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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

O que é erisipela? E por que é importante tratá-la direito?

Especialista conta o que é a condição, que afetou famosos como a dançarina Sheila Mello, e os cuidados para controlá-la

Por Dr. Henrique Jorge Guedes Neto, cirurgião-vascular* - Atualizado em 29 Oct 2019, 12h42 - Publicado em 17 Jun 2019, 12h05

A erisipela é uma infecção causada por uma bactéria, chamada estreptococo, na região da pele. Ela atinge, na verdade, os vasos linfáticos do tecido gorduroso logo abaixo da camada cutânea. O micro-organismo se aproveita de portas de entrada, como ferimentos que não receberam os devidos cuidados de higiene. Isso pode acontecer, por exemplo, diante de micoses entre os dedos, conhecidas como frieiras, e em lesões ocorridas após a retirada da cutícula quando se vai à pedicure.

A erisipela ficou em evidência recentemente porque algumas pessoas conhecidas do grande público foram internadas para tratá-la. Apesar de não termos uma estimativa precisa do número de casos no Brasil, sabemos, por dados de países desenvolvidos como os Estados Unidos, que a condição é muito comum.

A infecção pode ser identificada quando há o aparecimento de íngua, que é o aumento dos linfonodos (chamados antigamente de gânglios linfáticos), e dor na região da virilha — caso o machucado esteja nos pés, na região das axilas ou nas mãos. Outros sintomas que acompanham o quadro são calor local, febre alta acima de 38,5 graus, mal-estar geral com dor nos músculos e vômitos.

Geralmente, o tratamento da erisipela é feito com antibiótico via oral por dez dias e limpeza local do ferimento. Entretanto, nos quadros mais graves, a internação hospitalar pode ser necessária para a administração de uma combinação de antibióticos na veia. Esse procedimento também contribui para melhorar as condições gerais do paciente.

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As situações mais sérias tendem a ocorrer em pessoas com baixa imunidade, caso de idosos, diabéticos fora de controle e indivíduos em tratamento de quimioterapia. Nas formas graves, além do quadro habitual, a erisipela pode se apresentar com bolhas e manchas escurecidas na pele.

E as receitas caseiras?

Uma orientação se faz necessária: cuidado com receitas caseiras para tratar o problema encontradas na internet! Por se tratar de uma infecção bacteriana, quando o local não é tratado por um médico, pode levar a um quadro marcado por inchaço chamado de linfedema ou espalhar-se pelo corpo, gerando uma infecção generalizada.

A crença popular diz que as pessoas com erisipela se beneficiariam com o “benzimento” da perna ou do braço afetados pelo problema. Quem sou eu para dizer algo em contrário, mas aconselho que, ao perceber os sintomas da infecção, procure um profissional de saúde para diagnóstico, orientação e tratamento corretos.

* Dr. Henrique Jorge Guedes Neto é médico e membro do Departamento de Doenças Linfáticas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular

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