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Alta mortalidade de idosos por pneumonia serve de alerta para vacinação

Pessoas acima de 60 anos com comorbidades têm acesso à vacina pelo SUS, mas população têm pouca informação sobre a importância da imunização

Por Fabiana Schiavon 8 set 2021, 18h35

Vacina não é só coisa de criança. E ter isso em mente pode salvar a vida de adultos e idosos. Uma análise de dados disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aponta que ocorrem, em média, 272 mil casos de internações e mais de 71 mil mortes por ano de pessoas com mais de 60 anos por doenças pneumocócicas, causadas pela bactéria pneumococo.

Estão na lista meningite, artrite séptica, sinusite, otite média aguda, conjuntivite e bronquite – mas a que mais mata e provoca internações graves em idosos é a pneumonia.

“Falta conhecimento da população e também pouca cultura médica de indicar vacinas a adultos, e isso precisa mudar”, avalia Thais Moreira, uma das autoras do estudo e diretora médica regional para América Latina da MSD Brasil.

Por trás desses números, há ainda outras complicações. “O idoso pode até se curar após uma internação por pneumonia, mas ele sai com sequelas, como perda de massa muscular. Além disso, pode ter impacto na saúde do coração e ficar mais dependente de seus cuidadores”, explica Thais.

Quem tem 60 anos ou mais deve receber vacinas diferentes, em duas doses. A pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13) e a polissacarídica 23-valente (VPP23). Elas protegem respectivamente contra 13 e 23 tipos de pneumococos.

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Uma dificuldade que ainda existe é o fato de os postos de saúde do SUS aplicarem essas duas vacinas apenas em idosos que fazem parte de grupos prioritários. A VPP23 está disponível a pessoas com mais de 60 anos com comorbidades, como diabetes, problemas cardíacos, distúrbios renais, entre outras doenças crônicas.

Já a 13 é indicada a idosos imunodeprimidos, como portadores de HIV, transplantados e pacientes oncológicos. A indicação da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) é que as pessoas enquadradas nesse perfil procurem os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), que têm unidades espalhadas por todo o país.

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“As doses são mais importantes para quem tem comorbidades porque uma infecção por pneumococo pode causar complicações em relação à doença de base. Mas o ideal seria a aplicação dessas vacinas em todos os idosos”, comenta o médico Juarez Cunha, presidente da SBIm.

Os maiores de 60 anos que não possuem casos crônicos devem recorrer às clínicas privadas para conseguir a imunização. “São poucos os idosos que chegam a essa idade com a saúde intacta. Mas, se for o caso, cabe procurar a rede particular”, reforça Thais.

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Neste ano, porém, há uma oportunidade de ser imunizado de forma completa com mais facilidade. Houve uma baixa cobertura vacinal durante a pandemia e mais doses estão disponíveis.

Com isso, indivíduos com comorbidades e, portanto, recomendação de tomar a VPP23, poderão ter acesso também à VPC13. O ideal, inclusive, é começar por ela. “Mas, caso o idoso já tenha recebido a VPP23, precisará aguardar um ano para tomar a VPC13”, explica Cunha. O prazo seria até o fim de agosto, mas foi estendido para o fim de 2021.

Crianças vacinadas protegem os mais velhos

A partir de 2 meses e antes dos 6 anos é recomendada a vacinação rotineira com VPC10 ou VPC13. Criadas nos anos 2000, essas vacinas não foram recebidas por quem é idoso hoje.

A garantia da imunização infantil deveria ser facilitada pelo calendário oficial, que já contempla essas doses. Mas, mesmo fazendo parte do Plano Nacional de Imunizações (PNI), nem toda criança está devidamente protegida.

“A cobertura da VPC10 está muito baixa, em torno de 70%, quando deveria chegar a 95%”, conta Cunha. O perigo é que os mais novos podem ser infectados e permanecerem assintomáticos, levando a doença para os pais e avós. Daí porque a vacinação precisa ser encarada como uma atitude coletiva.

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