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Coronavírus: como saber se estou curado da doença?

Os médicos têm um protocolo para definir o momento em que o paciente está livre da Covid-19 e pode receber alta do hospital

Por André Biernath - Atualizado em 16 Maio 2020, 19h17 - Publicado em 6 Maio 2020, 09h33

Nas últimas semanas, as estatísticas da pandemia de Covid-19, a doença causada pelo coronavírus (Sars-CoV-2), vem subindo em velocidade assustadora. Hoje, dia 5 de maio, são mais de 3,6 milhões de infectados e 250 mil óbitos em todo o planeta. Em meio a esses dados, há outro fato que recebe pouca atenção: a quantidade de gente que sobreviveu ao problema.

De acordo com os últimos números divulgados na plataforma criada pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, já são 1 175 722 recuperados da Covid-19 no mundo. Isso significa que 32% de todos os casos sintomáticos confirmados foram tratados e parecem estar livres dessa ameaça.

Daí vem a pergunta: quando os especialistas consideram uma pessoa curada e livre do vírus? A infectologista Raquel Stucchi, da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que há dois caminhos para responder a essa pergunta. O primeiro é quando existem equipamentos laboratoriais disponíveis. “Se o hospital possuir o exame que chamamos de RT-PCR, é necessário que o paciente esteja 14 dias sem sintomas sugestivos e apresente dois resultados negativos nesse teste dentro de 24 horas”, diz a médica.

Em outras palavras, o sujeito não pode estar com falta de ar, dor no peito, febre, dificuldade para respirar e tosse por duas semanas. Na sequência, ele faz o tal do RT-PCR. Se o primeiro resultado não detectar o coronavírus em seu organismo, o exame é repetido no mesmo dia. Um segundo “negativo” no laudo indica que não há motivos para permanecer internado. Esse é o modelo adequado, pois permite ter mais segurança sobre a real situação de saúde. 

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A segunda possibilidade é quando esse exame não está disponível — o que, infelizmente, é comum na realidade brasileira. “Para ganhar alta nessa situação, é preciso estar sem febre por mais de três dias, além de não apresentar nenhum sintoma respiratório por uma semana”, diz Raquel. De volta a sua casa, o paciente deve tomar todos os cuidados, como usar máscara e não sair para a rua pelos próximos 14 dias. Se continuar tudo bem depois desse período, sem nenhuma recaída, o quadro é considerado como resolvido. 

Vida normal após a cura do coronavírus?

Vale ainda frisar que a recuperação total da Covid-19 não significa que está tudo liberado. A pessoa que superou a infecção, assim como o resto da população, deve continuar respeitando as orientações das autoridades em saúde pública.

É importante então seguir em isolamento social quando possível. E aquelas medidas básicas de lavar as mãos, cobrir a boca e o nariz com o braço ao tossir ou espirrar e usar máscaras de tecido continuam essenciais.

Mas se estou livre da Covid-19, por que continuar nesse regime? “Primeiro, porque estamos em plena temporada de gripe e resfriado, doenças que podem ser prevenidas com essas mesmas estratégias básicas”, destaca Raquel.

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Em segundo lugar, ninguém sabe ao certo ainda se uma primeira infecção por coronavírus garante imunidade em longo prazo

A questão dos casos assintomáticos de Covid-19

Outro ponto que chama a atenção nessa história é a quantidade de gente que pegou a doença, mas não manifestou sintomas (ou até teve um incômodo ou outro, porém nada que afetasse o dia a dia e justificasse uma visita ao pronto-socorro). Estima-se que, só no Brasil, o número real de infectados seja de dez a 15 vezes superior ao que mostram os dados oficiais. 

Essa subnotificação significa que a parcela de recuperados na população é maior ainda, concorda? E tal fato tem vários desdobramentos. O mais óbvio de todos é o de que não sabemos o real cenário do coronavírus no país — e, para ser justo, em boa parte do mundo. 

Além disso, é necessário ter em conta que mesmo quem apresentou uma versão light da Covid-19 precisa continuar respeitando aquelas recomendações básicas (não sair de casa, higiene das mãos, etiqueta da tosse e do espirro…) enquanto não temos outras soluções efetivas disponíveis. Essa atitude demonstra uma consideração e um cuidado não apenas à própria saúde como ao bem-estar da comunidade.

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Alguns cientistas, políticos e empresários pensam na possibilidade de exames em larga escala: aqueles indivíduos que já foram acometidos pelo vírus ganhariam uma espécie de “passaporte de imunidade” e poderiam circular livremente pelas cidades. Mas, novamente, essa é uma ideia que merece ponderações: além de não possuirmos testes suficientes para atender a população, não existe 100% de certeza se uma primeira infecção garantiria proteção permanente. O momento atual exige mais cautela do que apostas. 

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