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Vírus da febre amarela é detectado na urina e no sêmen

O vírus foi diagnosticado quase um mês após a infecção no xixi e no sêmen. Ganhamos um exame confiável, mas será que achamos mais uma forma de transmissão?

Internado no começo de 2017 com febre amarela em São Paulo, um senhor de 65 anos foi avaliado por pesquisadores brasileiros de várias instituições. E, mesmo depois que os sintomas sumiram, eles conseguiram flagrar o vírus em amostras de xixi e sêmen quase um mês após a infecção.

“É um achado interessante, que inclusive serviu para que hospitais passassem a usar exames de urina para descobrir se a pessoa teve febre amarela”, relata o virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, um dos centros envolvidos na pesquisa. O Instituto Butantan (SP), a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e o Instituto de Infectologia Emilio Ribas (SP) também estiverem envolvidos.

Entre as vantagens do método está o fato de que ele é fácil de ser colhido e, pelo visto, é capaz de acusar a doença mesmo quando testes de sangue apontam resultados negativos ou inconclusivos. Com isso, fica mais fácil notar a evolução da febre amarela em determinado local e até mesmo tratá-la diante de um diagnóstico mais certeiro.

Agora é esperar para ver dados com mais voluntários e definir a real eficácia desse tipo de exame e seu potencial na contenção de surtos e no tratamento.

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Essa pergunta infelizmente não pode ser respondida categoricamente pelo estudo em questão. Mas calma: não há evidências de que isso ocorra.
“Para causar problemas, o vírus precisa chegar à corrente sanguínea, o que acontece quando o mosquito nos pica”, explica Zanotto. “Já quando entramos em contato com xixi, não há esse contato direto com os vasos sanguíneos”, arremata. Acima disso, a presença do vírus na urina não quer dizer que, ali, ele tem potencial de transmissão.

E no sêmen? Devemos nos lembrar que foi confirmado que o zika é capaz de se instalar no corpo de alguém após o sexo, desde que o parceiro esteja infectado – embora isso não seja comum.

Quanto à febre amarela, não dá pra descartar a hipótese. Mas o fato é: se isso ocorresse com frequência, muito provavelmente os surtos teriam se espalhado com maior facilidade pelo planeta. Portanto, o grande responsável pela disseminação da febre amarela é o mosquito – para se prevenir, fique de olho nele e se vacine, quando necessário.

“De qualquer forma, estamos fazendo outros experimentos nesse sentido. No momento, nem sabemos se o vírus chegou ao sêmen só pelo fato de estar na urina”, diz Zanotto.

O estudo, baseado em apenas um homem, demanda cautela adicional no sentido de tomarmos conclusões precipitadas ou exageradas. “O resumo é que precisamos avançar no assunto. E ver, por exemplo, se o vírus da febre amarela consegue infectar a parede do útero, a mucosa da vagina e por aí vai”, nota o especialista.

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