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Desodorante natural é mesmo eficaz?

Será que os melhores amigos de quem opta por fabricar o cosmético em casa oferecem a mesma proteção do desodorante tradicional?

A adoção de estilos de vida mais saudáveis está na pauta do dia. Seja na escolha do que vai ao prato (segundo dados do Ibope Inteligência de 2018, quase 30 milhões de brasileiros já são adeptos de uma dieta livre de carnes e derivados; um crescimento de 75% em relação a 2012), seja repensando os hábitos de consumo, uma parcela grande de pessoas está de olho em maneiras de diminuir o impacto sobre o planeta. Desperdiçar menos, reciclar mais e evitar o uso de descartáveis fazem parte da cartilha de quem se preocupa com o futuro. Na esteira dessa tendência mundial, a troca de produtos industrializados por opções naturais e caseiras ganha força.

Na seara da beleza e dos cuidados pessoais, cosméticos veganos e maquiagens orgânicas estão em alta. E um dos itens mais populares certamente são os desodorantes feitos em casa. Geralmente à base de bicarbonato de sódio e óleo de coco. Mas será que o desodorante natural é mesmo eficaz? Indicado para todo mundo? O fato de levar apenas ingredientes naturais na fórmula garante que ele não provocará alergias? Para responder essas e outras dúvidas, o primeiro passo é conhecer os componentes disponíveis para a fabricação do produto.

 

Confira: Você sabe quais são os prós e contras dos desodorantes naturais?

 

Principais ingredientes do desodorante natural 

Entre as opções mais usadas estão o óleo de coco, com propriedades hidratantes e bactericidas; manteiga de karité, potente regenerador celular; bicarbonato de sódio, que inibe o crescimento de fungos e ajuda a absorver a umidade; e leite de magnésia, boa alternativa para quem tem alergia ao bicarbonato de sódio. Óleos essenciais e outras substâncias também entram na lista, dependendo do objetivo final do produto.

Vantagens e desvantagens

Os desodorantes caseiros são boas opções para quem quer saber exatamente o que aplica na pele. Além disso, permitem a criação de produtos personalizados: mais ou menos hidratantes, perfumados ou consistentes, de acordo com os gostos e necessidades de quem os prepara. E, por serem 100% naturais, ainda diminuem o risco de alergias.

Isso não quer dizer, no entanto, que esse risco esteja totalmente eliminado. “As soluções caseiras são, em geral, substâncias que alteram o pH da região axilar e reduzem a colonização bacteriana que está relacionada ao mau cheiro. Pacientes alérgicos devem ter cuidado redobrado e fazer um teste em áreas pequenas antes de iniciar o uso”, aconselha a dermatologista Lilia Guadanhim, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e médica da Unidade de Cosmiatria da Escola Paulista de Medicina/Unifesp. Além disso, recomenda-se evitar a exposição ao sol com produtos caseiros na pele. 

Também é preciso cuidado na escolha dos ingredientes. “Muitos sites sugerem, por exemplo, o uso de limão nas axilas como desodorante e clareador, o que pode causar manchas, alergia e queimaduras”, alerta Lilia. “O uso de desodorantes naturais contendo alumínio também pode irritar a pele”, completa. “Eventualmente, os óleos essenciais (nem sempre puros e, às vezes, misturados a fragrâncias de má qualidade) podem provocar alguma dermatite de irritação”, acrescenta Samar Mohamad El Harati, dermatologista do Hospital São Luiz Anália Franco. Ele lembra que outro ponto de atenção é em relação ao bicarbonato de sódio. “Trata-se de um dos ingredientes que mais irritam peles sensíveis”, diz o médico. Ou seja, a formulação que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. 

É em termos de proteção e durabilidade, no entanto, que as substâncias in natura perdem mais pontos na comparação com o produto industrializado. Apesar de inibirem a proliferação de bactérias que provocam o mau cheiro, elas não diminuem a transpiração – o que, para muita gente, pode ser um problemão. Como não trazem em sua composição ingredientes antitranspirante (como sais de alumínio), esses produtos acabam por oferecer uma proteção reduzida – e de efeito mais curto. Para quem sua muito e precisa garantir a proteção ao longo do dia, portanto, a opção 100% natural pode não ser suficiente. A dica é sempre procurar um dermatologista para uma orientação individual adequada.

Para saber mais sobre o tema: Segredos da Pele

Por Unilever