O avanço da terapia assistida por psicodélicos
Substâncias condenadas e perseguidas durante anos passam a ser reconhecidas como estratégia para superar doenças como a depressão
A Austrália se tornou o primeiro país a regularizar o uso medicinal dos psicodélicos, drogas que, no passado, fizeram fama pelas viagens alucinógenas — e fortemente combatidas em função disso. Trata-se de uma tendência calcada em ciência.
Dezenas de pesquisas sobre os efeitos da classe, que reúne moléculas como cetamina, psilocibina (dos “cogumelos mágicos”) e derivadas da ayahuasca, foram apresentadas em dois grandes congressos internacionais, o da Associação Americana de Psiquiatria e o da Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos.
O emprego delas é cada vez mais bem recebido em razão de muitas pessoas com depressão, trauma e outros transtornos não responderem aos remédios tradicionais. “Os psicodélicos agem mudando a arquitetura cerebral através da criação de novas conexões entre os neurônios e da restauração de neurotransmissores”, resume Bruno Rasmussen, diretor médico da clínica Beneva, em São Paulo.
Diferentemente do tratamento usual, a administração das substâncias é feita dentro de sessões de psicoterapia com acompanhamento especializado.
“O retorno dos pacientes tem sido excelente. A maioria refere melhora desde a primeira sessão, e isso se mantém por longos períodos”, conta Rasmussen, fazendo referência à experiência com infusões de cetamina no centro paulistano.
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