Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

Ansiedade e depressão: doenças únicas mas que podem andar em conjunto

Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria examina elo entre os dois transtornos psíquicos mais comuns da atualidade

Por Antônio Geraldo da Silva, psiquiatra*
Atualizado em 10 mar 2021, 16h46 - Publicado em 5 nov 2020, 12h33

O coração bate mais forte, a respiração acelera e surgem os sentimentos de apreensão e medo. Possivelmente você já experimentou esses sintomas em algum momento da vida. É normal e até necessário sentir algum grau de ansiedade. Ela tem um propósito de existir dentro de nós. Porém, é preciso ficar atento quando passa dos limites e se torna uma doença.

Já não somos mais vítimas de predadores como no tempo das cavernas, mas somos perseguidos hoje pela baixa autoestima, pela incerteza da saúde de nossos familiares e amigos, pelos receios com o emprego e a empresa. E essas preocupações provocam as mesmas respostas neurológicas e físicas do passado.

Tudo isso acontece dentro do sistema nervoso central, que regula a frequência cardíaca, a respiração, a micção e até a função sexual. É também o sistema que reage quando estamos sob ameaça, produzindo a resposta de lutar ou fugir, projetada para nos defender dos perigos. Quando ele entra em ação, podemos sentir manifestações tão diversas como dor de cabeça, náusea, falta de ar, tremores e mal-estar na barriga.

É possível conviver com sintomas leves de ansiedade, mas quando ela é forte o suficiente para interferir na vida cotidiana, o tratamento geralmente é a única maneira de controlá-la. Os principais sinais de que isso está acontecendo aparecem quando a pessoa começa a fugir das atividades da rotina porque está com um medo exagerado ou fica tão preocupada com algo que isso a paralisa. Na ansiedade enquanto doença, a pessoa vai sentir que os sintomas não vão passar com um “copo de água com açúcar”.

Continua após a publicidade

As opções de tratamento, feito o diagnóstico com um médico, incluem medicamentos, psicoterapia, mudanças de estilo de vida e a combinação de todos esses elementos. O acompanhamento profissional é essencial para domar a ansiedade e as condições que podem acompanhá-la, como a dependência de álcool ou drogas e a depressão. É importante pontuar aqui que frequentemente pessoas com transtorno de ansiedade apresentam sintomas depressivos e vice-versa.

Em algum momento, quase todo mundo passa por eventos estressantes na vida. Embora nem todos que enfrentam essas tensões desenvolvam um transtorno de humor – na realidade, a maioria não desenvolve –, o estresse desempenha um papel decisivo na depressão. É preciso saber diferenciar uma condição e sinais passageiros dos indícios da depressão em si. A doença é marcada por extrema tristeza, autodesvalorização, desesperança e pensamentos suicidas.

A ciência vem rastreando a origem das emoções até o cérebro para entender a depressão e já se sabe que certas áreas participam da regulação do humor. Os pesquisadores acreditam que, mais importante do que os níveis de substâncias químicas cerebrais alteradas, são mudanças nas conexões das células nervosas, seu crescimento e funcionamento que exercem maior impacto na doença.

Continua após a publicidade

Nesse contexto, devemos lembrar que, mesmo antes da pandemia de Covid-19, o Brasil já ocupava o primeiro lugar no ranking dos países com mais casos de ansiedade e o segundo em episódios de depressão. É necessário e urgente valorizarmos a saúde mental. Não se trata de “psiquiatrizar” ou “psicologizar” o cotidiano, mas de fazer diagnóstico e tratamento adequados.

* Antonio Geraldo da Silva é presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Associação Psiquiátrica da América Latina

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.