O que se sabe sobre a saúde de Michael Schumacher? Socorristas quebram silêncio
Socorristas e médicos revelam detalhes inéditos sobre o resgate e diagnóstico crítico de Michael Schumacher após 13 anos
O resgate do piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher, após o grave acidente de esqui em Méribel, na França, voltou aos holofotes após socorristas e médicos envolvidos no atendimento quebrarem o silêncio sobre o caso, depois de 13 anos.
As revelações, feitas ao jornal francês L’Équipe, ajudam a reconstruir os momentos críticos vividos pelo heptacampeão.
O que aconteceu
O piloto do helicóptero que participou do socorro, Yannick Dainese contou ao L’Équipe detalhes inéditos sobre os bastidores da operação que resgatou Schumacher, detalhando especialmente a forte comoção social em torno da ocorrência, bem como o assédio da imprensa.
Segundo ele, mesmo antes da decolagem, a equipe de socorristas já havia sido informada de que se tratava de um caso que teria grandes proporções (e que necessitava de sigilo e muita responsabilidade).
“Um dos socorristas pulou para dentro do helicóptero com o médico da equipe de emergência e me disse: ‘Estamos indo até Schumacher!’. Pensei que ele estivesse brincando, mas quando o comandante nos ordenou que removêssemos nossos microfones e câmeras GoPro e proibiu jornalistas de nos acompanharem, percebi que era verdade”, afirmou.
O piloto ainda relatou o clima de tensão durante o transporte do ex-atleta até o Hospital Universitário de Grenoble, onde ele foi atendido.
“Para mim, ele era apenas mais um esquiador gravemente ferido. Subconscientemente, claro, a pressão existia, porque, mesmo não sendo fã de Fórmula 1, eu sabia que ele era idolatrado como um deus. Ainda é impressionante ver uma celebridade como ele confinada em uma maca”, disse.
Qual foi o diagnóstico do piloto
Segundo o L’Équipe, Schumacher deu entrada no hospital com hipertensão intracraniana – aumento perigoso da pressão dentro do crânio – associada a lesões hemorrágicas bilaterais difusas, ou seja, sangramentos espalhados pelos dois lados do cérebro.
Além disso, ele também apresentava hematomas, contusões cerebrais e edema cerebral difuso, um inchaço generalizado no órgão.
Ainda de acordo com o jornal, o heptacampeão também sofreu uma fratura craniana com afundamento, quando um trauma forte empurra um fragmento do osso do crânio em direção ao cérebro.
Assim, ao chegar ao hospital, o piloto foi levado para a primeira cirurgia de emergência, que tinha o objetivo de aliviar a pressão no crânio.
O neurocirurgião Stephan Chabardes, um dos primeiros médicos a atender Schumacher, relembrou o momento em que percebeu a gravidade do caso.
“Quando me aproximei do paciente ainda vestido com seu traje de esqui, reconheci Michael Schumacher. Naquele momento, pensei: ‘Meu Deus, este dia vai ficar complicado’”, disse.
O médico contou, ainda, que a dimensão das lesões ficou ainda mais evidente após os exames realizados depois da cirurgia.
Diante das complicações, ele e a equipe optaram por colocar Schumacher em coma induzido e reduzir a sua temperatura corporal, estratégias utilizadas para proteger o cérebro e outros órgãos vitais.
Hospital cercado e esquema máximo de sigilo
A internação de Schumacher mobilizou uma operação inédita no hospital francês. Segundo os relatos, os prontuários passaram a ser guardados em um cofre, o ex-piloto foi registrado sob o pseudônimo “Jéremie Martin” e apenas 50 profissionais tinham autorização para participar diretamente dos seus cuidados.
A diretora do Hospital de Grenoble, Jacqueline Hubert, afirmou que a estrutura precisou lidar com, além do quadro clínico delicado do hentacampeão, a pressão mundial causada pelo caso.
“Eu tinha apenas uma vaga ideia de que Schumacher era piloto. Após uma ligação [para o filho], meu filho exclamou: ‘Mãe, ele é um deus vivo!’”, relembrou.
“Imediatamente entendi que seria extremamente difícil. O estacionamento estava lotado de caminhões de transmissão via satélite. Ninguém imaginava aquela multidão”, acrescentou.
Segundo ela, jornalistas chegaram a tentar entrar disfarçados na unidade hospitalar, enquanto fotógrafos utilizavam lentes de longo alcance para tentar registrar imagens do quarto.
Quando Schumacher saiu do coma
Após meses de internação e diversos procedimentos de emergência, Schumacher deixou o coma induzido em junho de 2014.
Na época, ele foi transferido do Hospital de Grenoble para Lausanne, na Suíça, antes de retornar para casa, onde permanece desde então sob cuidados médicos intensivos.
Ao longo de toda a recuperação, a esposa, Corinna Schumacher, acompanhou diariamente o marido. Os filhos Mick e Gina, além de familiares e amigos próximos, bem como o ex-chefe da Ferrari Jean Todt, também estiveram presentes durante o tratamento, relatam os médicos envolvidos.
Como Schumacher está hoje
As informações sobre o estado de saúde de Schumacher continuam extremamente restritas.
No entanto, no início deste ano, o jornal britânico Daily Mail divulgou algumas informações inéditas.
De acordo com a reportagem do veículo, o ex-piloto já consegue permanecer sentado há anos e pode ser levado para passear por propriedades da família na Suíça e em Maiorca, na Espanha.
Segundo o portal, o também ex-piloto Riccardo Patrese, que foi companheiro de Schumacher na Benetton em 1993, também fez algumas revelações.
Ele ainda afirmou que recebeu relatos positivos sobre a evolução do alemão. Mas ponderou que, mesmo para ele, ainda faltava clareza sobre o quadro do piloto hoje.
“Recebi essa notícia, por meio de um amigo, de que ele estava melhorando. Mas nunca o encontrei depois do acidente”, disse ao portal Hochgepokert. “Nunca fui lá, então são apenas boatos de que ele conseguia sentar, observar, olhar ao redor e fazer contato visual.”
Desde o acidente, a família mantém absoluto sigilo sobre a condição clínica do ex-piloto. A privacidade do alemão é tratada como prioridade máxima desde o episódio ocorrido nas montanhas de Méribel, em dezembro de 2013.





