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A invisibilidade e os desafios das mulheres cuidadoras no Brasil

A falta de atenção com essas pessoas têm gerado repercussões negativas para elas, os pacientes - e o resto da sociedade

Por Celene Queiroz Pinheiro de Oliveira, geriatra*
9 jan 2024, 09h49

Em uma sociedade onde a igualdade de gênero ainda está longe de ser uma realidade e o sexismo predomina, as mulheres se tornam frequentemente as cuidadoras invisíveis, particularmente de idosos. E esse é um dos muitos desafios desse problema, é agravado por questões de raça, cor, etnia e situação econômica.

Um estudo realizado pela Fundação Seade, em 2023, revela um panorama sobre o cuidado no domicílio no estado de São Paulo. Os dados apontam que 90% dos cuidadores são mulheres e 94% das pessoas com demência são cuidadas em casa, no âmbito familiar. A maioria dos cuidadores tem em média 48 anos e são filhas, noras, cônjuges e netas que prestam cuidado informal.

A invisibilidade dessas mulheres as impulsiona a colocar as próprias vidas em segundo plano para garantir condições dignas aos idosos, um trabalho que exige grande esforço físico e emocional. Isso pode afetar sua realização e progressão profissional, bem como limitar suas oportunidades de convívio social saudável.

+Leia também: A memória vai, o apoio vem: como cuidar de alguém com demência

Veja: 24% das pessoas que cuidam de alguém param de trabalhar ou estudar. Entre os que seguem trabalhando, as taxas de absenteísmo são mais altas, tanto por tempo dedicado ao cuidado como relacionado a seus próprios problemas de saúde.

A ausência de uma legislação abrangente e de políticas públicas que regulamentem o trabalho realizado por cuidadoras de maneira formal, garantindo direitos a benefícios sociais, leva muitas dessas mulheres ao limbo, principalmente após a morte de quem era cuidado. Sem trabalho, profissão ou uma renda que possa ajudar na sobrevivência, essas pessoas ficam  à margem na dinâmica socioeconômica brasileira.

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As trabalhadoras informais, que desempenham um papel crucial na sociedade, permanecem sem nenhum tipo de valorização ou respaldo do poder público. Elas sequer têm acesso a direitos trabalhistas básicos, como registro em carteira, piso salarial, férias e décimo terceiro.

A Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) tem como foco principal o apoio, a capacitação e o empoderamento dessas mulheres que cuidam de idosos com demência. Isso destaca a necessidade de políticas e discussões que reconheçam e apoiem o papel dessas cuidadoras.

A discussão do papel social da mulher cuidadora é essencial – o que reforça a importância da escolha do tema para a redação do ENEM de 2023. A invisibilidade esconde e perpetua situações como a dupla jornada e a falta de apoio institucional e social adequado.

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O Brasil tem mais de 1,7 milhão de brasileiros vivendo com demência – 2,2 milhões já foram diagnosticados com algum comprometimento cognitivo, segundo dados do Ministério da Saúde e do O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil).

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Com a perspectiva dos dados, estima-se que mais de 6 milhões de brasileiras exercem a função de cuidadores de pessoas com demência. A estatística se baseia no fato de que cada pessoa com demência necessita de pelo menos três cuidadores.

Essa invisibilidade deve ser substituída por uma valorização da sociedade, e por medidas que atenuem a sobrecarga do trabalho físico e mental das cuidadoras brasileiras e, sobretudo, instrumentalizem e capacitem essas pessoas.

*Celene Queiroz Pinheiro de Oliveira é geriatra e presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) Regional São Paulo.

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