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Lábio leporino: das origens ao tratamento

Professor esclarece como surgem as fissuras labiopalatinas e o que contempla o tratamento e a reabilitação das crianças com o problema

Por Reinaldo Brito Dias, cirurgião*
Atualizado em 30 set 2022, 10h29 - Publicado em 30 set 2022, 08h51

As fissuras labiopalatinas, popularmente chamadas de lábio leporino, são deformidades congênitas que comprometam o terço médio da face, região acima da órbita da cavidade óssea até a base do nariz, podendo também afetar o lábio e o céu da boca.

O problema acomete com predominância crianças do sexo masculino, que correspondem a cerca de 60% dos casos. Já as fissuras restritas ao lábio são mais comuns no sexo feminino.

A incidência também é variável de acordo com algumas características raciais. A raça amarela é a que apresenta maior número de casos, seguida pela branca e depois pela negra.

Quando o bebê está em formação, ainda no útero materno, no momento da formação do palato (o céu da boca), temos uma lâmina palatina do lado esquerdo e outra do lado direito. Elas crescem até o ponto em que se juntam e se tornam uma só. Os bebês com fissuras labiopalatinas não têm esse fechamento, daí o nome “fenda” ou “fissura”.

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A ocorrência é significativa na população. De acordo com um estudo do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru, um em cada 650 bebês brasileiros nascem com fissura labiopalatina. Elas representam uma das malformações congênitas de maior prevalência no ser humano, aparecendo, aproximadamente, em um a cada mil nascidos vivos.

Existe uma carga genética para que isso aconteça. E a condição pode estar associada a consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo por parte da mãe ou mesmo exposição à radiação na gestação. 

O processo de reabilitação do paciente com a fissura, pautado pelo fechamento das tais lâminas palatinas, envolve o trabalho de uma equipe multidisciplinar, composta de neonatologista, pediatra, cirurgião-plástico, cirurgião-dentista, otorrinolaringologista, fonoaudiólogo, psicólogo, assistente social, nutricionista, entre outras especialidades.

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Logo ao nascimento, indicamos que os pais do bebê sejam orientados quanto à necessidade de cuidados com a saúde bucal e com a alimentação da criança. A amamentação pode e deve ser feita para garantir a plena nutrição do bebê, e ainda estimula melhoras na sucção e na deglutição. Aconselha-se que o aleitamento seja feito em posição vertical. E vale lembrar que ele favorece o desenvolvimento muscular e ósseo da face.

Em um primeiro momento, devido ao palato aberto, o cirurgião-dentista especialista na área irá auxiliar na confecção de uma placa de amamentação, que recobre o céu da boca do bebê. Esse dispositivo impede que o leite possa entrar nas vias nasais. O bebê consegue se adaptar perfeitamente à placa, que fica solta nas lâminas palatinas e é apoiada nos rebordos, fazendo um “palato” protético.

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Em geral, as primeiras cirurgias de fechamento dos lábios acontecem a partir dos seis meses de idade, momento em que o tecido da pele do lábio do bebê tem mais elasticidade e ele já ganhou peso.

Além de indicar o tipo de prótese a ser usada, a equipe de odontologia buscará atuar no reposicionamento correto dos dentes, uma vez que eles estarão fatalmente mal posicionados devido à fissura.

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O tratamento é evolutivo e comporta estratégias específicas para cada período. As próteses, muitas vezes, têm um parafuso expansor que ajuda a levar as lâminas à posição adequada e é regulado conforme a necessidade de cada paciente.

A higiene bucal é recomendada desde quando o bebê deixa a maternidade. Por conta da fissura labiopalatina, ela deve ser feita por meio de gaze umedecida em água filtrada, pelo menos uma vez ao dia, para evitar que resíduos do leite permaneçam em certas regiões da fenda.

É aconselhado, ainda, evitar a adição de açúcar ao leite, sucos ou frutas no intuito de preservar a integridade da dentição. Da mesma forma, são contraindicadas chupeta, mamadeira e a sucção de dedos.

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No início da erupção dos dentes de leite, a escovação deve ser feita com o auxílio de dedeiras e escovas próprias para a idade.

Com os avanços tecnológicos e com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, hoje a criança com fissura labiopalatina pode ficar com uma cicatriz pequena, quase imperceptível. A evolução no tratamento permite que ela possa viver e se desenvolver normalmente, sem abrir mão de atividades sociais em seu cotidiano.

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* Reinaldo Brito Dias é mestre e doutor em Clínicas Odontológicas, professor titular do Departamento de Cirurgia, Prótese e Traumatologia Maxilofaciais da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) e consultor do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp)

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