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Risco de surto: sarampo é altamente transmissível e não tem tratamento

Aumento no número de casos da doença preocupa a Organização Mundial da Saúde, que emitiu um alerta sobre o assunto. A prevenção depende de vacina

Por Fabiana Schiavon 29 nov 2021, 19h12

Um alerta global foi divulgado recentemente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o risco de um surto de sarampo. Um dos motivos é que a pandemia do coronavírus dificultou a vacinação de crianças menores. Segundo a entidade, no ano passado mais de 22 milhões dos pequenos perderam a primeira dose da vacina três milhões a mais que em 2019.

A OMS detectou surtos locais e entende que provavelmente ocorreram mais mortes por causa da doença do que se sabe, já que os diagnósticos podem ter sido prejudicados pelos quadros de Covid-19.

Vale lembrar que o Brasil já vinha apresentando casos de sarampo antes do período de isolamento devido à pandemia. A doença gera muita preocupação porque é altamente transmissível e não tem tratamento.

Em 2016, o quadro chegou a ser erradicado por aqui – ganhamos até um certificado da OMS por esse feito. Mas a comemoração durou pouco. Em dois anos, o sarampo voltou.

Até março deste ano, o Brasil já tinha quase 10 mil casos, sendo que a doença pegou pessoas de diferentes faixas etárias. Em 2020, foram registrados dez óbitos, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

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“Todos os alertas e relatos de surtos servem para chamar a atenção da população”, avalia Lessandra Michelin, infectologista e gerente médica de vacinas da farmacêutica GSK. “Neste ano, o número de casos já está preocupante, e temos uma população suscetível de crianças que nasceram durante a pandemia e de adolescentes que foram negligenciados”, completa a médica.

A meta de vacinação contra o sarampo é de 95% no Brasil, contudo, ela não é atingida desde 2016. Inclusive, só vem caindo. Em 2020, a cobertura vacinal chegou a apenas 70% na primeira dose e 55% na segunda.

“O movimento antivacina somado ao fato de que as pessoas tendem a parar de se importar com doenças com as quais não convivem mais, colaboraram para esse tipo de situação”, interpreta a médica. Mas é preciso entender: sem vacinação em massa, um vírus volta a ganhar força.

A transmissão

O sarampo é uma doença viral altamente transmissível. “O contágio ocorre entre pessoas por meio de grandes gotículas respiratórias e por aerossol [partículas menores] em locais fechados. Um indivíduo pode ser infectado duas horas depois que alguém doente deixou a área”, descreve a médica Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Rio de Janeiro.

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Para ter ideia, um único sujeito com sarampo é capaz de infectar de 15 a 18 pessoas.

A especialista conta que não há episódios de pacientes assintomáticos, como ocorre com a Covid-19, e o vírus do sarampo pode ser transmitido quatro dias antes ou depois de surgirem os primeiros sintomas.

As manifestações mais comuns são erupções na pele, febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso.

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Complicações e tratamento

Aproximadamente 30% dos casos podem apresentar uma ou mais complicações, como diarreia, otite média, pneumonia, encefalite (inflamação no cérebro), panencefalite esclerosante subaguda (que atinge o sistema nervoso). Esses problemas são mais comuns entre crianças menores de cinco anos e adultos. Além de a doença aumentar o risco de morte, pode deixar sequelas graves.

O sarampo em si não conta com um tratamento específico. Medicamentos são indicados com o intuito de amenizar o desconforto decorrente dos sintomas e algumas das complicações.

Vacinação de adultos e crianças

Todas as crianças devem tomar a primeira dose da tríplice viral (vacina que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) com 12 meses, enquanto a segunda dose ocorre entre os 15 e 24 meses de idade.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) recomenda que crianças mais velhas, adolescentes e adultos que nunca foram vacinados recebam as duas doses. Quem não lembra se tomou deve tomar as duas injeções com um intervalo de um a dois meses.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a imunização a adultos com até 29 anos (duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias) e para quem tem entre 30 e 59 anos – neste caso, apenas uma dose.

Em relação aos idosos, é um pouco mais complicado. Entende-se que quem nasceu antes de 1960 não precisa se vacinar. De qualquer forma, a recomendação é que os mais velhos sempre busquem um especialista para avaliar a necessidade da imunização.

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