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Uma cirurgia menos radical contra o câncer de colo de útero

Mulheres com esse tipo de tumor podem se beneficiar de uma intervenção que preserva mais seu corpo sem diminuir as chances sucesso

A cirurgia mais comum para tratar o câncer de colo de útero se chama histerectomia radical. Ela consiste na retirada do útero e de seu colo, da parte superior da vagina, dos linfonodos e do paramétrio, membrana que liga o útero à bacia. A justificativa para remover tantos tecidos é a de diminuir o risco de uma parte escondida do tumor seguir no corpo. Mas, de acordo com um novo estudo do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, o procedimento não seria necessário para todas as pacientes.

Os pesquisadores afirmam que, em alguns casos, a remoção do paramétrio não confere proteção extra, mas origina transtornos. “O ureter, que conecta os rins à bexiga, passa por ali e precisa ser separado para remoção do tecido”, explica Glauco Baiocchi Neto, cirurgião oncologista e um dos autores da avaliação, em comunicado. “A área também contém nervos que vão para a bexiga e o reto. Ao danificá-los, pode haver retenção de urina ou urgência para urinar, além de perda de lubrificação vaginal e alterações no funcionamento do intestino”, conta.

 

 

Com isso em mente, os experts analisaram 340 voluntárias submetidas à tradicional histerectomia radical — todas operadas entre 1990 e 2016. A meta era checar, por meio de exames e da história clínica de cada uma, as situações em que uma cirurgia menos drástica, que preserva o tal paramétrio, seria igualmente segura.

Resultado: mulheres com tumores de até dois centímetros, sem comprometimento dos gânglios linfáticos e sem invasão vascular linfática (quando as células malignas acessam a corrente sanguínea) têm risco praticamente zero de danos no paramétrio provocados pela doença. Cerca de 30% das pacientes investigadas cumpriam esses parâmetros.

As evidências encontradas precisam de reforços, mas apontam um caminho menos agressivo ao sexo feminino. É bem possível que, no médio prazo, cirurgiões oncológicos tendam a preservar mais o corpo feminino atingido por um câncer de colo de útero — como já ocorre com o de mama em vários cenários. “Acredito que é apenas uma questão de tempo para que se tenha um novo paradigma no tratamento cirúrgico do tumor de colo de útero em estágios iniciais”, conclui Neto.

 

 

 

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