Super Promoção: 3 meses por 1,99/mês
Imagem Blog

Saúde é pop

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Tá na internet, tá na TV, tá nos livros... tá no nosso dia a dia. O jornalista André Bernardo mostra como fenômenos culturais e sociais mexem com a saúde — e vice-versa.

Operação Transplante: “percentual de doação ainda é baixo”, diz diretor

Obra disponível na Max mostra os bastidores da busca por doadores de órgãos no Brasil

Por André Bernardo
Atualizado em 3 abr 2025, 12h26 - Publicado em 3 abr 2025, 12h10
operacao-transplante
Série documental retrata bastidores dos transplantes de órgãos  (Max/Reprodução)
Continua após publicidade

Durante dois anos e meio, Leonardo Oliveira de Moraes esperou por um rim. Mal sabia ele que sua doadora estava em casa esse tempo todo. Rosa Bartoski de Moraes, sua mulher, só descobriu que poderia doar durante uma consulta.

“Nunca fiquei doente. Se eu pudesse, doaria para ele”. Surpreso, o médico perguntou: “Vocês são compatíveis?”. O casal não soube o que responder.

Na dúvida, fizeram os exames e deu match! “Caímos no choro”, lembra Rosa. “Você tem coragem?”, insistiu o médico. “Tenho, doutor!”, respondeu, sem titubear. O transplante foi realizado no dia 17 de julho de 2024, em São Paulo.

São duas cirurgias simultâneas: uma para retirar o órgão do doador e outra para implantá-lo no receptor. “Mudou minha vida, tudo voltou ao normal”, garante Leonardo.

A história de Leonardo e Rosa é uma das 18 contadas na série documental Operação Transplante. A obra está disponível na Max e no canal Discovery Home&Health, com episódios semanais, quinta-feira às 19h. São oito episódios no total.

+Leia também: Doar é preciso: tudo sobre o universo dos transplantes de órgãos

“Corrida contra o tempo”: como a série foi filmada

operacao-transplante-serie
(Reprodução/Reprodução)
Continua após a publicidade

As histórias são contadas do momento da captação do órgão até a hora da cirurgia. Para isso, o diretor-geral Rodrigo Astiz contou, ao longo de três meses, com duas equipes de filmagem: uma de “plantão” das 6h às 18h; outra, do meio-dia à 0h. “Você nunca sabe quando vai surgir o órgão e quem será o receptor dele”, explica.

Para complicar a logística, cada órgão tem um tempo de “sobrevivência” fora do corpo. No caso do rim, são 48 horas; fígado e pâncreas, 12; coração, quatro. “É uma corrida contra o tempo”, resume Francisco Monteiro, coordenador da central de transplantes de São Paulo.

“Apenas 55% das famílias autorizam a doação”

Ao todo, o Brasil realizou 9,4 mil transplantes em 2024. O estado que mais realizou cirurgias do tipo foi São Paulo: 2,7 mil. Em seguida, vieram Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os órgãos mais transplantados foram rim (6.319), fígado (2.454) e coração (443).

Ainda segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes, órgão do Ministério da Saúde, o país tem hoje 45,7 mil pessoas na fila de espera por um transplante – 26,8 mil são homens e 18,8 mil mulheres.

Continua após a publicidade

E daria para diminuir essa fila, se mais pessoas se conscientizassem sobre a importância do gesto. No Brasil, a doação de órgãos e tecidos só é realizada depois da autorização da família, mesmo que a pessoa afirme em vida ser doador. Portanto, se alguém deseja doar, a primeira coisa a fazer é avisar os familiares.

É aí que está o gargalo maior hoje. “Atualmente, apenas 55% das famílias autorizam a doação de órgãos”, afirma o médico Valter Duro Garcia, conselheiro da Associação Brasileiro de Transplante de Órgãos (ABTO).

“Nosso maior desafio é identificar potenciais doadores, ou seja, pacientes que tiveram morte encefálica, e sensibilizar suas famílias”. Morte encefálica é quando há perda completa, permanente e irreversível das funções cerebrais.

Muitas vezes, o paciente sofre morte cerebral e sua família não é notificada. Os protocolos de diagnóstico no Brasil são um dos mais rigorosos: incluem exames clínicos, laboratoriais e de imagem, e são feitos por, no mínimo, dois médicos.

Continua após a publicidade

+Leia também: A nova onda dos transplantes

“Um doador pode salvar a vida de até oito pessoas”

Além de órgãos como rim, fígado, coração, pâncreas, intestino e pulmão, um mesmo paciente pode doar tecidos, como ossos, músculos e tendões, entre outros.

Só em 2024, o número de transplantes de córnea, o mais cobiçado tecido do corpo humano, chegou a 17.106. “Um mesmo doador pode salvar a vida de até oito pessoas em um transplante de órgãos e beneficiar até 50, considerando os tecidos”, calcula Francisco Monteiro.

“Quando penso no conteúdo de uma série, a primeira pergunta que eu me faço é: qual será o impacto dela na sociedade? No caso da doação de órgãos, eu diria que esse tema é primordial”, afirma a produtora-executiva Adriana Cechetti.

“Ainda não sei se Operação Transplante terá segunda temporada ou exibição na TV aberta. O que eu sei é que conseguimos algo inédito: mostrar o Sistema Nacional de Transplantes como nunca antes”.

Continua após a publicidade

“Você não imagina o quanto eu gostaria de ver as estatísticas mudarem em função da série. O percentual de doação de órgãos no Brasil ainda é muito baixo”, acrescenta o diretor-geral Rodrigo Astiz. “Doação pode salvar vidas. Se eu mudar a opinião de uma única pessoa, meu trabalho já valeu a pena”.

Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

ECONOMIZE ATÉ 88% OFF

Super Promoção! Digital Completo

Apenas R$ 1,99/mês nos 3 primeiros meses
Garanta acesso ilimitado aos sites, apps, edições e acervo de todas as marcas Abril
Após o terceiro mês, cancele a qualquer momento
De: R$ 16,90/mês
Por 1,99/mês

Revista em Casa + Digital Completo

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
a partir de 14,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app. Pagamento único trimestral de R$5,97, a partir do quarto mês, R$ 16,90/mês. Oferta exclusiva para assinatura trimestral no Plano Digital Promocional.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.