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Telemedicina também exige cuidados

Diretor da Associação Paulista de Medicina analisa o crescimento das consultas a distância com a pandemia e os cuidados bem-vindos à modalidade

Por Dr. Florisval Meinão, médico* - Atualizado em 15 jul 2020, 10h13 - Publicado em 14 jul 2020, 08h26

Restrita até recentemente pelas limitações inerentes à sua própria natureza, a telemedicina está se popularizando durante o distanciamento social resultante da pandemia do coronavírus. E, ao que tudo indica, deve continuar como um importante braço auxiliar da medicina presencial, mesmo depois que a Covid-19 estiver controlada.

A modalidade do atendimento a distância ganhou impulso devido à conjunção de dois fatores. Em primeiro lugar, um aumento da demanda pelos próprios pacientes de consultas online em resposta às restrições de locomoção e ao receio da contaminação. Além disso, muitas pessoas tiveram queda na renda familiar e foram obrigadas a interromper o pagamento de planos de saúde, recorrendo, então, a médicos particulares diante de alguma necessidade. O caso é comum na classe média.

O segundo fator é o aumento da oferta dos serviços médicos prestados remotamente, que também é decorrência natural do primeiro. Muitos médicos suspenderam temporariamente o atendimento em suas clínicas, em parte devido à retração da procura e em parte porque eles próprios podem pensar em minimizar eventuais riscos do contato humano. Dessa maneira, estão mais abertos e disponíveis às teleconsultas.

Esse ambiente favorável ao atendimento remoto é fomentado pela mudança na legislação. Até pouco tempo atrás vetada por lei, a telemedicina foi autorizada pelo Ministério da Saúde e endossada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

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Sabemos que essa modalidade é perfeitamente apta a abordar determinadas situações. Mesmo a distância, um médico pode, por exemplo, conferir o resultado de um exame de sangue, verificar uma radiografia e até mesmo realizar um eletrocardiograma, desde que, do outro lado da tela, tenha alguém capacitado para colocar os eletrodos no paciente.

Alguns diagnósticos, no entanto, dependem de um exame clínico, impossível de ser feito só com a ajuda da tecnologia. Nos países desenvolvidos, onde a tendência à telemedicina está estabelecida, cabe ao médico a palavra final sobre a validade do diagnóstico. Se não tiver os elementos suficientes para chegar a uma conclusão, ele ou ela sugere uma consulta presencial.

A opção cada vez maior pela telemedicina tem resultado no surgimento de muitas plataformas na mídia eletrônica que se propõem a fazer a conexão entre médico e paciente. É um mercado que ainda está engatinhando e que precisa ser devidamente regulado. A maior preocupação da Associação Paulista de Medicina (APM) é com relação aos aspectos éticos desse nicho que vem sendo explorado por várias empresas.

As plataformas devem ser absolutamente seguras, de modo a que se preservem a privacidade do paciente, o sigilo profissional e as prescrições via digital dentro dos moldes preconizados pelo CFM. Além disso, os médicos associados devem seguir critérios rigorosos em suas apresentações. Podem informar suas qualificações, mas não devem fazer publicidade paga nos sites para ter destaque maior do que os colegas.

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É por isso que a APM considera que está prestando um serviço de utilidade pública quando, em breve, endossar um serviço de telemedicina que atenda a essas exigências. Afinal, essa é uma tendência que parece irreversível.

* Dr. Florisval Meinão é médico e diretor-administrativo da Associação Paulista de Medicina (APM)

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