Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde
Continua após publicidade

O papel da cannabis na evolução do tratamento da esclerose múltipla

No Agosto Laranja, médico conta como o uso terapêutico da cannabis pode ajudar a controlar um dos principais sintomas da doença

Por Pedro Alvarenga, médico*
31 ago 2022, 17h53

A esclerose múltipla é uma doença autoimune, crônica e inflamatória marcada pelo ataque das células de defesa à bainha de mielina, uma espécie de capa de gordura que recobre e protege as células do sistema nervoso. Provoca, assim, lesões neurológicas por trás de uma série de sintomas, como fadiga, perda de equilíbrio e coordenação motora, espasmos e disfunção urinária, entre outros.

Há diversas hipóteses para explicar o desenvolvimento do problema, e elas envolvem predisposição genética associada a questões do estilo de vida ou infecções virais prévias, que funcionariam de gatilho para a doença. Como resultado, há uma alteração imunológica prejudicial aos neurônios e às suas funções.

Infelizmente, ainda não há cura para a esclerose múltipla. O que existem são tratamentos capazes de melhorar sintomas e reduzir períodos de exacerbação da doença, os “surtos”, caracterizados por pioras agudas e progressão do quadro.

+ ASSISTA: Neurologista explica o que é a esclerose múltipla e como tratá-la

Atualmente, há medicamentos que diminuem a atividade inflamatória e as lesões à mielina, o que permite reduzir a intensidade e frequência dos surtos. Tanto remédios imunomoduladores como os imunossupressores e os corticosteroides sintéticos podem exercer um papel importante no manejo da condição.

Ainda assim, por ser uma doença de caráter crônico-degenerativo, a abordagem terapêutica não raro é limitada e considerada desafiadora para os pacientes e a comunidade médica. Daí o investimento em pesquisas para compreender melhor a patologia e buscar novas opções de tratamento.

Continua após a publicidade

Uma das inovações nesse sentido são as terapias à base de Cannabis sativa. Já temos à disposição no Brasil uma solução oral que combina THC e CBD, dois componentes da cannabis, para controlar um dos principais sintomas da esclerose múltipla, a espasticidade.

Ela é descrita como uma sensação de peso e rigidez nos músculos, o que dificulta a movimentação do paciente. Pode ter impacto considerável na qualidade de vida e impedir a realização de atividades simples no dia a dia. Para contê-la, neurologistas recomendam sessões de fisioterapia e alguns medicamentos sintéticos, mas nem sempre eles são eficazes ou sustentáveis para todos os pacientes.

O tratamento com canabinoides, baseado em estudos, amplia o arsenal do qual médicos e pacientes podem lançar mão, com a vantagem de não ter os efeitos colaterais das medicações tradicionais.

+ LEIA TAMBÉM: Cannabis medicinal – o que esperar dela?

Em termos de legislação, a Anvisa já liberou o uso da combinação dos canabinoides THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol) para o tratamento de espasmos musculares, moderados a graves, na esclerose múltipla, em pacientes que não apresentaram bons resultados após a utilização de outros remédios para essa finalidade.

Continua após a publicidade

É uma evolução importante para nós, médicos, mas sobretudo para os pacientes e familiares, que sempre estão buscando uma vida melhor, com menos limitações.

Compartilhe essa matéria via:

* Pedro Alvarenga é médico com especialização em endocrinologia e metabologia, preceptor no Complexo Hospitalar de Contagem e na Fundação Hospitalar de Minas Gerais e consultor da Ease Labs, empresa que desenvolve tratamentos com cannabis 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.