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Passar muito tempo em pé faz mal para a saúde?

Muito se fala sobre os prejuízos de ficar horas sentado, mas o contrário também traz riscos. Veja o que dizem os especialistas

Por Chloé Pinheiro Atualizado em 28 fev 2020, 17h40 - Publicado em 28 fev 2020, 17h02

Aqui em SAÚDE, abordamos muito os malefícios de passar a maior parte do dia sentado. Mas leitora Flores Khloris perguntou: “Há perigo em passar muito tempo em pé?”

E sim, Flores: gastar horas e mais horas parado de pé também pode repercutir negativamente. Quando ficamos eretos e imóveis, a circulação sai prejudicada.

“Basicamente, há uma dificuldade do sangue em retornar ao coração”, resume Antonio Sergio Tebexreni, cardiologista do Fleury Medicina e Saúde. O acúmulo de sangue nas extremidades causa inchaço e aumenta o risco de varizes e trombose venosa profunda.

“Além disso, a pessoa pode sofrer com sensação de peso nas pernas, dores e até maior risco de uma infecção nos membros inferiores, como resultado da circulação prejudicada”, enumera Tebexreni. Tem gente que inclusive apresenta quedas na pressão.

Só é importante destacar que o principal problema aqui é a imobilidade. Ora, o sangue é bombeado para cima por meio de válvulas nas veias das pernas, que precisam da contração da panturrilha para exercerem sua função adequadamente. Ao permanecer parado, essa musculatura não ajuda o sangue a vencer a gravidade. E isso vale tanto para quando estamos de pé ou sentados.

De qualquer maneira, o quadro oferece mais riscos se a pessoa tem alguma predisposição para formar coágulos no sangue, está desidratada ou se fica muito tempo sentado em um ambiente pressurizado, como a cabine de um avião.

Alguns poucos estudos sugerem que ficar muito tempo parado em pé seria mais arriscado para o coração do que estar sempre na cadeira. Entre os possíveis mecanismos, eles citam a dificuldade de circulação que mencionamos acima e o aumento da pressão intravenosa.

No entanto, isso está longe de ser um consenso. O que se sabe: permanecer horas em uma única posição é o real perigo. Portanto, intercale e valorize as sessões de exercício físico.

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Sobrecarga para o esqueleto

Tanto se mexer quanto ficar parado na posição bípede por longos períodos desgasta a musculatura e as articulações. “Pé, tornozelo, joelho, quadril e lombar são as regiões mais afetadas pelo excesso de carga”, comenta Alexandre Stivanin, ortopedista do Hospital Samaritano, em São Paulo.

Mas, de novo, o impacto é maior em quem não se move. “O movimento dos passos ajuda a lubrificar as articulações e, durante ele, há alternância da musculatura em uso”, completa Stivanin. Quando isso não ocorre, a pessoa pode sentir dores durante o dia e, em longo prazo, desenvolver um desgaste articular permanente.

Stivanin só ressalta que, do ponto de vista ortopédico, ficar sentado é pior. “Pode haver encurtamento muscular, alteração de postura e problemas sérios, como hérnia de disco. O ideal é criar um equilíbrio entre o tempo de pé o sentado”, aponta.

Como amenizar os problemas de ficar tempo demais de pé

O ideal é se mexer de tempos em tempos, ainda que seja sem sair do lugar. Flexione os pés, contraia músculos, dobre os joelhos. Uma caminhada breve é melhor ainda.

Caso você trabalha horas de pé, que tal adotar medidas para aliviar o desconforto e prevenir encrencas a longo prazo? A principal é se movimentar e revezar posições de tempos em tempos, como falamos.

Eventualmente, dê uma ajuda extra ao retorno do sangue para o coração usando meias de compressão. Mas atenção: é obrigatório conversar com um médico especialista no assunto para saber qual meia comprar, porque há diferentes graus de compressão.

Para evitar as complicações do excesso de horas de pé, também se mantenha hidratado, use calçados confortáveis, faça alongamentos e pratique regularmente exercícios físicos, que fortalecem a musculatura para sustentar melhor o próprio corpo.

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