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Simuladores mostram efeitos reais da cirurgia de catarata

Cientistas testam, com sucesso, a precisão de aparelhos que retratam como a cirurgia para catarata vai melhorar a visão (e quais os efeitos colaterais)

Por Maria Tereza Santos 22 fev 2019, 15h34

Cientistas do Conselho Nacional de Pesquisa Espanhol (CSIC) testaram aparelhos que simulam, para cada paciente, o resultado final da cirurgia de catarata – uma doença que deixa a vista embaçada devido à perda de transparência da nossa lente natural (o cristalino). E os resultados, animadores, foram publicados no periódico Scientific Reports.

Esses dispositivos recorrem a várias lentes, espelhos, moduladores de luzes e outros recursos da física para retratar como o procedimento pode afetar a visão, para o bem e para o mal. O usuário basicamente coloca o simulador na cabeça e começa a olhar ao redor.

A questão: até agora, nenhum trabalho havia checado se essa tecnologia reproduz com fidelidade como ficará a visão depois da operação. “O conceito é extremamente complexo. É um grande trabalho”, opina o oftalmologista Wallace Chamon, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Após testes em um grupo de voluntários, os pesquisadores do CSIC validaram com sucesso o realismo dos simuladores. É uma força e tanto para que eles sejam lançados no mercado.

“A possibilidade de o paciente experimentar a nova visão antes da cirurgia é bastante atrativa para reduzir a incerteza e manejar expectativas”, afirma, em comunicado à imprensa, a física Susana Marco, do Instituto de Óptica, na Espanha.

Como o simulador vai ajudar os portadores de catarata

Para entender a grande vantagem desses aparelhos, é necessário antes entender mais sobre a cirurgia, o único tratamento curativo contra a catarata, que afeta principalmente os mais velhos.

Wallace Chamon explica que, no procedimento, o cristalino leitoso e danificado da pessoa é retirado e substituído por uma lente multifocal artificial de material acrílico. Por meio da biometria ocular, um exame que calcula diferentes medidas no globo ocular, o oftalmologista decide qual tipo de lente artificial deverá ser empregada.

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“Essa lente também é capaz de corrigir erros como miopia, hipermetropia e astigmatismo. A necessidade de usar óculos deixa de existir em 90% dos casos”, aponta o especialista.

Apesar dessa vantagem, Chamon informa que certos indivíduos sentem efeitos colaterais, como ficar com a vista ofuscada ou com menos contraste e enxergar raios de luz parecidos com os do farol de carros.

“Essas alterações são mínimas e bem toleradas. O olho se adapta na enorme maioria das vezes e, depois de seis meses do procedimento, não há mais queixas”, acrescenta.

  • No entanto, uns poucos pacientes acabam querendo trocar a lente por não suportarem as reações adversas. Então, o oftalmologista decide com ele se apostará em outra lente multifocal ou numa versão diferente.

    “Esse processo é difícil, porque não consigo descrever como ficará a visão da pessoa”, admite o oftalmologista. Embora o simulador possa ajudar em qualquer fase, mostrando os benefícios e as limitações da cirurgia, é aqui que ele ganha valor especial.

    Ora, o aparelho simula os efeitos que podem aparecer na visão com cada tipo de lente artificial. Dessa maneira, ajuda na escolha, diminuindo o risco de insatisfação no pós-operatório.

    “É um avanço. O trabalho foi feito por um grupo do mais alto gabarito, divulgado de maneira cientificamente séria e foi consequência de uma pesquisa longa. A equipe tem uma credibilidade muito grande e os resultados apresentados são consistentes”, conclui Chamon.

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