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O mundo está entrando na quarta onda da Covid-19, diz diretora da OMS

Embora a vacinação caminhe bem no Brasil, ela acha que os números da Europa devem servir de alerta por aqui

Por Da Redação* 24 nov 2021, 15h05

O mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia do coronavírus, segundo avaliação de uma representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Congresso Brasileiro de Epidemiologia. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), trará discussões sobre esse e outros temas até o fim desta semana.

“Estamos vendo a ressurgência da Covid-19 na Europa. Nas últimas horas, tivemos mais de 440 mil novos casos confirmados, sem contar que há  subnotificação em vários continentes”, declarou Mariângela Simão, diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da OMS.

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A diretora ainda considera preocupante o fato de que cada região está lidando com a pandemia de um jeito. Além disso, em muitos lugares a vacinação e a queda nos casos de internação fazem a população relaxar, mas o vírus continua evoluindo e sendo transmitido. E os novos picos na Europa estão relacionados à abertura e à flexibilização das medidas de distanciamento.

“Além disso, há desinformação e mensagens contraditórias, que são responsáveis por matar pessoas”, pontuou a diretora-geral adjunta da OMS.

Desigualdade

Um problema grave, acrescentou a especialista, é a má distribuição das vacinas no mundo. “Foram aplicadas mais de 7,5 bilhões de doses. Em países de baixa renda, há menos de 5% das pessoas com pelo menos uma injeção. Entre os fatores que levaram a esses números estão os acordos bilaterais das farmacêuticas com países de alta renda, enquanto deveriam estar privilegiando vacinas para países mais pobres”, analisou.

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Outro obstáculo é a concentração de novas tecnologias de imunizantes em poucos países, como as produzidas a partir do RNA mensageiro.

Mariângela considera que o futuro da pandemia depende de uma série de questões. A vacinação aliada aos medicamentos pode ajudar a brecar a transmissão, mas ainda é preciso observar o comportamento das variantes de preocupação. Governos e a população também precisam trabalhar juntos para impedir novos surtos, reforça a diretora.

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Américas e Brasil

Mariângela afirmou que as Américas vêm tendo um comportamento de transmissão comunitária continuada, com ondas repetidas. O Brasil tem a vantagem de ter uma vacinação bem encaminhada, mas os números da Europa devem servir de alerta por aqui.

“Fico preocupada quando vejo o Brasil discutindo o Carnaval. É uma condição extremamente propícia para o aumento da transmissão comunitária. Precisamos planejar as ações para 2022”, alertou Mariângela.

*Com informações da Agência Brasil

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