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O método que alia ioga e medicina para evitar males antes e após o parto

A criadora do Método de Gasquet explica de onde teve essa ideia e como a técnica evitaria incontinência urinária e outras chateações típicas da gravidez

Por Da Redação Atualizado em 18 jun 2019, 16h36 - Publicado em 29 nov 2018, 15h29

A francesa Bernadette de Gasquet desenvolveu um interesse especial pelo momento do parto. Ou melhor, por como tornar essa fase tão importante na vida da mulher mais confortável e natural. Valendo-se de ensinamento e da ioga – ela é professora dessa prática desde a década de 1970 – e de sua formação médica, a especialista criou um conjunto de exercícios que, entre outras coisas, visa diminuir complicações do parto, como incontinência urinária e o prolapso genital (a popular bexiga caída). Esse é o Método de Gasquet.

Eis que Bernadette esteve no Brasil para participar do 1º Congresso Brasileiro do Método Abdominal Hipopressivo, a convite da Voll Pilates Group. E concedeu uma entrevista:

De onde veio a ideia e os princípios de incluir conceitos de ioga e ginástica na ginecologia e na obstetrícia?

Sou professora de ioga desde a década de 1970 e, durante meus três partos, entendi que o reflexo normal do corpo da mulher dispensa empurrões ou pressões. O corpo da mulher faz esse movimento, mãe e bebê se movimentam na hora do parto.

Então foi na prática que compreendi que os partos poderiam ser aprimorados, facilitando o movimento natural do corpo da mulher. Eu sou professora de ioga, vivenciei a transformação do corpo durante as gestações, nos partos e pós-partos. Mas, para melhor compreender o funcionamento do corpo humano, resolvi estudar Medicina aos 38 anos.

Na França, a graduação dura oito anos. Quis estudar todas as alterações do corpo feminino na gestação, parto e pós parto, para compreender o que acontece internamente no corpo da mulher grávida. A maioria das pesquisas que fiz foi na área da ginecologia e obstetrícia.

Não queria ser obstetra, mas sim ter o conhecimento médico da fisiologia do parto e multiplicar os conhecimentos da ioga aliados à medicina entre os médicos, pacientes e profissionais da área. Daí vem o Método de Gasquet.

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Se fosse possível resumir, como a senhora definiria o Método de Gasquet e suas vantagens?

O pior após o parto é quando os órgãos descem [é o prolapso genital]. Os órgãos são sustentados por ligamentos que não se recuperam por meio de exercícios. Isso é muito frequente.

A causa da incontinência urinária e da queda dos órgãos é interna, não dá para ver. A mulher pode ter um abdominal esteticamente perfeito e sofrer de incontinência urinária. Inclusive, geralmente quem sofre de incontinência urinária tem um abdominal muito forte ou adota uma má postura ao se sentar seguidas horas. E, nos dois casos, os órgãos tendem a cair.

A principal vantagem para as mulheres que procuram meu método é justamente fortalecer, de forma saudável, a pelve, que é a parte do corpo que sustenta esses órgãos. Com isso, evitamos os prolapsos, que podem ocasionar muitos problemas, afetar o prazer sexual, provocar dores nas costas.

O Método de Gasquet tem essa contribuição de colocar tudo no lugar. Ele dá espaço para os órgãos funcionarem corretamente, lutando contra a gravidade. Resumindo, melhora a postura e a respiração, previne prolapsos e dores nas costas e aumenta o prazer sexual. Quando você tem uma boa postura e respira bem, tudo vai bem no seu corpo.

É a postura que vai determinar a respiração. E, no parto, é a respiração vai determinar o empurre que se dá, às vezes, na barriga e no períneo. A respiração funciona para crescer e alongar, não para pressionar.

Há evidências científicas dos benefícios desse método especificamente?

Não. Mas minha tese de doutorado em Medicina mostra que a única forma de proteger o corpo da incontinência urinária é o reflexo expulsivo, que faz o bebê descer e todos os órgãos subirem. Há pesquisas de exames de imagem que mostram que, durante o parto, o corpo da mulher faz um movimento com a pelve que promove o encaixe do bebê e a expulsão no parto.

Há também pesquisas sobre diástase, baseados em estudos de ultrassonografias. Falta uma pesquisa conduzida por um professor universitário para comprovar a eficácia do meu método, mas acho muito difícil de ser feita.

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