Clique e assine VEJA SAÚDE por R$ 5,90/mês
Bem-Estar

Em busca do sorriso perfeito

Dentes brancos, lábios carnudos, gengiva alinhada... Sim, dá para alcançar esses resultados na cadeira do dentista. Conheça as principais técnicas

por André Biernath Atualizado em 20 set 2019, 10h41 - Publicado em
20 set 2019
10h03

Clareamento

O dente é composto de três camadas. O esmalte, a mais superficial de todas, é quase transparente. Logo abaixo dela vem a dentina, que define a cor do sorriso — por questões genéticas, alguns serão esbranquiçados, enquanto outros puxam mais para o amarelo mesmo. Além disso, hábitos como o consumo constante de café, chá e vinho tinto provocam um escurecimento gradual.

Quem deseja mudar a tonalidade pode apostar num clareamento dental — sempre com a orientação de um profissional, por favor. “Utilizamos uma substância chamada peróxido, que libera oxigênio e clareia a dentina”, explica a dentista Regina Juhás, superintendente de gestão de qualidade da Odontoprev.

Fuja das armadilhas

Pode: a decisão de fazer o clareamento é pessoal e está relacionada ao incômodo com dentes muito manchados.

Não pode: o método não é indicado em casos de forte sensibilidade dentária ou se há cáries não tratadas.

Os tipos

Em casa: o paciente aplica o peróxido de carbamida num molde de plástico e coloca sobre os dentes por três ou quatro horas durante alguns dias.

Na clínica: o dentista usa o peróxido de hidrogênio, três vezes mais potente que a versão caseira. Raios laser ativam o produto imediatamente.

Continua após a publicidade

Facetas e lentes de contato

-
Foto: Tara Moore/Getty Images

Curiosamente, a ideia de remodelar com lâminas o formato dos dentes não surgiu na odontologia, mas em Hollywood. Durante os anos 1940, os estúdios de cinema recorriam a elas para deixar seus protagonistas mais bonitos.

“Desde a metade dos anos 1990, a tecnologia evolui e hoje realizamos todo o planejamento de maneira digital”, diz o dentista Marcelo Kyrillos, do Ateliê Oral, em São Paulo.

Para instalar as facetas, é necessário raspar e desgastar o esmalte e, depois, aplicar uma cola que une as duas superfícies. “Com as facetas, é preciso cuidado redobrado na limpeza diária dos dentes para não acumular sujeira”, orienta a dentista Vanessa Cavalli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Fuja das armadilhas

Pode: indicado para corrigir pequenas imperfeições na posição ou na coloração dos dentes localizados na frente da boca.

Não pode: quando a situação é um pouco mais complexa, melhor recorrer ao clareamento ou aos aparelhos ortodônticos.

Os tipos

Facetas: geralmente feitas de porcelana, elas são fabricadas sob medida para se encaixar direitinho no espaço disponível.

Lentes de contato: seguem o mesmo princípio. A diferença é que são bem fininhas — daí surgiu a comparação com as lentes de contato usadas nos olhos.

Continua após a publicidade

Troca de restauração

Quem já teve alguma cárie na vida se lembra do angustiante barulho do motorzinho limpando a cratera. Logo na sequência, vinha aquela massa que dava o acabamento e finalizava o serviço.

Antigamente, o único composto disponível para tapar esses buracos era o amálgama, uma liga metálica resistente e eficaz. A chateação: ela é escura e muita gente se incomoda com esses reparos cinza dentro da boca.

“Hoje em dia, as resinas compostas ficam muito próximas da cor original da dentição”, informa o dentista Camillo Anauate, do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp). Não à toa, elas praticamente dominaram o mercado… e as bocas por aí.

Fuja das armadilhas

Pode: dá pra trocar a restauração antiga de amálgama por uma de resina? Só se tiver uma infiltração ou uma fratura ali.

Não pode: os experts não costumam fazer essa substituição só por questões estéticas — apenas se há riscos para a dentição também.

Os tipos

Amálgama: presente nos consultórios há mais de 200 anos, é composta de prata e mercúrio. A mistura cria um metal megarrígido e duradouro.

Resina: mais jovem, ela caiu no gosto de profissionais e pacientes por não ficar perceptível e imitar a cor, a textura e o brilho dos dentes.

Continua após a publicidade

Limpeza

Vamos combinar: nenhuma casa fica bonita de verdade se não passar por uma boa faxina periódica, concorda? O mesmo raciocínio vale para nossa boca: é primordial repetir os cuidados com escova, pasta e fio dental ao acordar, ao dormir e após as refeições.

Porém, ao menos uma vez a cada seis meses, é importante investir numa limpeza profissional, que vai eliminar manchas, acabar com o tártaro acumulado e aplicar doses de flúor.

“É também uma oportunidade para examinar todos os tecidos, diagnosticar e tratar precocemente doenças como a cárie, a erosão e a gengivite”, chama a atenção a dentista Maristela Lobo, professora da pós-graduação em estética e implante do Senac São Paulo.

Fuja das armadilhas

Pode: todo mundo deve marcar consultas com o dentista a cada três ou seis meses, a depender do quadro.

Não pode: não existem proibições por aqui — a menos na rara situação de alergia a algum ingrediente da limpeza bucal.

Os tipos

Em casa: não dá pra se esquecer da escovação e do fio dental. Essa é a estratégia para manter o sorriso bonito e, principalmente, saudável.

Na clínica: feita de tempos em tempos, ela faz um polimento na superfície dental e dá um fim às placas bacterianas que estragam os dentes.

Veja mais: Periodontite em gestantes dobraria o risco de parto prematuro

Continua após a publicidade

Aparelhos ortodônticos

-
Foto: Tara Moore/Getty Images

O sorriso metálico continua em alta entre crianças e adolescentes. “Minha neta colocou o aparelho há 15 dias e, em sua escola, a febre é colocar elásticos bem coloridos nos braquetes”, comenta o dentista Sigmar de Mello Rode, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José dos Campos.

Mais que um item da moda entre a moçada, os aparelhos ajudam a reposicionar a arcada dentária para, assim, garantir uma mordida mais eficiente. A boa notícia é que eles evoluíram e hoje há opções até para os adultos mais acanhados.

“Temos peças bem pequenas disponíveis e alinhadores transparentes, que não aparecem quando a pessoa abre a boca”, nota Rode. Vai do colorido ao invisível.

Fuja das armadilhas

Pode: os aparelhos modificam aos poucos a posição original de alguns dentes tortos, até que eles fiquem no local desejado.

Não pode: o ortodontista vai avaliar cada paciente e ver se o aparelho é o mais indicado mesmo. Às vezes, é melhor partir para as facetas.

Os tipos

Fixo: é o combo clássico dos fios metálicos com os braquetes. O profissional aperta de um lado e solta do outro para fazer as modificações.

Removível: constituído de metal e acrílico, ocupa o céu da boca. É mais barato e costuma servir para as questões mais simples.

Invisalign: os alinhadores invisíveis que recobrem os dentes são uma novidade na área. Eles são trocados a cada semana para surtir efeito.

Veja mais: A longa evolução dos aparelhos ortodônticos

Continua após a publicidade

Próteses e implantes

Apesar dos avanços na odontologia, ainda existem situações em que o dente não aguenta o tranco e cai (ou precisa ser arrancado). “É o que ocorre, por exemplo, em traumas, fraturas, tratamentos de canal malsucedidos e doenças periodontais, com grave inflamação da gengiva”, lista o dentista Atlas Nakamae, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP).

Mas só fica banguela quem quer: implantes e próteses modernos restauram o sorriso com perfeição. “Nos últimos anos, reduzimos consideravelmente o tempo de realização do procedimento, o que se traduz em benefícios para o paciente”, ressalta o dentista Frederico Marques, da clínica Made Me A, em São Paulo.

Fuja das armadilhas

Pode: sempre que o sujeito perder dentes, as próteses são uma saída eficaz e com ótimos resultados em longo prazo.

Não pode: a cirurgia de colocação dos implantes não é permitida em indivíduos que tomam remédio para osteoporose ou osteopenia.

Os tipos

Implantes: envolvem a instalação de um pino de titânio, que é integrado ao osso. A prótese de cerâmica vai colada em cima dessa estrutura.

Total removível: fica apoiada sobre a gengiva da parte de cima ou de baixo da arcada. É a popular dentadura. Pode ser retirada à noite.

Parcial removível: são as pontes, feitas quando o sujeito não possui um ou mais dentes. Também ficam presas nas gengivas.

Continua após a publicidade

Realinhamento da mandíbula

-
Foto: Tara Moore/Getty Images

De nada adianta clarear ou corrigir a posição dos dentes se o alicerce do rosto estiver desajustado. Com o crescimento do corpo durante a adolescência, algumas pessoas desenvolvem mandíbulas ou maxilares proeminentes. Outros, na contramão, sofrem quando essas estruturas da face se desenvolvem menos que o esperado.

Em ambos os casos, ocorre um prejuízo estético. Mas o problema vai muito além disso: as condições chamadas bucomaxilares afetam funções como a respiração e a mastigação.

“Mas essas discrepâncias podem ser corrigidas com cirurgias”, conta o dentista Reinaldo Brito e Dias, da FOUSP. As operações vão encurtar ou alongar os ossos do rosto e costumam ter um ótimo resultado.

Fuja das armadilhas

Pode: o bisturi é eleito quando mandíbula ou maxilar estão muito deslocados e abalam a saúde e o bem-estar.

Não pode: em quadros menos graves e com nenhum dano, o melhor é acompanhar antes de partir para medidas invasivas.

Os tipos

Prognatismo: a mandíbula e o queixo estão muito para a frente. A arcada inferior também fica adiantada e os dentes não fecham direito.

Retrognatismo: é o contrário. A mandíbula está para trás. O indivíduo não morde os alimentos direito e tem problemas respiratórios.

Outros: disfunções na ATM, a articulação que conecta a mandíbula com o crânio, também podem exigir uma intervenção cirúrgica.

Continua após a publicidade

Plástica na gengiva

Nem sempre o problema reside nos dentes. A gengiva pode apresentar um formato ou tamanho inadequado, que merece algum tipo de ajuste. “Muitas vezes, durante o sorriso, o paciente se queixa de uma exposição exagerada desse tecido”, aponta o periodontista Renato Casarin, da Unicamp. É possível, então, remover o excesso com uma série de cortes bem planejados.

Mas tem também a situação diametralmente oposta: a retração gengival, que pode se acentuar com os anos. A falta dessa camada protetora na base dos dentes provoca sensibilidade a alimentos gelados, quentes ou doces. “A solução aqui é costurar enxertos retirados do palato, o céu da boca”, diz o especialista.

Fuja das armadilhas

Pode: tudo se inicia com o incômodo da pessoa em relação às dimensões da gengiva, seguido da avaliação de um profissional.

Não pode: a cirurgia será descartada como uma alternativa se o dentista não vir motivo para fazê-la ou se existir qualquer contraindicação.

Os tipos

Tira: quando a gengiva está espessa, recobre uma porção grande dos dentes ou marca demais o sorriso, a operação dá conta do recado.

Põe: a exposição da raiz dentária na retração é consequência de uma escovação muito vigorosa. Enxertos são a saída mais efetiva.

Continua após a publicidade

Botox

-
Foto: Tara Moore/Getty Images

Fabricada pela bactéria Clostridium botulinum, a toxina botulínica tem a capacidade única de paralisar a atividade de alguns músculos. A substância, aplicada por meio de injeções, ganhou fama por alisar rugas e deixar a pele mais jovial.

Em decorrência da grande demanda, o procedimento é um dos alvos de uma enorme batalha judicial que coloca frente a frente os conselhos de medicina e de odontologia. Mas o Botox vai muito além de um rostinho bonito na TV, na revista ou no espelho: a substância tem suas aplicações terapêuticas.

“Podemos tratar, entre outras condições, desajustes na articulação da mandíbula e o bruxismo, marcado pelo ranger de dentes durante o período noturno”, cita Maristela Lobo, do Senac.

Fuja das armadilhas

Pode: o composto só deve ser injetado e reaplicado após algum tempo por um profissional de saúde com qualificação na área.

Não pode: cuidado com ofertas mirabolantes que rolam pela internet. Se mal usado, o Botox traz sérios efeitos colaterais.

Veja mais: A aplicação do botox pelo dentista: indicações, orientações e cuidados

Continua após a publicidade

Redução da bochecha

A busca incessante por um ideal de beleza fez uma cirurgia, a bichectomia, virar uma febre nos últimos anos, sobretudo entre mulheres mais jovens. “Trata-se de um procedimento feito dentro da boca, em que se remove parte da bola de Bichat, um tecido gorduroso localizado no interior da bochecha”, ensina o dentista Marcelo Januzzi, do Crosp.

Sem essa gordura, as maçãs do rosto ficam destacadas e ganham um sombreamento natural — conhecido nas redes sociais como “efeito blush”.

Segundo a última decisão da Justiça, a operação pode ser feita tanto por médicos como por dentistas, desde que tenham formação. Se você pensa em se submeter a ela, pesquise bem o currículo do especialista.

Fuja das armadilhas

Pode: a extração da gordura é uma boa para quem tem o rosto excessivamente redondo e bochechas saltadas.

Não pode: a bola de Bichat seca conforme envelhecemos. Quem faz a cirurgia cedo pode ficar com o rosto chupado anos mais tarde.

Veja mais: Bichectomia não é para todo mundo — e pode trazer complicações sérias

Continua após a publicidade

Preenchimento labial

Quando pensamos num sorriso bonito, não dá pra se esquecer dos lábios. Ora, são eles que dão o contorno e emolduram os dentes. Claro que a indústria já inventou uma série de medidas para deixá-los carnudos e atrativos.

“O mais comum é a injeção de ácido hialurônico, cujo efeito preenchedor dura de seis a 12 meses”, descreve a dentista Denise Arliane Camargo, da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Estão disponíveis outras substâncias com ação mais prolongada — algumas são permanentes, inclusive. Só que elas não são muito indicadas no dia a dia. Afinal, se a próxima moda for beiços finos, não vai ter como voltar atrás…

Fuja das armadilhas

Pode: a técnica dá volume e corrige o contorno labial causado pelo envelhecimento ou por doenças que atingem a face.

Não pode: está vetado para gestantes, indivíduos com doenças autoimunes, em tratamento de câncer ou de infecções.

Bola dividida

A primazia pelos procedimentos estéticos, como aplicação de Botox, foi parar nos tribunais. O Conselho Federal de Medicina defende que eles só devem ser feitos por médicos. Enquanto isso, o Conselho Federal de Odontologia entende que seus profissionais estão capacitados para o serviço. A batalha se iniciou em 2016 e continua: a cada momento, sai uma nova liminar modificando a decisão anterior. O assunto vai seguir pelas instâncias jurídicas, até o Supremo Tribunal Federal, o STF, bater o martelo.

Continua após a publicidade