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Fimose: o que é, tipos, sintomas, tratamento e cirurgia

Comum em meninos, esse problema também aparece nos homens adultos. Saiba o que causa fimose e o que fazer para prevenir e tratar (de cremes a cirurgia)

Por Maria Tereza Santos - Atualizado em 11 set 2020, 18h57 - Publicado em 8 set 2020, 17h45

O que é fimose?

Trata-se da dificuldade ou impossibilidade de expor adequadamente a glande — a cabeça do pênis — devido ao excesso de pele que cobre a região. Essa pele, aliás, se chama prepúcio. Praticamente todos os meninos nascem com a condição, porém, na maioria deles, a fimose desaparece com o tempo. Quando o problema persiste, causa sintomas desagradáveis (dor, dificuldade para urinar etc) e exige tratamento, que pode incluir cirurgia.

Tipos de fimose e quais são as causas

O urologista Francisco Tibor, chefe do Departamento de Uropediatria da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), explica que existem basicamente dois tipos de fimose: a primária (ou fisiológica) e a secundária (ou patológica).

“A que ocorre nos primeiros meses ou anos de vida é considerada fisiológica. É uma situação transitória que normalmente evolui para uma resolução espontânea”, afirma Tibor. Ou seja, ela é normal e não traz quaisquer preocupações.

Com 1 ano de idade, aproximadamente metade dos garotos ainda não consegue expor a glande. Aos 3 anos, o número cai para cerca de 10%.

Os médicos diagnosticam a fimose secundária quando, mesmo com o passar do tempo, a criança continua incapaz de realizar esse ato. Nesse caso, a situação só se resolve com tratamentos, que falaremos adiante.

Sintomas de fimose

  • Incapacidade de expor a glande
  • Dor durante as relações sexuais
  • Assaduras e cicatrizes nos genitais
  • Inchaço
  • Sangramento
  • Secreções com mau cheiro
  • Dificuldade ao urinar

Fimose em adulto X criança

“A incidência é bem menor em adultos”, pondera Tibor. Uma das principais razões — que também pode afetar a meninada — é a falta de higiene. “É possível surgir uma infecção ou acúmulo de urina no interior da cavidade prepucial”, complementa o urologista.

Com isso e com o possível inchaço, fica complicado tirar o prepúcio da frente para expor a glande. É mais um motivo para não deixar de limpar o órgão genital.

“Se o adulto apresenta processos inflamatórios crônicos, é possível que desenvolva a fimose secundária”, relata o médico. Aí, é preciso cuidar da raiz do problema.

Fimose é diferente de aderência

Quando a criança não consegue descobrir a cabeça do pênis porque o prepúcio está “grudado” nela, estamos diante de uma aderência. Lembre-se: a fimose é provocada pelo excesso de pele.

Ao longo dos anos, a aderência se desfaz naturalmente. Mas não é fácil distinguir essas duas condições se você não possui olhos treinados. Se notar qualquer coisa suspeita, o ideal é procurar um médico.

Como é feito o diagnóstico da fimose

O especialista mais indicado para saber se você tem fimose é o urologista. Nas crianças, o próprio pediatra dá conta do recado.

“Um bom exame físico é suficiente para estabelecer se existe a condição ou não e determinar se ela é primária ou secundária”, informa o membro da SBU. É a partir dessa avaliação que o médico estabelece a estratégia para lidar com a fimose.

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Tratamento para a fimose

Como dissemos, a evolução do tipo fisiológico ocorre de forma natural. “Eventualmente, o laceamento da pele demora um pouco mais. Aí, os pais devem fazer exercícios prepuciais e tentar expor a glande”, orienta Tibor.

Mas atenção: isso deve ser feito sob recomendação médica — e sem forçar— a partir dos 2 anos de idade. Do contrário, há o risco de lesões e machucados.

“Já na fimose secundária, lançamos mão de um tratamento tópico com cremes à base de corticoides”, ensina o urologista. Eles ajudam a fazer a pele deslizar sobre a cabeça do pênis. Normalmente, esse período dura de quatro a seis semanas. Se tudo der certo, o paciente fica livre do problema.

Apesar de ser eficaz, quando o método não funciona ou quando a fimose é mais severa, só resta fazer a cirurgia.

Como funciona a cirurgia de fimose e os cuidados pós-cirúrgicos

Ela é chamada de postectomia, mas é conhecida como circuncisão. Tibor explica que, quando realizada por motivos religiosos ou em rituais, costuma acontecer bem cedo na vida. “Mas, do ponto de vista formal, ela é indicada nos casos de fimose secundária e inflamação repetida”, aponta.

Na cirurgia, é retirado o prepúcio ou são feitos cortes que permitam que a glande seja exposta. O ideal é realizá-la antes da adolescência, quando normalmente se inicia a vida sexual.

Independentemente da idade, ela sempre exige anestesia.

É um procedimento simples. Fica apenas um curativo, que pode ser retirado em um ou dois dias. O paciente já volta para casa no mesmo dia. Não tem muito cuidados específicos, a não ser na higiene local”, informa Tibor.

Nos bebês, a própria fralda serve como uma proteção aos atritos que aconteceriam em contato com a roupa.

“A sensibilidade na glande que surge nos primeiros dias logo desaparece e os adultos não vão sentir nenhum grande desconforto. Isso não trará prejuízos para uma futura atividade sexual”, tranquiliza o profissional.

Por outro lado, quando a fimose não é cuidada adequadamente, há risco de complicações, como dor durante o sexo, infecção urinária e maior propensão a contrair infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Existe fimose feminina?

Apesar de ser extremamente rara, essa condição também pode atingir as mulheres. Ela acontece quando existe uma aderência entre os pequenos lábios da vagina. Se a fimose feminina não desaparece sozinha, o especialista receita cremes tópicos que auxiliam na separação.

Saiba como prevenir a fimose

A versão primária não tem prevenção, já que ocorre com todos os meninos. Para evitar a patológica, higienize o pênis direito, com água e sabão.

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