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Bicho geográfico: o que é, como evitar e qual o tratamento?

Mais comum no verão, a doença pode ocorrer após o contato direto da pele com larvas presentes em locais como areia, terra ou grama

Por Fabiana Schiavon Atualizado em 19 jul 2022, 17h21 - Publicado em 28 dez 2021, 16h21

O que é o bicho geográfico

A Larva migrans, doença popularmente conhecida como bicho geográfico, é uma infecção causada por larvas de parasitas do gênero Ancylostoma, dos subtipos braziliense caninum.

A doença também pode ser chamada de dermatite serpiginosa e dermatite pruriginosa.

Esses organismos vivem no intestino de cães e gatos e migram para as fezes desses animais.

“O intestino de cães e gatos pode ter os ovos do parasita. Quando esses ovos caem na terra, eles se transformam na larva que penetra no corpo através da pele”, detalha a dermatologista Meire Gonzaga, do Saúde Minuto, e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Na terra, na grama ou areia, a larva se alimenta de bactérias até encontrar um hospedeiro. Por isso, é geralmente nesses locais que as pessoas pegam o bicho geográfico.

Os pés e as nádegas são as partes do corpo mais expostas ao solo contaminado, mas a infecção pode ocorrer em pernas, braços, antebraços e mãos.

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Como a larva se comporta dentro do organismo?

Assim que o parasita consegue contato com a pele, aparece um ponto vermelho e elevado no local.  Lá dentro, a larva não é capaz de romper as camadas mais profundas do tecido. Aí, passa a caminhar, formando um túnel de linhas aleatórias.

“É como se fosse o contorno de um mapa, por isso ganhou o nome de ‘bicho geográfico‘. As linhas podem ser elevadas, coçam bastante e muitas vezes ficam avermelhadas e até formam bolhas”, explica Meire. A larva caminha de 1 a 2 centímetros por dia.

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Por que ele causa mais problemas durante o verão?

As larvas são mais comumente encontradas em caixas de areias de parques infantis e nas praias.

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“No verão, os casos aumentam justamente porque mais pessoas frequentam esses espaços”, relata a dermatologista Nanashara Valgas, da Clínica Derm & Vasc, de Macaé (RJ) e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Prevenção

A forma mais eficiente de se proteger é evitar o contato direto com as áreas de risco. O mais seguro é usar chinelos e não sentar diretamente na areia da praia ou no gramado.

Cuidar bem dos pets também colabora com a redução de casos da doença.

Aliás, vale dizer que a larva não infecta apenas cães e gatos que vivem na rua. “Ao ter acesso a esses ambientes com areia, os animais de estimação com a vermifugação desatualizada também correm esse risco”, afirma César Henrique Bezerra, médico veterinário.

Parte da prevenção, segundo Bezerra, é sempre recolher as fezes dos animais ao levá-los para passear.

Há a possibilidade de contaminação dos animais também via oral, por meio de água, alimentos ou grama.

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Qual o tratamento? Como aliviar os sintomas?

De acordo com Nanashara, o tratamento é feito com vermífugos por via oral, além de antialérgicos, que ajudam a aliviar a coceira. “Outra alternativa para a coceira e ardência é aplicar gelo, que evita a movimentação da larva”, completa Meire.

Quais as consequências da falta de tratamento?

A lesão pode desaparecer espontaneamente (sem tratamento) entre quatro e oito semanas, mas existe o risco de uma infecção secundária.

“Quem coça muito a região pode facilitar a contaminação da área por bactérias. A lesão pode aumentar e até ganhar um aspecto elevado”, esclarece Meire.

Ainda há casos de falta de ar, tosse e crises alérgicas por causa da liberação de toxinas das larvas no corpo – é como uma resposta inflamatória exacerbada.

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