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A fertilidade do homem também é impactada pelo envelhecimento

Não são só as mulheres que têm dificuldade para ter filhos com o avançar da idade. Entenda o que acontece com o corpo masculino

Por Maria do Carmo Borges de Souza, médica especialista em reprodução humana*
Atualizado em 24 nov 2023, 18h05 - Publicado em 24 nov 2023, 18h02

Com a tendência de adiar tanto a paternidade quanto a maternidade, a questão da influência da idade masculina na reprodução tem sido mais discutida.

A literatura científica nos últimos vinte anos sugere que o aumento da idade paterna está associado com baixa fertilidade, aumento de complicações associadas à gestação e de desfechos adversos na prole, mesmo corrigindo o fator feminino nas avaliações.

Não há, contudo, um consenso de qual seria o valor de corte para a idade paterna avançada: 40, 45 anos? A idade materna é considerada avançada a partir dos 35.

Um estudo publicado na Obstetrics & Gynecology mostrou que entre 18 e 28% dos homens entre 35 e 40 anos não conseguiam uma gravidez espontânea com suas parceiras em 12 meses de tentativas.

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Já uma pesquisa brasileira de 2008 aponta que a probabilidade de um casal apresentar uma demora superior a 12 meses para engravidar praticamente duplica de 8% quando o homem tem 25 anos para 15% quando a idade é superior a 35 anos.

Vários estudos têm relacionado a idade paterna avançada com abortamento, parto prematuro, baixo peso ao nascer e morte intraútero.

Quando associadas a síndrome metabólica e a obesidade paterna, esses riscos podem ser maiores, assim como tem sido descrito em estudos a elevação da chance em pais maiores que 45 anos de gerar filhos com autismo, esquizofrenia e transtorno bipolar.

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Divisão celular

As mulheres nascem com uma quantidade pré-definida de óvulos, que vão sendo utilizados durante a vida e, depois, se esgotam.

No caso dos homens, é diferente, pois eles seguem produzindo espermatozoides ao longo da vida. Mesmo assim, a fertilidade cai com o tempo.

Uma das hipóteses aceitas para explicar isso é que, embora refaçam a espermatogênese a cada 85 dias, isto também significa divisões celulares persistentes neste processo ao longo destes anos, que expõem os espermatozoides a eventuais erros de duplicação do DNA e à fragmentação deste conteúdo.

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Por exemplo, aos 20 anos um homem terá tido cerca de 150 divisões, aos 40 serão 610 e em torno de 70 anos terão aproximadamente 1.300 divisões celulares, assumindo que a puberdade tenha ocorrido com 15 anos.

A genética da fertilidade

Cada um de nós tem 46 cromossomos (estruturas que organizam os genes), divididos em 23 pares, nomeados de 1 a 23. O par 23 define o sexo do embrião.

A presença de dois cromossomos X no par 23 indica um bebê do sexo feminino, já o masculino resulta da presença de um cromossomo Y.

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Cada cromossomo traz um conjunto de genes e cada gene constitui uma sequência de DNA, sequências que funcionam como distintos manuais operacionais para o desenvolvimento do organismo.

As extremidades dos cromossomos são compostas por uma sequência genética cuja função se restringe a proteger as informações ali contidas, que alguns já compararam às pontas de plástico dos cadarços do tênis. Estes protetores são chamados de telômeros, e sofrem desgaste com o tempo.

Conhecemos alterações do Y que definem dificuldade de engravidar, como as microdeleções ou perdas de pequenos segmentos em uma região do código genético deste cromossomo, definida como fator para azoospermia (AZF).

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Esta região contém um gene ou um conjunto de genes necessários para produzir espermatozoides, e sua alteração pode tanto reduzir quanto zerar de vez a contagem de espermatozoides no homem.

+ Leia também: Infertilidade também é coisa de homem, mas tem solução

Mas não é apenas isto. O cromossomo Y é o menor dos cromossomos, e só recentemente foi analisado em detalhes por um consórcio de pesquisadores.

Seu sequenciamento completo foi publicado na revista Nature neste ano. Foi o último dos cromossomos onde se obteve esta informação, de telômero a telômero.

Estão resolvidos os problemas em relação à fertilidade masculina? Não, mas seguramente algumas lacunas importantes serão preenchidas.

* Maria do Carmo Borges de Souza, é diretora médica da FERTIPRAXIS Centro de Reprodução Humana e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) 

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