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As doenças reumáticas e o frio

A queda na temperatura não agrava artrite reumatoide, lúpus e afins. Mas pode exacerbar alguns de seus sintomas. Entenda e saiba como se proteger no frio

Por Karina Bonfiglioli, reumatologista* Atualizado em 15 jun 2022, 15h41 - Publicado em 15 jun 2022, 10h39

O inverno é o “terror” dos reumatologistas e dos pacientes que possuem doenças reumáticas (como artrite reumatoide, lúpus etc). Nessa estação, observamos um grande aumento nas queixas de dor e rigidez no aparelho locomotor.

Diversos estudos demonstram que os pacientes com condições dolorosas crônicas apresentam piora dos sintomas quando o tempo está frio. Há uma série de motivos pelos quais isso ocorre. Mas um spoiler: felizmente, a maioria das doenças reumáticas não entra em atividade no frio (não “inflama mais”) – o desconforto é só consequência da temperatura baixa.

Abaixo, separei motivos que explicam essa relação:

1) Os músculos e tecidos em volta das articulações (“juntas”) e coluna contraem-se involuntariamente com o frio

A temperatura ideal para o correto funcionamento do corpo está entre 36 e 37 graus. Quando fica muito frio, o organismo lança mão de técnicas para tentar armazenar o calor. De forma reflexa e sem que possamos perceber, os músculos do corpo se contraem para gerar calor e manter as funções normais do organismo.

Isso pode gerar contraturas musculares, que podem ser dolorosas, e também retrair tendões e ligamentos ao redor das articulações, causando dor e sensação de rigidez no movimento.

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2) A circulação sanguínea fica reduzida nas extremidades

Os vasos sanguíneos se estreitam parcialmente e reduzem o fluxo de sangue nas extremidades do corpo na tentativa de armazenar calor para os órgãos mais importantes. Por isso, frequentemente sentimos mãos e pés gelados nessa época do ano.

Essa redução no fluxo pode piorar a sensação de rigidez e dificuldade para movimentar os dedos das mãos e pés. Algumas doenças (como artrite reumatoide, espondiloartrites e osteoartrite/ “artrose”) já causam esse sintoma comumente, e pode haver a percepção de piora quando o tempo está frio.

Além disso, a diminuição do fluxo acarreta uma diminuição do metabolismo dessas áreas, o que pode afetar seu funcionamento.

Já as doenças autoimunes que cursam com o chamado “fenômeno de Raynaud” são particularmente sensíveis à mudança de tempo. E o frio é um dos precipitadores desse evento, que consiste na perda da regulação normal do fluxo de sangue nas extremidades, fazendo com que pequenas artérias fechem-se por período prolongado.

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Os dedos ficam brancos, roxos e depois vermelhos. Em algumas doenças autoimunes, como na esclerose sistêmica e em certos casos de lúpus, esse fenômeno pode até causar a formação de feridas.

+Leia também: Coronavírus: quais cuidados pacientes com doenças reumatológicas devem ter

3) O liquido que lubrifica as articulações fica mais espesso

Produzimos, em nossas articulações, uma quantidade mínima do chamado “líquido sinovial”, que serve para lubrificar e facilitar a movimentação. Esse líquido tem a viscosidade ideal para reduzir o atrito entre as cartilagens e permitir um movimento sem resistência.

Mas, no frio, ele se torna mais espesso. O movimento, que já está dificultado pelos dois fatores citados acima, fica ainda mais limitado. Quando já existe alteração na cartilagem, como ocorre na osteoartrite e na artrite reumatoide, o quadro é ainda mais intenso.

Isso causa impacto nas atividades mais simples do dia-a-dia. Os pacientes relatam que precisam movimentar e aquecer as mãos por algum tempo (às vezes por horas) até sentir que a mobilidade normal foi restaurada.

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4) O limiar de dor diminui

Doenças que causam dor crônica apresentam piora nos períodos frios. Isso já foi demonstrado em diversos estudos com osteoartrite (“artrose”), fibromialgia, lombalgia, entre outros.

Por quê? O maior estímulo aos receptores nociceptivos (“nervos” que “captam” as dores no corpo) por causa da contração muscular e também as alterações de humor que podem ocorrer no período frio são algumas das hipóteses sugeridas para uma redução do limiar de dor.

Se o paciente já apresenta condições prévias como dor generalizada, transtornos de ansiedade e depressão, a queda no limiar de dor tende a ser mais acentuada.

Como melhorar os sintomas

  • Mantenha-se aquecido e evite exposição direta ao frio
  • Utilize bolsas de água quente nas regiões dolorosas e evite contato direto com água fria
  • Aquecimento de extremidades ajuda muito. Pacientes com fenômeno de Raynaud devem usar luvas constantemente
  • Mantenha-se ativo: os exercícios liberam a musculatura e melhoram a circulação e a qualidade do líquido sinovial. Também atuam na hipersensibilidade à dor. Em dias muito frios, prefira atividades em ambientes fechados
  • Se você possui uma doença reumática, já sabe que a dor pode piorar sem que isso necessariamente represente que o quadro está mais ativo. Entretanto, se estiver em dúvida, consulte seu reumatologista. Ele poderá fazer essa diferenciação através da avaliação clínica e, eventualmente, exames laboratoriais e de imagem.

* Karina R. Bonfiglioli é médica assistente da Disciplina de Reumatologia do HC-FMUSP, membro da Comissão de Educação da Sociedade Paulista de Reumatologia e coodenadora da Comissão de Artrite Reumatoide da Sociedade Brasileira de Reumatologia

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