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Quem és tu, depressão? Uma nova biografia

Em livro recém-lançado, psicanalista Christian Dunker traça perfil histórico e crítico da condição batizada de o mal deste século

Por Diogo Sponchiato 24 mar 2021, 09h20

A depressão tem suas raízes na melancolia e na tristeza descritas pelos antigos e, sob a mira dos psicólogos e psiquiatras, se transformou num dos transtornos mais prevalentes e populares do planeta.

Em Uma Biografia da Depressão (Editora Planeta – clique para comprar), o professor Christian Dunker vasculha os antecedentes familiares da condição, seu crescente protagonismo na saúde mental, a medicalização da vida e a normalização do problema em tempos de redes sociais e felicidade obrigatória.

É um percurso crítico, que mescla diversas disciplinas (psicologia, biologia, sociologia, economia…) e questiona, por exemplo, até que ponto confundimos sentimentos com distúrbios — às vezes menosprezados, às vezes hipervalorizados e medicados além da conta.

Dunker bota a depressão no divã para entrevistá-la e a analisa também dentro do contexto brasileiro, num cenário em que o personagem Brás Cubas, de Machado de Assis, tem muito a nos dizer.

foto da capa do livro

Uma Biografia da Depressão
Autor: Christian Dunker
Editora: Planeta (Selo Paidós)
Páginas: 240

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Deprê no tempo

Alguns marcos da história do transtorno pelas lentes do autor.

Antecedente: as origens remontam à “melancolia”, descrita por Hipócrates, e à “acídia”, termo usado nos mosteiros medievais para se referir a apatia e perda de fé.

Nascimento: a expressão “depressão” surge em meados do século 19 e integra o desenvolvimento da psicopatologia, que avança com a psicanálise e a psiquiatria.

Medicalização: Dunker fala no rapto do transtorno pela psiquiatria ao longo do século 20, fenômeno que se expande com a criação e prescrição dos antidepressivos.

Biologia: ao mesmo tempo que a neurociência descobre as “marcas” da depressão no cérebro, médicos ampliam a lista dos tipos da doença.

Impasse: vivemos um boom de depressão, horizonte para o qual não existem soluções únicas e simples. O autor reforça a importância da escuta nesse contexto.

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