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Covid-19: por que é importante tomar a segunda dose da vacina

Ministério da Saúde informa que muitos brasileiros não voltaram para completar o esquema de imunização do coronavírus. Entenda o risco do abandono vacinal

Por Maria Tereza Santos Atualizado em 5 Maio 2021, 16h02 - Publicado em 15 abr 2021, 12h15

No dia 13 de abril de 2021, o Ministério da Saúde divulgou o número de pessoas que estão em atraso para tomar a segunda dose de uma das vacinas contra a Covid-19. No total, são 1 514 340 de brasileiros que não completaram o esquema recomendado de vacinação. Diante desse abandono alarmante, a comunidade médica e científica demonstrou preocupação.

O pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) explica que é importante buscar a segunda dose porque a eficácia prometida foi determinada a partir de estudos que os testaram fazendo duas aplicações.

Além de aumentar a proteção contra a Covid-19, a segunda dose ajuda a prolongá-la”, acrescenta Cunha. Portanto, sem a picada de reforço, você fica menos resguardado contra o coronavírus — e por menos tempo.

Por que algumas vacinas têm duas doses e outras, só uma?

Ao contrário dos imunizantes produzidos por Sinovac, AstraZeneca, Pfizer, Moderna e Gamaleya, o da Janssen é aplicado apenas uma vez. Essa última empresa considerou satisfatórios os resultados de pesquisas preliminares com uma dose da sua vacina e resolveu testá-la em larga escala com esse esquema.

“Já outros laboratórios optaram pelas duas doses porque, nas fases iniciais, a resposta clínica era melhor quando havia uma aplicação extra”, raciocina Cunha.

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A própria Janssen está conduzindo trabalhos para avaliar o potencial do seu produto, quando aplicado duas vezes. Os dados ainda não saíram.

  • A importância da segunda dose para o controle da pandemia

    Quem não completa o esquema vacinal está mais sujeito à infecção, em comparação com pessoas que recebem as duas doses. Até por isso, esse indivíduo não contribui tanto para o controle da circulação do Sars-CoV-2. Esse é um problema ainda maior em um cenário onde a maioria das pessoas segue sem acesso aos imunizantes.

    Como se não bastasse, a aplicação parcial pode favorecer versões mais resistentes do coronavírus. A lógica é a seguinte: uma suposta variante mais potente do vírus poderia não resistir em um corpo que recebeu duas doses, mas se proliferar em outro que só tomou uma. Se o abandono vacinal for considerável na população, ela poderia tomar conta do cenário e causar estragos extras.

    Entre os imunizantes disponíveis no Brasil, o intervalo entre as picadas deve ser de 14 a 28 dias para a Coronavac e de três meses para a da AstraZeneca. Se estiver atrasado, procure o local de vacinação quanto antes.

    Cunha acredita que, para controlar o abandono vacinal, o governo precisa investir em campanhas maciças de comunicação, focando na efetividade e na segurança dos produtos.

    “Temos imunizantes com esquemas diferentes, os movimentos antivacina e a desinformação. Tudo isso tem que ser trabalhado para melhorarmos esse aspecto”, finaliza o presidente da SBIm.

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