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TOC: diagnóstico correto pode levar pelo menos quatro anos, diz pesquisa

Na lista das dez condições mais incapacitantes do mundo da OMS, o TOC também depende de detecção precoce para que o tratamento seja o melhor possível

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein* 29 jun 2022, 15h51

Talvez você conheça alguém que tenha costumes específicos e bem rígidos na hora de realizar tarefas do dia a dia, como estudar e arrumar a casa. Mas é preciso prestar atenção no quanto esses hábitos interferem na vida a ponto de afetar o bem-estar. Nesses casos, essas manias podem sinalizar o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), um distúrbio psiquiátrico marcado por crise de comportamentos repetitivos.

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo investigaram mais de 1 mil pacientes com TOC atendidos em oito centros especializados de todas as regiões do Brasil, e constataram que eles levaram pelo menos quatro anos para chegar ao diagnóstico correto e iniciar o tratamento.

Os cientistas verificaram o tempo entre o surgimento do desconforto causado pelo TOC e o início do tratamento específico. Também foram pesquisadas as características clínicas e sociodemográficas capazes de influenciar este desfecho. Os dados foram publicados no periódico científico Psychiatry Research.

+Leia também: Birra ou doença: os transtornos psiquiátricos na infância

Segundo o artigo, os pacientes mais velhos e os que estavam empregados em tempo integral demoravam ainda mais para receber tratamento específico. Os pesquisadores mostraram ainda que o comportamento familiar é um fator que atrasa o diagnóstico, já que existe uma tendência de os familiares se “adaptarem” ao comportamento do paciente para evitar que ele entre em contato com situações consideradas desagradáveis.

Por exemplo: os parentes tiram os sapatos antes de entrar em casa, executam os mesmos rituais de limpeza, retiram o lixo de casa porque sabem que o familiar que sente nojo excessivo ou que tem medo de contaminação, entre outros.

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Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui o TOC na lista das dez condições mais incapacitantes. Estima-se que 1% a 2% das pessoas no mundo serão diagnosticadas com TOC ao longo da vida. O transtorno geralmente começa a se manifestar no início da adolescência, entre 10 e 14 anos.

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O diagnóstico é clínico. Em geral, as pessoas com TOC têm comportamentos repetidos associados a simetria, organização, excesso de limpeza e medo de contaminação tão prejudiciais que afetam a rotina do paciente, o que inclusive atrapalha o convívio social.

Segundo Alfredo Maluf, coordenador da psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein, as compulsões são comportamentos repetitivos (lavar as mãos várias vezes, conferir se a porta está trancada, organizar os objetos numa determinada ordem) ou atos mentais (rezar ou contar silenciosamente). Nesses casos, apesar de as compulsões serem frequentemente realizadas para prevenir algum evento temido ou diminuir o desconforto, nem sempre têm conexão real com o que tentam neutralizar.

“Há pessoas que chegam a fazer feridas de tanto que lavam as mãos usando produtos de limpeza cada vez mais potentes”, exemplifica Maluf. “O que faz o diagnóstico do TOC são obsessões, pensamentos, imagens e sensações que dominam a mente de forma intrusiva”, completa.

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Ele acrescenta que, quando desenvolve os sinais de TOC, a pessoa costuma ter outras doenças psiquiátricas associadas, como depressão e ansiedade.

Segundo Maluf, não é possível falar em cura nos transtornos psiquiátricos – os especialistas falam em remissão dos sintomas. No caso do TOC, o tratamento é feito com terapia comportamental e medicamentos.

Cerca de 40% dos pacientes tratados adequadamente têm remissão total. “Quanto mais tempo demora o diagnóstico, mais difícil será a remissão total”, alerta o psiquiatra.

*Este conteúdo foi produzido pela Agência Einstein.

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