maior apoio no trajeto foi meu noivo, que se tornou meu marido oficialmente em uma grande e linda festa. Na cerimônia do casamento, 44 dias após minha cirurgia, eu estava com dois (dos 73!) pontos infeccionados e abertos em minha cabeça.

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Após voltar de uma maravilhosa lua de mel, mesmo que reduzida em tempo e distância, era preciso iniciar a radioterapia. Ter de enfrentar 30 idas para outra cidade para ficar imóvel durante 20 minutos numa máquina que circundava minha cabeça e me fazia perder cabelos, sobrancelhas e cílios não era tarefa fácil. Ainda assim, passei na prova.

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Porém, outro desafio estava por vir: a tão temida quimioterapia. Tive a sorte de poder fazer um tratamento via oral, com efeitos colaterais bem menores. Mas os longos 13 meses de terapia, com vários dias tendo de tomar nove comprimidos enormes de uma vez só, também não foram algo tranquilo.

Cheguei a pensar em desistir dessa rotina incessante e assumir o risco. Conversei com os médicos, fiz uma pausa de um mês para respirar. Depois, retomei e concluí o tratamento em junho de 2021, com uma bateria de exames para avaliar a imunidade e uma dezena de ressonâncias magnéticas com contraste para, então, ter de recomeçar do zero.

Autocontrole e autoconhecimento. Essas foram as habilidades que mais tive de cultivar no meu tratamento, juntamente com a resiliência. Hoje olho para trás e me orgulho da minha cicatriz. Não tenho vergonha de mostrá-la.

Se morresse hoje e ao menos uma pessoa colocasse em prática as lições que compartilho no livro Por Trás da Cicatriz, meu legado já estaria concluído. Uma vida já seria suficiente, mas tenho certeza de que posso inspirar muito mais gente!

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* Daiene Berdoldi é médica veterinária, empresária e coach palestrante. Ex-paciente de câncer cerebral, é autora do livro Por Trás da Cicatriz

 

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