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A realidade que dificulta o controle do diabetes

Paciente e defensora da causa aproveita um projeto de lei para refletir sobre alguns dos principais desafios com a doença no país

Por Vanessa Pirolo*
14 ago 2018, 14h13

Um estudo publicado pela Universidade de São Paulo em 2014 já mostrava: mais de sete em cada dez pessoas com diabetes tipo 2 não aderem ao tratamento. Mas você sabe os motivos que estão por trás desse número tão alto? Vamos explorar três das principais razões por aqui.

  1. A maioria da população brasileira é atendida por clínicos-gerais, e o fato é que a maior parte deles não tem conhecimento profundo sobre o diabetes. Assim, não conseguem transmitir todas as informações e instruções essenciais para o tratamento, como medir a glicemia, aplicar insulina, o que fazer quando ocorre uma hipoglicemia, como escolher os melhores alimentos, quais atividades físicas realizar
  2. Não menos importante é a questão do acesso aos medicamentos e insumos. Os estados e municípios têm registrado faltas pontuais ou frequentes (caso do Rio de Janeiro) no SUS, o que prejudica muito a continuidade do tratamento, pois boa parte dos cidadãos não dispõe de recursos para comprar por conta.
  3. Precisamos que a indústria, os estabelecimentos, o governo e toda a sociedade despertem para conscientizar a população sobre o diabetes e facilitar escolhas e comportamentos mais saudáveis, sobretudo para quem já tem o diagnóstico.

Nesse sentido, quero destacar o projeto de Lei do Copo Azul, sancionado pelo governador do Estado de São Paulo no dia 13 de julho. A iniciativa “determina a todos os estabelecimentos comerciais que disponibilizem copos descartáveis em cor predominantemente azul com a inscrição ‘Zero Açúcar’, para utilização em máquinas de refrigerantes…”.

Realmente, não existe diferenciação entre as embalagens utilizadas para essas bebidas nas versões normal e zero. Já ouvi vários depoimentos de pessoas com diabetes relatando a troca dos refrigerantes em grandes redes de fast food. Isso ocasiona um rápido aumento na glicemia, capaz de gerar uma sensação de mal-estar (com sintomas como suor frio, perda da concentração, vontade de urinar sem parar, sede excessiva…).

A sorte é que, percebendo que algo andava errado, elas checaram a glicemia e viram que o resultado estava na casa dos 500 mg/dl, quando o normal após duas horas do almoço devia ser no máximo 160 mg/ dl para quem tem diabetes. E vejam o perigo: se conservar essa glicemia nas alturas por muito tempo, o indivíduo pode entrar em estado de cetoacidose, uma descompensação que pode acabar em coma. No caso de uma criança com diabetes, o pequeno pode vir a morrer.

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A Lei do Copo Azul é um avanço no sentido de proteger as pessoas com diabetes. Mas não é uma solução total. As redes de fast food precisam diminuir, de qualquer jeito, a quantidade de açúcar de suas bebidas. Outro ponto que chama a atenção: fiquei sabendo que, em algumas marcas de refrigerante, a embalagem da opção zero mudou e está mais parecia com a da versão normal (só uma faixa indica a ausência do açúcar). Ora, imagine a quantidade de gente se confundindo, comprando e tomando a versão que não desejavam ou evitavam.

Pensemos um pouco mais nos outros. Será que está tão difícil ajudar os 16 milhões de brasileiros com diabetes a viverem bem, podendo fazer escolhas mais conscientes e saudáveis, e, ao mesmo tempo, reduzir os gastos do governo com essa condição e suas complicações?

* Vanessa Pirolo é jornalista e coordenadora de advocacy da ADJ Diabetes Brasil

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