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Estudo: coronavírus não infecta o cérebro, mas causa danos no órgão

Pesquisadores não acham o Sars-CoV-2 em células cerebrais, mas notam que ele ainda assim provoca lesões que estariam por trás de sintomas neurológicos

Por Mariana Nakajuni, da Agência Einstein* 12 Maio 2021, 17h56

Os efeitos no cérebro causados pelo coronavírus têm intrigado a comunidade científica. Sequelas neurológicas como perda de memória recente e dificuldade de concentração são observadas e podem durar por meses após a infecção. E veja que curioso: um estudo publicado no periódico Brain indica que, o Sars-CoV-2 não ataca diretamente as células deste órgão, mas ainda assim consegue gerar uma bagunça na região.

A equipe de cientistas da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, realizou autópsias no cérebro de 41 pacientes que morreram por Covid-19.
Após longas investigações, os pesquisadores não encontraram evidências do Sars-CoV-2 nas células cerebrais. Baixos níveis do material genético do vírus até foram identificados por meio do exame RT-PCR, mas os pesquisadores acreditam que isso se deve à presença do agente infeccioso nos vasos sanguíneos e nas meninges, camadas que recobrem o cérebro. Não teria havido um contágio direto.

“Ao mesmo tempo, nós observamos muitas mudanças patológicas nos cérebros, o que explicaria por que pacientes graves podem sofrer de confusão, delírio e outros efeitos neurológicos”, revela James Goldman, um dos autores do artigo. Segundo ele, isso também explicaria por que alguns indivíduos com casos mais leves de Covid-19 apresentam uma condição chamada de brain fog por semanas ou até meses. Em resumo, eles ficam esquecidos e desatentos.

  • Mas, se o vírus em si não chega ao cérebro, o que explicaria essas lesões? De acordo com o estudo, existem duas razões principais. A primeira é a hipóxia, ou seja, a falta de oxigenação no órgão, o que o impede de realizar suas funções adequadamente.

    Entre as mais de 20 regiões cerebrais estudadas nas autópsias, muitas exibiam lesões típicas da falta de oxigênio. Parte delas era inclusive visível a olho nu. Havia também diversos danos microscópicos que os cientistas acreditam terem sido provocados por coágulos sanguíneos — comuns em pacientes graves de Covid-19 —, que podem interromper o fornecimento de oxigênio.

    Outra descoberta que intrigou os experts foi a ativação de uma grande quantidade de micróglias, células presentes no tecido cerebral com função de vigiar a entrada de agentes estranhos. A alta concentração foi registrada principalmente no tronco cerebral inferior (que regula os ritmos do coração e da respiração) e no hipocampo, uma das estruturas envolvidas no processamento da memória.

    *Este conteúdo foi produzido pela Agência Einstein

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