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Em debate: os caminhos para o controle do diabetes tipo 2

Com apoio da AstraZeneca, Fórum VEJA SAÚDE trouxe desafios da Medicina e da saúde pública para enfrentar essa doença tão prevalente na população

Por Theo Ruprecht Atualizado em 4 ago 2022, 14h43 - Publicado em 4 ago 2022, 13h39

Uma doença que acomete 10% dos adultos (algo em torno de 15 milhões de brasileiros) e que está ligada a situações cada vez mais comuns na população, como obesidade e alimentação desbalanceada. Por outro lado, uma doença que ganha, com frequência, novas opções de tratamento. Entre esses polos, o diabetes tipo 2 sempre gera discussões profundas, especialmente entre quem pensa a saúde brasileira. 

Daí porque a última edição do Fórum VEJA SAÚDE foi focada nas perspectivas e desafios para o controle do diabetes tipo 2. Patrocinado pela AstraZeneca, o evento foi transmitido em diferentes redes sociais de VEJA SAÚDE e VEJA, da Editora Abril. Assista ao fórum na íntegra:

O impacto da doença no sistema e no paciente

O epidemiologista Maicon Falavigna, diretor da HTAnalyze Economia e Gestão em Saúde, inaugurou o primeiro painel discutindo o peso do diabetes tipo 2 na gestão de saúde. “Os custos dos medicamentos não são especialmente altos, mas, como há uma grande população com diabetes, o impacto orçamentário pode ser significativo”, ressaltou em sua apresentação.

De acordo com ele, 5% de toda a carga de doenças no Brasil vem do diabetes. “O gestor de saúde deve equalizar os benefícios das terapias disponíveis e os custos para potencializar a saúde da população”, arrematou. 

Outra palestrante do evento, Vanessa Pirolo representou as associações de pacientes e abordou a jornada do cidadão com diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS). “O número de endocrinologistas é pequeno no Brasil. Há municípios sem esse profissional”, pontuou ela, que é coordenadora para obesidade e diabetes da Coalizão Vozes do Advocacy.

O problema é que, sem acesso a esse especialista, as pessoas sofrem ainda mais para obter as prescrições dos medicamentos mais avançados, como os inibidores de SGLT-2, caso não consigam controlar o diabetes tipo 2 com outros fármacos. 

E a pandemia nessa história? Esse foi o tema trazido pela endocrinologista Juliana de Paula, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e gerente médica da AstraZeneca. Ela começou fazendo coro à Vanessa, que defendeu o retorno ordenado aos médicos para aumentar os diagnósticos precoces, que evitam complicações e maiores custos.

Juliana também alertou: “Estudos indicam que pacientes com diabetes infectados pelo Sars-CoV-2 apresentam um maior risco de Covid longa”. Mais uma razão para controlar a glicemia.

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Do acesso ao engajamento no tratamento

Essa foi a pauta do segundo painel do Fórum VEJA SAÚDE. Marcello Bertoluci, endocrinologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), abordou os pontos de atenção para implementar, na prática, as diretrizes médicas de tratamento do diabetes tipo 2. Destacou a necessidade de vencer a inércia e os longos tempos de espera e inação na assistência ao paciente, que fazem a enfermidade evoluir.

“Defendemos uma abordagem mais intensiva para conter a glicemia e, com isso, evitar complicações”, frisou Bertoluci. “Tentamos antecipar exames para avaliar o progresso do tratamento”, completou. Nessa mesma linha, ele pediu para que as autoridades não deixem de incorporar medicações mais efetivas e outras tecnologias modernas, além de valorizar a integração entre áreas de cuidado. 

Já o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), centrou sua fala nos desafios que cercam a adesão ao tratamento prescrito pelo médico e a um estilo de vida saudável. 

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“Não adianta termos uma Ferrari se a pessoa ainda não sabe dirigir um carro popular e manual”, comparou Couri, referindo-se ao fato de que a educação é parte primordial do plano terapêutico. “O melhor remédio é o remédio que o paciente usa”, arrematou o especialista, que é colunista de VEJA SAÚDE

Ele lembrou ainda de um dado da pesquisa “O que os brasileiros sabem (e o que não sabem) sobre diabetes”, feita por VEJA SAÚDE com apoio da AstraZeneca: 25% das pessoas não relacionam a doença com risco de morte. Essa percepção errada pode contribuir para a falta de cuidados.

O também endocrinologista João Salles, professor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, concentrou-se nos gargalos que favorecem a progressão do diabetes tipo 2. “A nossa visão é que as incorporações de medicamentos mais eficazes precisam acontecer mais cedo. Hoje, há atrasos de 20 anos entre o surgimento da droga no mercado e sua entrada no SUS”, estimou.

De acordo com ele, também é importante que todos os brasileiros se perguntem: “Será que eu tenho diabetes e não sei, ou condições de risco para desenvolvê-lo?” 

+Leia também: Diabetes e herpes-zóster: do controle da glicose à vacinação

Planos de ação e políticas públicas para prevenir e remediar o diabetes

O último painel do Fórum VEJA SAÚDE trouxe três presidentes de sociedades de especialidades ligadas a essa enfermidade. O endocrinologista Levimar Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), reforçou a necessidade de educação médica continuada e atualizações mais frequentes de diretrizes de tratamento. 

“Todo ano a SBD modifica seus protocolos de atendimento”, apontou. Ele valorizou também a necessidade de se comunicar com o público, e anunciou o lançamento de uma revista sobre o tema, a Diabetes Magazine

Presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Osvaldo Vieira Neto abordou o efeito do diabetes tipo 2 nos rins. Segundo o nefrologista, 20 milhões de brasileiros possuem doença renal crônica e milhares estão em diálise. “A maioria é causada por diabetes e hipertensão”, revelou.

A solução, para ele, é valorizar a prevenção e o diagnóstico precoce, sobretudo dessas alterações renais em pacientes com diabetes. A partir daí, os médicos podem intervir e adotar estratégias que evitem a falência dos rins. 

O cardiologista João Monteiro, presidente do conselho da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), quebrou o mito de que só pessoas mais velhas devem se preocupar com a saúde, particularmente com o diabetes e as doenças cardiovasculares. “A prevenção começa assim que nascemos”, reiterou.

O médico apontou que o diabetes tipo 2 está entre as principais causas de problemas capazes de culminar em infarto e AVC, e compartilha fatores de risco com outras condições que contribuem para os males cardiovasculares.

Para ele, manejar a obesidade, o sedentarismo e a alimentação é fundamental, e deve ser tratado como política pública. Ele também reforçou a necessidade de capacitar e estruturar equipes multidisciplinares, uma vez que o diabetes exige cuidados em diferentes frentes.

E, no fim, deu a letra: “Fóruns como esse deveriam ser recorrentes”. Afinal, a recomendação que pairou o evento todo foi trabalhar mais pela educação em saúde, tanto entre os profissionais como diretamente com a população brasileira. 

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