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Mamografia não causa câncer de tireoide

Há um vídeo nas mídias sociais no qual se atribui o aumento de casos de câncer de tireoide às mamografias. Explicamos por que você deve ignorar essa balela

Circulou pelas redes sociais um vídeo de uma mulher acusando a mamografia, um exame fundamental para detectar o câncer de mama, de aumentar o risco de sofrer com um tumor de tireoide. Ou melhor, ela alega que Drauzio Varella afirmou isso em “um programa”. Segundo o vídeo, o renomado médico brasileiro teria dito que as pessoas responsáveis por fazer esse raio-x das mamas intencionalmente não oferecem um protetor para a tireoide, o que deixaria a glândula desguarnecida e suscetível aos efeitos da radiação durante o teste. Tudo para economizar uns trocados.

Para começo de conversa, esse vídeo sequer é novo. Ele já é repassado de celular em celular há anos. Mais do que isso, não há qualquer referência no site de Drauzio Varella ao tema. Pelo contrário: ele defende a mamografia e nem toca na questão dos protetores de tireoide.

Esse rumor parece ter vindo dos Estados Unidos, onde um doutor chegou a apontar essa questão — e foi desmentido na sequência por diversas instituições. Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ruffo de Freitas Júnior gravou um rápido vídeo para acalmar as brasileiras que por ventura tiverem ficado com medo. Confira:

O protetor de tireoide nada mais é do que um colar largo de chumbo. E ele tem utilidade: pacientes que se submetem a exames rotineiros com uso de radiação direta no pescoço de fato se beneficiariam dele.

Contudo, no caso da mamografia isso não ocorre. Os raios emitidos pelo aparelho atingem sobretudo os seios — a dose que se espalha para outras regiões é considerada insignificante. Se você desejar usá-lo, tem direito a isso. Porém, não pense que sua ausência durante uma mamografia culminará em um câncer na tireoide. Não vai.

Agora, é inegável que houve um aumento no número de casos de câncer de tireoide. Para ter ideia, um levantamento australiano mostra que, nos últimos 25 anos, a quantidade de tumores flagrados nessa glândula subiu três vezes.

Acontece que, em grande parte, isso decorre da popularização do ultrassom de tireoide, um exame pedido a torto e a direito que serve para verificar alterações na região. Está aí um tema que Drauzio Varella se posicionou (veja aqui). De acordo com ele, há uma epidemia de ultrassons, o que não se reverteu em menor mortalidade.

Confira abaixo uma nota sobre o assunto divulgada pelo Colégio Brasileiro de Radiologia, pela Sociedade Brasileira de Mastologia e pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia:

Recentemente, surgiram na mídia matérias sugerindo uma relação entre mamografia e aumento da incidência de câncer de tireoide. Essas reportagens têm gerado dúvidas quanto à necessidade do uso de protetor de tireoide durante a realização da mamografia. Sobre esse assunto é importante reafirmar:

1)   Não existem dados consistentes que demonstrem que uma mulher submetida a mamografia tenha aumento do risco de câncer de tireoide.

2)   A dose de radiação para a tireoide durante uma mamografia é extremamente baixa (menor que 1% da dose recebida pela mama). Isto é equivalente a 30 minutos de exposição à radiação recebida a partir de fontes naturais.

3)   Com base nesses dados, o risco de indução de câncer de tireoide após uma mamografia é insignificante (menos de 1 caso a cada 17 milhões de mulheres que realizarem mamografia anual entre 40 e 80 anos);

4)  Além disso, o protetor de tireoide pode interferir no posicionamento da mama e gerar sobreposição – fatores que podem reduzir a qualidade da imagem, interferir no diagnóstico e levar à necessidade de repetições de exames.

5) Em nota, a Agência Internacional de Energia Atômica destaca: ”Na mamografia moderna, há uma exposição insignificante para outros locais que não seja a mama. O principal valor da utilização dos protetores de radiações é psicológico. Se tais protetores forem fornecidos, somente a pedido da paciente. O protetor não deve ser mantido em exposição na sala de exame. A presença dos aventais e colares na sala de mamografia pode sugerir que seu uso é uma prática aceitável, o que não é o caso.”

Portanto, o Colégio Brasileiro de Radiologia, a Sociedade Brasileira de Mastologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia reiteram a posição de NÃO RECOMENDAR O USO DO PROTETOR DE TIREOIDE EM EXAMES DE MAMOGRAFIA. Essa posição está de acordo com o posicionamento de outras entidades internacionais: American College of Radiology, American Society for Breast Disease, American Thyroid Association e International Atomic Energy Agency.

Comissão Nacional de Mamografia:

Colégio Brasileiro de Radiologia
Sociedade Brasileira de Mastologia
Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia

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