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Brasil: o país do futebol e das cirurgias de joelho

Contusões esportivas levam com frequência atletas e amadores à mesa de cirurgia. Um especialista explica os porquês e como as lesões são resolvidas

Por Pedro Baches Jorge, ortopedista e cirurgião do joelho*
7 nov 2020, 12h07

Vira e mexe ganha o noticiário a história de um jogador de futebol que sofreu uma lesão muito recorrente no consultório ortopédico. O caso mais recente, para quem acompanha o esporte, é o do zagueiro do Liverpool, o holandês Virgil van Dijk. No caso do craque, a lesão foi a do ligamento cruzado anterior (LCA para os íntimos), uma importante estrutura que tem como principal função a estabilização do joelho.

Contusões do tipo não se resumem ao campo profissional. Não é incomum atletas amadores machucarem o joelho numa partida de fim de semana. Quando o ligamento cruzado anterior é atingido e não atua adequadamente, o joelho torna-se instável, e novos entorses são bem mais frequentes.

O jogador fica impossibilitado de realizar movimentos que exijam mudanças bruscas e inesperadas de direção. Portanto, é praticamente impossível jogar futebol sem o LCA e um retorno seguro de suas atividades só é possível com a reconstrução do ligamento via cirurgia.

O tratamento do jogador Virgil van Dijk é cirúrgico e realizado por videoartroscopia: um tipo de cirurgia feito totalmente por vídeo com pequenos furos na pele. O procedimento permite fazer um novo ligamento a partir de tendões do próprio jogador e até mesmo de tecidos danificados, dependendo da expertise do ortopedista.

A cirurgia leva em torno de 60 minutos e o atleta pode caminhar após cerca de 24 horas, inicialmente com muletas. Em seguida, a recomendação é pelo início imediato de sua reabilitação com fisioterapia especializada. O tempo de retorno aos gramados gira em torno de oito meses.

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A reconstrução cirúrgica da ruptura do LCA está entre os procedimentos mais realizados por cirurgiões de traumatologia esportiva nos dias de hoje. O LCA é o ligamento mais estudado na pesquisa ortopédica com centenas de trabalhos científicos publicados todos os anos, principalmente voltados à seleção dos enxertos, tipos de fixação, resultados, reabilitação e prevenção das lesões.

O Brasil está na vanguarda desse tipo de tratamento. O que se faz de melhor no mundo se faz aqui também, incluindo a descoberta e a pesquisa de novos ligamentos que auxiliam na proteção do joelho.

A lesão sofrida pelo craque do Liverpool também já vitimou jogadores brasileiros. Dentre os casos com maior repercussão estão o do Amoroso, na época no Guarani, e do Paulo Henrique Ganso, enquanto jogava ao lado do Neymar no Santos. Debinha e Bruna, da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, também são outros bons exemplos e que tive o prazer de operar e contribuir com a recuperação.

E por que essa lesão acontece? Ela é frequente quando o atleta torce o joelho ao mudar subitamente de direção com o pé preso ao solo, algo corriqueiro no futebol. Atletas de basquete e handebol também são muito suscetíveis.

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Apesar da sua maior ocorrência em atletas de alta performance, a lesão também pode atingir esportistas do dia a dia, igualmente envolvidos em atividades onde saltos e movimentos bruscos de mudança de direção são comuns. Se forem mulheres, o risco é ainda maior. Para se ter uma ideia, entre atletas profissionais, a probabilidade de lesões no joelho é de 1,5 a 2 vezes maior em mulheres na comparação com os homens — índice que chega a 8 vezes em esportes específicos como a corrida.

Portanto, todo cuidado com o joelho é pouco. Ao menor sinal de dor, procure um ortopedista especializado.

* Pedro Baches Jorge é ortopedista e cirurgião do joelho do Hospital Sírio-Libanês e da Santa Casa de São Paulo. É também responsável pelo Núcleo de Medicina do Joelho da Clínica SOU, diretor científico da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma do Esporte (SBRATE) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho

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