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Ter cárie é normal?

Isso é coisa do passado: cerca de 44% das crianças de 12 anos ja estão livres do problema

Por Dra. Livia Tenuta*

Chegando hoje aos meus 40 anos, me lembro bem das conversas de escola nas quais apontávamos o colega que nunca tinha tido uma cárie: “O quê? Você nunca teve cárie?” Era coisa muito rara.

A vida me levou para a Odontologia e especificamente a trabalhar com o tema que abracei por opção, a cariologia. E, enfim, aprendi como podemos prevenir o problema, o que não é tarefa tão difícil considerando o que temos atualmente à nossa disposição.

Segundo levantamento nacional do Ministério da Saúde de 2010, 44% das crianças de 12 anos estão livres da cárie. Casos como o do meu colega de infância já não são mais raros. E o que foi que mudou? Muita coisa, mas, se tiver que destacar uma, essa foi o amplo uso do flúor. Disponível nas águas de abastecimento e em cremes dentais, ele é indispensável para as sociedades modernas, que estão frequentemente expostas ao consumo do açúcar.

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Se voltarmos no tempo, aliás, podemos considerar a cárie uma doença moderna. Sim, seus índices se elevaram significativamente quando passamos a cultivar a cana-de-açúcar e adicionar sacarose (o açúcar branco, que vem da cana) em nossa dieta.

Quando a ingestão desse ingrediente se popularizou, tornou-se bem mais comum a ocorrência do problema. Ora, o açúcar favorece o desenvolvimento das lesões da cárie, enquanto o flúor reverte esse efeito ao auxiliar a reposição dos minerais perdidos pelos dentes. Graças a essa barreira, temos conseguido virar o jogo e controlar a condição por meio da utilização em massa do flúor.

Enquanto na minha infância quase todo mundo tinha cárie, hoje, felizmente, ela se manifesta em menor intensidade e em muito menos gente. No entanto, talvez porque ainda esteja fresco em nossa memória que a maior parte da população convivia com ela, acreditamos que ter o problema é normal. Pois eu digo: não é!

A cárie é facilmente controlável se mantivermos o consumo de açúcar dentro de uma frequência razoável – eu diria restrito às principais refeições e a um ou outro lanche entre elas, não esquecendo que balas e cafezinhos adoçados também contam – e usarmos o creme dental fluoretado pelo menos duas vezes ao dia.

Os brasileiros precisam ter a noção de que essa condição é passível de prevenção e deixá-la de aceitar como algo que faz necessariamente parte de suas vidas. Esse é o primeiro passo para um futuro livre de cárie. E convenhamos: todos nós merecemos!

*Dra. Livia Tenuta é cirurgiã-dentista, professora associada da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Universidade Estadual de Campinas (FOP-Unicamp), e coordenadora científica no Brasil da Aliança para um Futuro Livre de Cárie.

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