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Check-up com Sidney Klajner O cirurgião e presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein levanta e debate as tendências e os desafios que interferem em nosso dia a dia e na saúde pública do país

A cirurgia do futuro já é presente

Nosso colunista explica as tecnologias que estão revolucionando o universo da cirurgia – ganha o médico, ganha o paciente

Por Sidney Klajner Atualizado em 14 set 2021, 10h34 - Publicado em 13 set 2021, 16h22

Sempre me encantou a série Jornada nas Estrelas, especialmente quando o Dr. Leonard McCoy, o médico da nave Enterprise, usava aparelhos que descobriam na hora o diagnóstico do paciente e, com tratamentos quase nada invasivos, o curava.

A boa novidade é que muita coisa que era só ficção hoje já ganha contornos de realidade. Já existem salas de cirurgia em que um aparelho detecta exatamente onde estão os vasos sanguíneos do paciente – algo fundamental tanto para infundir medicamentos quanto para fazer tratamentos contra AVC (derrame) e infarto agudo do miocárdio (o famoso ataque cardíaco).

Também há um robô cujos movimentos extremamente suaves permitem uma precisão fabulosa na hora de manusear o interior de um ser humano, através de cortes muito pequenos. Comandando o robô está um Dr. McCoy da vida real – um cirurgião.

Ambientes como esses, que reúnem em um mesmo lugar diversas tecnologias para procedimentos robóticos ou laparoscópicos (aqueles que demandam pequeníssimas incisões), são realidade em instituições de ponta como o Hospital Israelita Albert Einstein.

Há ainda o que chamamos de biofotônica. Uma substância fluorescente ajuda a iluminar linfonodos, estruturas do sistema de defesa do corpo humano e que têm que ser removidas em vários tipos de câncer. A tecnologia facilita, e muito, o trabalho do cirurgião, reduzindo o risco de algum desses linfonodos ser deixado para trás.

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Nossa equipe também tem acesso a óculos de realidade virtual, que permitem que um cirurgião aprenda diretamente com outro mais experiente, e a distância. O aluno, aqui, consegue mergulhar junto na operação, e ganhar “horas de voo”, por assim dizer.

De maneira pioneira na América Latina, também já testamos um “coaching cirúrgico”, processo pelo qual um cirurgião tem seu desempenho avaliado por meio dos dados que são coletados em suas operações. Aí a inteligência artificial consegue apontar exatamente onde ele pode melhorar. Não é fantástico?

Esses poucos exemplos dão uma ideia de como as inovações tecnológicas na área médica e cirúrgica se multiplicam em ritmo alucinante. Acompanhá-las é um desafio. Separar o joio do trigo é outro. Daí a necessidade de termos criado uma área de inovação cirúrgica.

Um dos trabalhos mais importantes desse pessoal é identificar o que agrega valor e amplia a qualidade da assistência, o que pode ser adotado com segurança para o paciente, o que pode virar projeto de pesquisa para mais estudos e o que simplesmente deve ser descartado. É assim que fazemos o futuro da cirurgia se transformar em presente.

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