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Brasil tem 100 ingredientes ameaçados de extinção

Não pense que estamos falando só de alimentos desconhecidos. O pinhão e o queijo da Serra da Canastra, por exemplo, estão nessa lista

Por Thaís Manarini Atualizado em 16 set 2019, 09h01 - Publicado em 24 out 2016, 14h38

Entre aproximadamente 3 500 ingredientes ameaçados de extinção em diversos países, 100 são brasileiros. Alguns não gozam de muita fama, a exemplo de aluá e o buriti. Outros já são mais conhecidos, como pinhão, castanha de baru, goiabada cascão e queijo da Serra da Canastra. Quem organiza a lista, denominada Arca do Gosto, é a associação Slow Food, que defende o direito ao prazer da alimentação. Mas qualquer pessoa pode indicar produtos para fazer parte dessa relação. Basta preencher um formulário aqui:

Segundo Glenn Makuta, um dos líderes do movimento no Brasil, o principal fator para a perda desses ingredientes é o tipo de produção agrícola vigente. “Esse é um modelo de padronização massiva que gera quantidades gigantescas de pouquíssimos itens”, resume. Hoje, o mercado supervaloriza variedades como milho, soja e cítricos. Com isso, milhares de outras plantas são deixadas de lado. “E todos os saberes associados a elas são perdidos. Estamos falando de conhecimento sobre semeadura, colheita, armazenamento, processamento, preparo e conservação”, explica Makuta.

No caso da goiabada cascão, o perigo de desaparecimento está associado sobretudo ao abandono de técnicas artesanais que culminam nas célebres barras do doce. “Entendemos que a goiabada tradicional não é caracterizada apenas pelo produto final, mas por todo o processo envolvido na fabricação”, ensina Makuta.

O problema de deixar essa atividade sumir? De acordo com Makuta, a tendência é termos menos alimentos e com qualidade cada vez pior. Ele lembra que, hoje, a dieta já é menos diversificada do que há 200 anos. “Trigo, arroz e milho compõem a principal parte das calorias ingeridas atualmente. Perdemos o respeito pela sazonalidade, exigindo que a natureza nos forneça sempre os mesmos itens, o ano inteiro”, observa.

Para mudar esse cenário, o representante do movimento slow food diz que precisamos buscar uma relação mais harmoniosa com aquilo que consumimos, buscando entender, entre outras coisas, seu esquema de produção. Na hora de citar atitudes bacanas, ele sugere maneirar nos alimentos ultraprocessados, priorizar itens da estação, comer menos carne e exigir dados a respeito dos itens comercializados. “Uma vez informadas, as pessoas podem estabelecer outra relação com a comida de verdade”, diz.

Para ajudar nesse processo, a Aliança de Cozinheiros do Slow Food Brasil e a Coentro Comunica promoveram, até o dia 6 de novembro de 2016, a segunda edição do Festival Arca do Gosto em São Paulo. A ideia era permitir o contato com um ou mais produtos por meio de atividades como jantares, oficinas, cafés da manhã e piqueniques.

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