Clique e Assine VEJA SAÚDE por R$ 9,90/mês
Continua após publicidade

Talco é classificado como provavelmente cancerígeno pela OMS

Produto amplamente utilizado é estudado há décadas por sua ligação com a formação de tumores. Veja o que a ciência sabe sobre o assunto

Por Chloé Pinheiro
Atualizado em 8 jul 2024, 16h34 - Publicado em 8 jul 2024, 16h27

A Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (Iarc, na sigla em inglês), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou o talco como provavelmente cancerígeno. Isso significa que há evidências suficientes avaliando o risco de que substância cause câncer em humanos.

O talco é um mineral encontrado naturalmente em várias regiões do mundo. Sua versão em pó é amplamente utilizada pela população para higiene pessoal, mas a substância é estudado há décadas por sua suposta ligação com os tumores, em especial de ovário.

Só que, até então, essa relação era explicada pela presença da substância cancerígena amianto no talco — os dois são encontrados muito próximos um do outro na natureza, de modo que nem sempre é possível separá-los na mineração.

Agora, um grupo de 29 especialistas trabalhando em nome da Iarc revisou um amplo conjunto de evidências e chegou às seguintes conclusões, publicadas no periódico The Lancet Oncology:

Continua após a publicidade
  • O talco é provavelmente carcinogênico em humanos (classificação 2A — o segundo nível mais alto de certeza da relação entre uma substância e o câncer);
  • Existem evidências limitadas sobre o desenvolvimento de câncer de ovário em humanos, evidências suficientes em testes com animais e evidências fortes sobre os mecanismos fisiológicos que explicariam o elo, em estudos feitos com células isoladas;
  • Estudos in vitro demonstraram que o talco altera a proliferação celular e induz uma inflamação crônica por meio de influência na produção de certas citocinas. Essas alterações abririam o caminho para o surgimento de tumores;
  • É possível que haja vieses nos estudos que avaliavam o consumo pessoal de talco, por isso não foi possível estabelecer uma clara relação de causa e efeito;
  • Embora a análise tenha focado em estudos com talco livre de amianto, não é possível excluir totalmente a possibilidade de contaminação cruzada e de uma interferência nos resultados por conta disso.

A exposição ao talco ocorre principalmente durante a mineração e o processamento do mineral, ou na fabricação de produtos à base dele. Para a população em geral, o contato costuma acontecer por meio de cosméticos e maquiagens em pó.

Em junho, nos Estados Unidos, a Johnson & Johnson (J&J) fechou um acordou de mais de 6 bilhões de dólares em indenizações para mulheres que desenvolveram câncer de ovário após usarem o talco da marca.

O que significa a classificação da Iarc?

A agência da OMS revisa constantemente a literatura científica para avaliar o elo entre centenas de substâncias com as quais convivemos e o câncer.

Continua após a publicidade

No ano passado, a Iarc classificou o aspartame, adoçante popular, como possivelmente cancerígeno (2B), um nível abaixo do talco na escala de certeza. Nesse caso, as evidências são mais limitadas. A classificação é feita da seguinte maneira:

  • Grupo 1: cancerígeno. Há evidências concretas de que a substância causa câncer em humanos. Exemplos: cigarro, álcool, radiação solar.
  • Grupo 2A: provavelmente cancerígeno. Há evidências limitadas em humanos, mas estudos concretos em animais. Exemplos: frituras, pesticidas e carne vermelha.
  • Grupo 2B: possivelmente cancerígeno. Evidências limitadas em humanos e animais, mas correlações relevantes e achados in vitro. Exemplo: aspartame e escapamento de motor.
  • Grupo 3B: não classificado. Já se estudou o elo, mas não há evidências para fazer a associação. Exemplos: implantes de silicone, café e tinta para cabelo.
Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 14,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.