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O coronavírus está se preparando para quando o Carnaval chegar

Sem testar a população, Brasil não acompanha a evolução do vírus. Assim, aglomerações e novas variantes podem abrir um novo capítulo da pandemia por aqui

Por Guilherme Ambar, biólogo* 15 dez 2021, 18h48

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que “a Europa pode registrar 700 mil novas mortes por Covid-19 nos próximos meses”, e isso sem considerar a variante Ômicron. Enquanto isso, os Estados Unidos registraram 1,3 milhão de novos casos em 15 dias e viram a média de mortes diárias subir para 1 420.

Diante dessa realidade, a América Latina parece extremamente preservada – especialmente o Brasil, com menos de 200 mortes diárias atualmente.

Por incrível que pareça, um dos motivos que beneficiam o Brasil no momento atual é o fato de termos começado a vacinar tardiamente.

Assim, enquanto o vírus se espalha na Europa porque encontrou a maioria da população vacinada há mais de seis meses e, portanto, com nível de anticorpos já baixo – sem falar que lá é inverno –, por aqui a vacinação tomou ‘fôlego’ recentemente, ultrapassando a casa do milhão de vacinados diariamente.

Essa nossa situação ‘confortável’ pode não perdurar, entretanto, por causa da corrida pelas compras e as festas de fim de ano e, principalmente, quando dezenas de milhares de turistas chegarem do exterior, atraídos por uma possível festa de Carnaval.

Até porque não estamos conseguindo sucesso na aplicação da dose de reforço, que só foi aplicada em cerca de 10% da população.

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É vital, portanto, que o Brasil esteja preparado para um incremento da Covid, e a única resposta é aquela que o diretor-geral da OMS deu lá no início da pandemia: “É preciso testar, testar e testar”.

A verdade é que nosso país não está testando e continua a avaliar a gravidade da epidemia pela contagem de mortos, ao contrário do que recomenda o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos. A agência propõe a análise da velocidade de transmissão correlacionando o número de casos positivos versus o número de PCR feitos.

No início da pandemia, a intenção era realizar 24 milhões de testes PCR até dezembro de 2020, mas não chegamos nem perto disso, tanto que o professor Daniel Lahr, da USP, disse o seguinte: ‘Estamos testando brutalmente menos do que deveríamos, 20 vezes menos’.

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Estatísticas mais recentes indicam que testamos 15 vezes menos que os Estados Unidos e 12,5 vezes menos que o Reino Unido.

Enquanto internacionalmente a situação de um país é considerada razoável quando apenas 5% dos testes dão positivo, no Brasil, mesmo testando muito pouco, o índice de positivos é de 36,8%, segundo o Our World in Data, ferramenta usada pela Universidade John Hopkins – ou seja, sete vezes maior do que o esperado.

+ LEIA TAMBÉM: Ômicron: descoberta precoce ajuda na prevenção e adaptação de vacinas

Diante da expectativa de um próximo incremento das infecções por Covid, o que pode ser feito é nos preparamos para testar em massa.

E isso é possível, sim. Se o Brasil foi capaz de se mobilizar e vacinar até mais de dois milhões de pessoas num único dia, certamente seremos capazes de testar número semelhante.

Esse processo, porém, tem que ser feito da mesma maneira como acontece nos países asiáticos que conseguiram combater com sucesso a pandemia – um exemplo é a Coreia do Sul, que conheço bem, já que a empresa que dirijo é subsidiária da Seegene coreana.

A tática empregada com grande sucesso e que continua sendo usada por essas nações é identificar com a maior rapidez os polos de difusão do vírus.

Na Coreia, quando a contaminação começa a aumentar, a testagem em massa é imediatamente desencadeada na região afetada. Dessa maneira, dá para identificar rapidamente e com precisão o foco da contaminação – que pode ser uma escola, um centro comercial e, às vezes, alguns quarteirões de um bairro.

Feita a identificação, as medidas devidas são tomadas e a dispersão do vírus é contida. Simples assim. O exemplo existe, a questão agora é nos prepararmos devidamente para não sermos pegos de surpresa por novas variantes do vírus – que seguirá tentando se espalhar.

*Guilherme Ambar é biólogo e CEO da Seegene do Brasil

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