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Tratamento para enxaqueca pode ser coberto por planos de saúde

ANS abre consulta pública sobre a incorporação de tratamento preventivo para a doença crônica na lista de coberturas obrigatórias das operadoras

Por Abril Branded Content Atualizado em 17 nov 2020, 14h52 - Publicado em 17 nov 2020, 11h00

A enxaqueca se apresenta com destaque nas causas de incapacidade em indivíduos abaixo de 50 anos, estando entre as 20 doenças mais incapacitantes do mundo1. É também, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), um dos motivos mais frequentes de consultas médicas2. Em sua forma crônica, ela tem prevalência de 5,12% no Brasil, de acordo com dados epidemiológicos da Sociedade Brasileira de Cefaleia3.

A psicóloga Alice Flore, de 61 anos, faz parte dessa estatística. Ela enfrenta a enxaqueca na sua forma crônica há mais de três décadas. “Eu me lembro direitinho da primeira crise, aos 30 anos de idade. Depois disso, bastava um momento mais estressante ou até alguma escorregada na alimentação que eu ficava dias sem conseguir levantar da cama. Qualquer barulho, mesmo o som da pisada dos passos do meu marido no corredor, ou a luz clarinha que vinha da janela me incomodavam a ponto de parecer que tinha uma faca entrando pelo meu olho. A dor segue me encontrando de tempos em tempos, sempre do lado direito”, conta.

“A enxaqueca crônica interfere muito na qualidade de vida dos que dela sofrem, não só na perda da sua capacidade de trabalho, mas também na sua vida social, familiar”, declara o dr. Mario Peres, médico neurologista e presidente da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces).

Segundo o Ministério da Saúde, o problema afeta mais as mulheres, em proporção maior que o dobro do que nos homens. A dor pode ser confundida com uma cefaleia comum, mas é facilmente identificada exatamente por essas características às quais se referiu Alice: o incômodo ocorre, geralmente, só de um lado da cabeça, com intensidade que pode variar de moderada a intensa, e quase sempre pulsante, com duração de até 72 horas. Quando ocorre 15 vezes ou mais no mês, por mais de três meses, já é considerada crônica.

Outros sintomas, como náuseas, vômitos e alta sensibilidade à luz e a barulhos diversos, por mais sutis que sejam, também são comumente relatados entre os pacientes. A enxaqueca crônica pode estar associada também a outras comorbidades, como depressão e ansiedade. Trata-se de uma alteração nos neurônios que acarreta uma hipersensibilidade do cérebro, causando inflamação dolorosa dos vasos sanguíneos.

É possível controlar a enxaqueca

São diversos os tratamentos indicados para quem sofre de enxaqueca crônica e envolvem de medicamentos a mudanças nos hábitos de vida, principalmente os relacionados a alimentação, atividade física e componentes emocionais desencadeadores do estresse.

Para Alice, a batalha contra a doença tem sido árdua. “Eu já tentei de tudo e hoje aprendi a identificar muitos dos comportamentos que me levam à crise. Também reconheço sempre os primeiros sinais e isso me dá chance de resolver o problema antes que ele fique enorme e me deixe de cama novamente”, relata.

O primeiro passo para quem apresenta os sintomas é procurar um neurologista para avaliação do caso. A Sociedade Brasileira de Cefaleia determina que, acima de três crises mensais, o médico deve entrar com tratamento medicamentoso preventivo da enxaqueca.

Como atuam os tratamentos preventivos medicamentosos

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Os tratamentos medicamentosos para a prevenção da enxaqueca podem ser orais ou injetáveis e atuam sobre o sistema nervoso central com o objetivo de inibir o sistema supressor da dor. Dessa forma, o organismo responde com menos intensidade e com menos frequência de crises, permitindo que as medicações efetivamente indicadas para as situações de crise intensa possam ser cada vez menos necessárias.

Como a enxaqueca crônica não tem cura, os remédios precisam ser administrados com frequência e antes de as dores se instalarem, por isso o nome preventivo dado a esse tipo de terapia e a importância de acesso a eles por parte da população para o seguimento adequado do tratamento proposto pelo neurologista.

E esse acesso pode se ampliar a partir de agora, com a abertura da consulta pública pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que analisa a inserção de tratamentos preventivos na lista de coberturas realizadas pelas operadoras de planos de saúde.

Por meio dela, a população pode dar a sua opinião a respeito dos tratamentos, inclusive relatando suas experiências. Mas é preciso estar atento ao prazo, que se encerra no dia 21 de novembro.

Para pacientes como Alice, que já desistiram de encontrar uma solução para o problema, essa pode ser uma luz no fim do túnel. “São mais de 30 anos lidando com a dor, sem saber quando ela vai aparecer e me derrubar novamente. Tento me conformar com isso, pois sei que não tem o que fazer. Mas, se houver uma solução, certamente mudará a minha vida”, diz.

“É uma oportunidade de os pacientes de enxaqueca crônica terem acesso a uma medida eficaz para a redução do impacto em suas vidas pessoais”, conclui o dr. Mario Peres.

Para participar e dar sua opinião na consulta pública, que acontece pelo portal da ANS, é fácil. Basta seguir o passo a passo que indicamos. No site da agência, você encontrará o termo migrânea para se referir à enxaqueca crônica, que significa a mesma coisa.

Confira:

Site ANS/Abril Branded Content

 

Referências

1| Steiner TJ, Stovner LJ, Vos T, Jensen R, Katsarava Z. Migraine is first cause of disability in under 50s: will health politicians now take notice? J Headache Pain. 2018 Feb 21; 19(1):17.
2 | Atlas of Headache Disorders and Resources in the World 2011. Geneva: WHO; 2011.
3| Giacomozzi AR et al. Consenso Latino-Americano de Migrânea Crônica para as Diretrizes de Tratamento de Migrânea Crônica. Headache Medicine 2012; 3(4):150-160. Disponível em: http://sbcefaleia4.tempsite.ws/sbcefaleia/index.php?option=com_mtree&task=att_download&link_id=316&cf_id=24. Acesso em: 27 ago 2018.

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