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Um mapeamento da incidência de malária gestacional no Brasil

Estudo aponta regiões com maior concentração de casos desse problema e quais as mulheres mais suscetíveis e ele e a suas complicações.

Por Thais Szegö, da Agência FAPESP* 20 jul 2022, 11h56

Um mapeamento inédito sobre a incidência de malária entre gestantes brasileiras foi divulgado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) na revista Lancet Regional Health – Americas.Os dados indicam que, embora a malária gestacional ainda represente um importante problema de saúde pública no país, houve redução de aproximadamente metade dos casos ao longo do período analisado (2004 a 2018).

Segundo os autores, isso se deve à ampliação da rede de diagnóstico e tratamento, bem como à inclusão, a partir de 2006, do fármaco artemisinina no esquema terapêutico.

Ainda de acordo com os pesquisadores, a redução só não foi maior possivelmente por causa da descentralização das ações públicas de combate à malária no país. Como os municípios têm autonomia para lidar com os casos, isso leva a perdas com a alternância de equipes vinculadas aos órgãos de saúde a cada nova eleição.

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“Embora existam vários estudos publicados sobre malária gestacional no país, nenhum deles apresentou um panorama geral da doença, porque foram realizados em sua maioria em locais ou regiões específicas”, diz à Agência FAPESP Cláudio Romero Farias Marinho, professor associado do Laboratório de Imunoparasitologia Experimental do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP), que coordenou o trabalho. “Foi por isso que nos propusemos a explorar os padrões da malária na gestação no Brasil, caracterizando de forma epidemiológica essa população”, completa.

Gestantes são um grupo de risco para malária

Como lembra o pesquisador, as grávidas constituem um dos principais grupos de risco para a malária – doença causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida pelo mosquito Anopheles. As gestantes infectadas correm mais risco de sofrer com anemia grave, parto prematuro, aborto e natimortalidade.

Já o feto pode apresentar microcefalia ou ter seu crescimento prejudicado no útero, com impactos que costumam se estender para além do período gestacional. “Estudos mostram que a infecção tem associação com problemas respiratórios na infância e faz com que a criança tenha maior propensão a infecções, além do risco maior de desenvolver na vida adulta doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial”, conta Marinho.

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Por essas razões, as gestantes foram o foco do levantamento conduzido pela pós-doutoranda do ICB-USP Jamille Dombrowski, bolsista da FAPESP, em parceria com pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP). O grupo analisou a série histórica da doença durante um período de 15 anos, envolvendo dados de 61 833 mulheres com malária gestacional no Brasil obtidos do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária) do Ministério da Saúde. Os resultados apontaram municípios nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Pará com alta incidência da enfermidade em gestantes.

O levantamento também possibilitou apontar o grupo de maior risco do quadro, que são as gestantes mais jovens, especialmente aquelas entre 15 e 24 anos. É nessa faixa etária que se encontra o maior número de primigestas (mulheres na primeira gestação). Nesses casos, a imunidade específica contra as formas do Plasmodium que se instalam na placenta é mais baixa, porque ela é adquirida após gestações sucessivas.

“Também é importante lembrar que na Região Norte do Brasil as gestantes primigestas são muito jovens”, explica Marinho.

O estudo revelou ainda indícios de que o esquema de tratamento dessas pacientes pode não estar sendo feito da maneira correta, pois foi notado um elevado percentual de notificação de primaquina. Trata-se de um medicamento contraindicado durante a gravidez, uma vez que pode provocar a destruição dos glóbulos vermelhos do sangue do feto, responsáveis pelo transporte do oxigênio, e consequentemente causar um aborto espontâneo.

+Leia também: Gestantes com quadros graves de Covid-19 podem transmitir doença ao bebê

Todas essas informações obtidas pela equipe coordenada pelo professor Marinho ajudam a nortear o Ministério da Saúde no estabelecimento de políticas públicas para o controle da malária e também para oferecer melhor assistência às gestantes nesses casos. Vai ser possível identificar as áreas que exigem maior vigilância ou intervenções adicionais, por exemplo.

*Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP.

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