Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

Como resolver a escassez de equipamentos no combate à pandemia

Especialista aponta os desafios da Covid-19 para o sistema de saúde de países em desenvolvimento e como a produção local de recursos pode fazer a diferença

Por Joshua Setipa, diretor do Banco de Tecnologia da ONU*
Atualizado em 19 Maio 2020, 14h35 - Publicado em 19 Maio 2020, 12h55

O novo coronavírus expôs a distribuição incrivelmente desigual de equipamentos médicos que salvam vidas em todo o mundo. Os ventiladores são essenciais no tratamento de doenças respiratórias, incluindo casos graves de Covid-19, mas, no Brasil, não há respiradores suficientes para atender centenas de milhares de pessoas.

A pandemia agravou o que já era um problema grave, quebrando cadeias de suprimentos e estimulando o estoque entre aqueles que podem pagar. Países sem a influência ou a riqueza para garantir pedidos de equipamentos de proteção, diagnóstico e dispositivos médicos têm uma resposta severamente limitada a esta pandemia.

No Brasil, vemos o SUS ser rapidamente sobrecarregado, deixando a milhões de pessoas a triste escolha entre arriscar serem infectadas pelo coronavírus ou deixarem de ir aos hospitais para tratar outras condições críticas de saúde.

Essa situação terrível traz consigo uma oportunidade de desenvolver a capacidade de fabricação local em todo os territórios de renda média e baixa, empoderando os países a garantir que suas populações obtenham os equipamentos de que precisam. Fazer isso não apenas apoiará a resposta imediata à pandemia, mas também criará sistemas de saúde e cadeias de suprimentos mais resilientes no futuro.

Atualmente, a produção local de equipamentos essenciais em alguns países em desenvolvimento — particularmente equipamentos de proteção individual, diagnósticos e dispositivos médicos — é muito limitada devido à falta de acesso a informações, conhecimentos técnicos e orientações regulatórias. Os países dependem excessivamente das cadeias de suprimentos internacionais para esses produtos, o que pode levar a desafios quando a demanda global aumenta e a oferta é limitada.

Diante da Covid-19, os setores público e privado devem se unir a fim de gerar conhecimento e tecnologia cruciais para permitir que países e regiões desenvolvam suas próprias capacidades de fabricação. A economia global será incapaz de se recuperar completamente até que todos as nações possam identificar e cuidar dos infectados pelo vírus, o que reforça o fato de que não há uma escolha binária entre vidas e meios de subsistência.

A única maneira de colocar a economia mundial de volta nos trilhos é construir unidade, compartilhar conhecimento e tecnologia e garantir que juntos reduzamos a propagação do vírus, acelerando a pesquisa e o desenvolvimento de diagnósticos, tratamentos e vacinas.

Isso já está acontecendo. Empresas inovadoras públicas e privadas assumiram compromissos importantes de abrir modelos de inovação e se comprometeram a compartilhar seu conhecimento e tecnologia. No entanto, é necessária uma coordenação global adequada para maximizar o impacto potencial — tanto no curto quanto no longo prazo.

Essa é a força motriz por trás da Tech Access Partnership (TAP), uma nova plataforma criada pelo Banco de Tecnologia da ONU, com o apoio do Programa de Desenvolvimento da ONU, da Organização Mundial da Saúde e da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.

A TAP conectará empresas inovadoras, fábricas, universidades e outras entidades globais com fabricantes locais nos países com renda média ou baixa para compartilhar dados, conhecimento, especificações de projeto e outras informações e suporte relevantes.

Continua após a publicidade

Criado em 2016 pela Assembleia Geral das Nações Unidas com um mandato específico para fortalecer a capacidade de ciência, tecnologia e inovação dos países menos desenvolvidos, o Banco de Tecnologia da ONU, junto a seus principais parceiros, está oferecendo uma nova solução para contornar barreiras e garantir que tecnologias de saúde de qualidade cheguem àqueles que mais precisam.

Esta crise sem precedentes requer uma resposta igualmente excepcional, que una setores e empodere os países mais pobres do mundo a construir sua própria capacidade, tornando-os mais fortes e mais resilientes, agora e no futuro.

O caminho para a recuperação será longo e difícil. Mas sabemos que, para chegar lá, precisamos caminhar juntos. Ao agirmos juntos agora, podemos abordar os gargalos sistêmicos que impedem as comunidades mais pobres e marginalizadas de acessar tecnologias de saúde que salvam vidas e equipá-las com as ferramentas necessárias para construir um futuro melhor.

* Joshua Setipa é o Diretor-Gerente do Banco de Tecnologia da ONU para os países menos desenvolvidos

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.