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Bem-Estar

Em busca do sorriso perfeito

Dentes brancos, lábios carnudos, gengiva alinhada... Sim, dá para alcançar esses resultados na cadeira do dentista. Conheça as principais técnicas

Clareamento

O dente é composto de três camadas. O esmalte, a mais superficial de todas, é quase transparente. Logo abaixo dela vem a dentina, que define a cor do sorriso — por questões genéticas, alguns serão esbranquiçados, enquanto outros puxam mais para o amarelo mesmo. Além disso, hábitos como o consumo constante de café, chá e vinho tinto provocam um escurecimento gradual.

Quem deseja mudar a tonalidade pode apostar num clareamento dental — sempre com a orientação de um profissional, por favor. “Utilizamos uma substância chamada peróxido, que libera oxigênio e clareia a dentina”, explica a dentista Regina Juhás, superintendente de gestão de qualidade da Odontoprev.

Fuja das armadilhas

Pode: a decisão de fazer o clareamento é pessoal e está relacionada ao incômodo com dentes muito manchados.

Não pode: o método não é indicado em casos de forte sensibilidade dentária ou se há cáries não tratadas.

Os tipos

Em casa: o paciente aplica o peróxido de carbamida num molde de plástico e coloca sobre os dentes por três ou quatro horas durante alguns dias.

Na clínica: o dentista usa o peróxido de hidrogênio, três vezes mais potente que a versão caseira. Raios laser ativam o produto imediatamente.

Facetas e lentes de contato

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(Foto: Tara Moore/Getty Images)

Curiosamente, a ideia de remodelar com lâminas o formato dos dentes não surgiu na odontologia, mas em Hollywood. Durante os anos 1940, os estúdios de cinema recorriam a elas para deixar seus protagonistas mais bonitos.

“Desde a metade dos anos 1990, a tecnologia evolui e hoje realizamos todo o planejamento de maneira digital”, diz o dentista Marcelo Kyrillos, do Ateliê Oral, em São Paulo.

Para instalar as facetas, é necessário raspar e desgastar o esmalte e, depois, aplicar uma cola que une as duas superfícies. “Com as facetas, é preciso cuidado redobrado na limpeza diária dos dentes para não acumular sujeira”, orienta a dentista Vanessa Cavalli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Fuja das armadilhas

Pode: indicado para corrigir pequenas imperfeições na posição ou na coloração dos dentes localizados na frente da boca.

Não pode: quando a situação é um pouco mais complexa, melhor recorrer ao clareamento ou aos aparelhos ortodônticos.

Os tipos

Facetas: geralmente feitas de porcelana, elas são fabricadas sob medida para se encaixar direitinho no espaço disponível.

Lentes de contato: seguem o mesmo princípio. A diferença é que são bem fininhas — daí surgiu a comparação com as lentes de contato usadas nos olhos.

Troca de restauração

Quem já teve alguma cárie na vida se lembra do angustiante barulho do motorzinho limpando a cratera. Logo na sequência, vinha aquela massa que dava o acabamento e finalizava o serviço.

Antigamente, o único composto disponível para tapar esses buracos era o amálgama, uma liga metálica resistente e eficaz. A chateação: ela é escura e muita gente se incomoda com esses reparos cinza dentro da boca.

“Hoje em dia, as resinas compostas ficam muito próximas da cor original da dentição”, informa o dentista Camillo Anauate, do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp). Não à toa, elas praticamente dominaram o mercado… e as bocas por aí.

Fuja das armadilhas

Pode: dá pra trocar a restauração antiga de amálgama por uma de resina? Só se tiver uma infiltração ou uma fratura ali.

Não pode: os experts não costumam fazer essa substituição só por questões estéticas — apenas se há riscos para a dentição também.

Os tipos

Amálgama: presente nos consultórios há mais de 200 anos, é composta de prata e mercúrio. A mistura cria um metal megarrígido e duradouro.

Resina: mais jovem, ela caiu no gosto de profissionais e pacientes por não ficar perceptível e imitar a cor, a textura e o brilho dos dentes.

Limpeza

Vamos combinar: nenhuma casa fica bonita de verdade se não passar por uma boa faxina periódica, concorda? O mesmo raciocínio vale para nossa boca: é primordial repetir os cuidados com escova, pasta e fio dental ao acordar, ao dormir e após as refeições.

Porém, ao menos uma vez a cada seis meses, é importante investir numa limpeza profissional, que vai eliminar manchas, acabar com o tártaro acumulado e aplicar doses de flúor.

“É também uma oportunidade para examinar todos os tecidos, diagnosticar e tratar precocemente doenças como a cárie, a erosão e a gengivite”, chama a atenção a dentista Maristela Lobo, professora da pós-graduação em estética e implante do Senac São Paulo.

Fuja das armadilhas

Pode: todo mundo deve marcar consultas com o dentista a cada três ou seis meses, a depender do quadro.

Não pode: não existem proibições por aqui — a menos na rara situação de alergia a algum ingrediente da limpeza bucal.

Os tipos

Em casa: não dá pra se esquecer da escovação e do fio dental. Essa é a estratégia para manter o sorriso bonito e, principalmente, saudável.

Na clínica: feita de tempos em tempos, ela faz um polimento na superfície dental e dá um fim às placas bacterianas que estragam os dentes.

Veja mais: Periodontite em gestantes dobraria o risco de parto prematuro

Aparelhos ortodônticos

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(Foto: Tara Moore/Getty Images)

O sorriso metálico continua em alta entre crianças e adolescentes. “Minha neta colocou o aparelho há 15 dias e, em sua escola, a febre é colocar elásticos bem coloridos nos braquetes”, comenta o dentista Sigmar de Mello Rode, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José dos Campos.

Mais que um item da moda entre a moçada, os aparelhos ajudam a reposicionar a arcada dentária para, assim, garantir uma mordida mais eficiente. A boa notícia é que eles evoluíram e hoje há opções até para os adultos mais acanhados.

“Temos peças bem pequenas disponíveis e alinhadores transparentes, que não aparecem quando a pessoa abre a boca”, nota Rode. Vai do colorido ao invisível.

Fuja das armadilhas

Pode: os aparelhos modificam aos poucos a posição original de alguns dentes tortos, até que eles fiquem no local desejado.

Não pode: o ortodontista vai avaliar cada paciente e ver se o aparelho é o mais indicado mesmo. Às vezes, é melhor partir para as facetas.

Os tipos

Fixo: é o combo clássico dos fios metálicos com os braquetes. O profissional aperta de um lado e solta do outro para fazer as modificações.

Removível: constituído de metal e acrílico, ocupa o céu da boca. É mais barato e costuma servir para as questões mais simples.

Invisalign: os alinhadores invisíveis que recobrem os dentes são uma novidade na área. Eles são trocados a cada semana para surtir efeito.

Veja mais: A longa evolução dos aparelhos ortodônticos

Próteses e implantes

Apesar dos avanços na odontologia, ainda existem situações em que o dente não aguenta o tranco e cai (ou precisa ser arrancado). “É o que ocorre, por exemplo, em traumas, fraturas, tratamentos de canal malsucedidos e doenças periodontais, com grave inflamação da gengiva”, lista o dentista Atlas Nakamae, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP).

Mas só fica banguela quem quer: implantes e próteses modernos restauram o sorriso com perfeição. “Nos últimos anos, reduzimos consideravelmente o tempo de realização do procedimento, o que se traduz em benefícios para o paciente”, ressalta o dentista Frederico Marques, da clínica Made Me A, em São Paulo.

Fuja das armadilhas

Pode: sempre que o sujeito perder dentes, as próteses são uma saída eficaz e com ótimos resultados em longo prazo.

Não pode: a cirurgia de colocação dos implantes não é permitida em indivíduos que tomam remédio para osteoporose ou osteopenia.

Os tipos

Implantes: envolvem a instalação de um pino de titânio, que é integrado ao osso. A prótese de cerâmica vai colada em cima dessa estrutura.

Total removível: fica apoiada sobre a gengiva da parte de cima ou de baixo da arcada. É a popular dentadura. Pode ser retirada à noite.

Parcial removível: são as pontes, feitas quando o sujeito não possui um ou mais dentes. Também ficam presas nas gengivas.

Realinhamento da mandíbula

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(Foto: Tara Moore/Getty Images)

De nada adianta clarear ou corrigir a posição dos dentes se o alicerce do rosto estiver desajustado. Com o crescimento do corpo durante a adolescência, algumas pessoas desenvolvem mandíbulas ou maxilares proeminentes. Outros, na contramão, sofrem quando essas estruturas da face se desenvolvem menos que o esperado.

Em ambos os casos, ocorre um prejuízo estético. Mas o problema vai muito além disso: as condições chamadas bucomaxilares afetam funções como a respiração e a mastigação.

“Mas essas discrepâncias podem ser corrigidas com cirurgias”, conta o dentista Reinaldo Brito e Dias, da FOUSP. As operações vão encurtar ou alongar os ossos do rosto e costumam ter um ótimo resultado.

Fuja das armadilhas

Pode: o bisturi é eleito quando mandíbula ou maxilar estão muito deslocados e abalam a saúde e o bem-estar.

Não pode: em quadros menos graves e com nenhum dano, o melhor é acompanhar antes de partir para medidas invasivas.

Os tipos

Prognatismo: a mandíbula e o queixo estão muito para a frente. A arcada inferior também fica adiantada e os dentes não fecham direito.

Retrognatismo: é o contrário. A mandíbula está para trás. O indivíduo não morde os alimentos direito e tem problemas respiratórios.

Outros: disfunções na ATM, a articulação que conecta a mandíbula com o crânio, também podem exigir uma intervenção cirúrgica.

Plástica na gengiva

Nem sempre o problema reside nos dentes. A gengiva pode apresentar um formato ou tamanho inadequado, que merece algum tipo de ajuste. “Muitas vezes, durante o sorriso, o paciente se queixa de uma exposição exagerada desse tecido”, aponta o periodontista Renato Casarin, da Unicamp. É possível, então, remover o excesso com uma série de cortes bem planejados.

Mas tem também a situação diametralmente oposta: a retração gengival, que pode se acentuar com os anos. A falta dessa camada protetora na base dos dentes provoca sensibilidade a alimentos gelados, quentes ou doces. “A solução aqui é costurar enxertos retirados do palato, o céu da boca”, diz o especialista.

Fuja das armadilhas

Pode: tudo se inicia com o incômodo da pessoa em relação às dimensões da gengiva, seguido da avaliação de um profissional.

Não pode: a cirurgia será descartada como uma alternativa se o dentista não vir motivo para fazê-la ou se existir qualquer contraindicação.

Os tipos

Tira: quando a gengiva está espessa, recobre uma porção grande dos dentes ou marca demais o sorriso, a operação dá conta do recado.

Põe: a exposição da raiz dentária na retração é consequência de uma escovação muito vigorosa. Enxertos são a saída mais efetiva.

Botox

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(Foto: Tara Moore/Getty Images)

Fabricada pela bactéria Clostridium botulinum, a toxina botulínica tem a capacidade única de paralisar a atividade de alguns músculos. A substância, aplicada por meio de injeções, ganhou fama por alisar rugas e deixar a pele mais jovial.

Em decorrência da grande demanda, o procedimento é um dos alvos de uma enorme batalha judicial que coloca frente a frente os conselhos de medicina e de odontologia. Mas o Botox vai muito além de um rostinho bonito na TV, na revista ou no espelho: a substância tem suas aplicações terapêuticas.

“Podemos tratar, entre outras condições, desajustes na articulação da mandíbula e o bruxismo, marcado pelo ranger de dentes durante o período noturno”, cita Maristela Lobo, do Senac.

Fuja das armadilhas

Pode: o composto só deve ser injetado e reaplicado após algum tempo por um profissional de saúde com qualificação na área.

Não pode: cuidado com ofertas mirabolantes que rolam pela internet. Se mal usado, o Botox traz sérios efeitos colaterais.

Veja mais: A aplicação do botox pelo dentista: indicações, orientações e cuidados

Redução da bochecha

A busca incessante por um ideal de beleza fez uma cirurgia, a bichectomia, virar uma febre nos últimos anos, sobretudo entre mulheres mais jovens. “Trata-se de um procedimento feito dentro da boca, em que se remove parte da bola de Bichat, um tecido gorduroso localizado no interior da bochecha”, ensina o dentista Marcelo Januzzi, do Crosp.

Sem essa gordura, as maçãs do rosto ficam destacadas e ganham um sombreamento natural — conhecido nas redes sociais como “efeito blush”.

Segundo a última decisão da Justiça, a operação pode ser feita tanto por médicos como por dentistas, desde que tenham formação. Se você pensa em se submeter a ela, pesquise bem o currículo do especialista.

Fuja das armadilhas

Pode: a extração da gordura é uma boa para quem tem o rosto excessivamente redondo e bochechas saltadas.

Não pode: a bola de Bichat seca conforme envelhecemos. Quem faz a cirurgia cedo pode ficar com o rosto chupado anos mais tarde.

Veja mais: Bichectomia não é para todo mundo — e pode trazer complicações sérias

Preenchimento labial

Quando pensamos num sorriso bonito, não dá pra se esquecer dos lábios. Ora, são eles que dão o contorno e emolduram os dentes. Claro que a indústria já inventou uma série de medidas para deixá-los carnudos e atrativos.

“O mais comum é a injeção de ácido hialurônico, cujo efeito preenchedor dura de seis a 12 meses”, descreve a dentista Denise Arliane Camargo, da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Estão disponíveis outras substâncias com ação mais prolongada — algumas são permanentes, inclusive. Só que elas não são muito indicadas no dia a dia. Afinal, se a próxima moda for beiços finos, não vai ter como voltar atrás…

Fuja das armadilhas

Pode: a técnica dá volume e corrige o contorno labial causado pelo envelhecimento ou por doenças que atingem a face.

Não pode: está vetado para gestantes, indivíduos com doenças autoimunes, em tratamento de câncer ou de infecções.

Bola dividida

A primazia pelos procedimentos estéticos, como aplicação de Botox, foi parar nos tribunais. O Conselho Federal de Medicina defende que eles só devem ser feitos por médicos. Enquanto isso, o Conselho Federal de Odontologia entende que seus profissionais estão capacitados para o serviço. A batalha se iniciou em 2016 e continua: a cada momento, sai uma nova liminar modificando a decisão anterior. O assunto vai seguir pelas instâncias jurídicas, até o Supremo Tribunal Federal, o STF, bater o martelo.