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Consumo de álcool enfraqueceria ossos de portadores de HIV

Qualquer quantidade de bebida alcoólica eleva o risco de osteoporose e fraturas na população soropositiva, de acordo com estudo

Por Maria Tereza Santos - Atualizado em 3 jul 2020, 10h53 - Publicado em 27 mar 2020, 12h45

Uma nova pesquisa da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, mostra que o álcool, independentemente da dose, prejudica o esqueleto de portadores do vírus da imunodeficiência humana, o HIV. Com isso, há um aumento no risco de osteoporose, doença caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos, e de fraturas.

O reumatologista Charlles Heldan, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso), explica que essas bebidas já elevam a possibilidade do surgimento desses problemas na população em geral. Porém, nas pessoas soropositivas, o perigo é maior por causa dos efeitos do vírus e de alguns medicamentos utilizados contra ele. Tanto é que, ao longo do tratamento, a massa óssea desses pacientes passa por avaliações.

“O que esse estudo demonstra é que o excesso de bebida é um fator de risco a mais para esse grupo”, arremata o especialista.

Participaram da avaliação 198 pacientes, com média de idade de 50 anos, sendo que 93% usavam remédios antirretrovirais. Os cientistas americanos analisaram amostras de sangue de cada um deles para checar os biomarcadores associados ao metabolismo do esqueleto e ao consumo recente de álcool.

Eles também entrevistaram os participantes para checar a quantidade de drinques ingerida anteriormente. Nisso, descobriram que 13% consumiam álcool durante pelo menos 20 dias no mês e a média de taças ou latas a cada 24 horas era de 1,93.

Após as análises, os experts verificaram que, para cada bebida a mais em um dia, os níveis de uma substância considerada como um marcador de formação óssea, chamada de P1NP, caíam 1,09 ng/mL.

Além disso, a taxa de P1NP de quem bebia no mínimo 20 dias durante o mês era mais baixa. E os voluntários com altos índices de um biomarcador relacionado ao consumo de álcool também apresentaram menos P1NP.

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Lembrando que outros fatores (idade, sexo, raça, etnia, uso de demais substâncias, níveis de vitamina D e supressão viral do HIV) foram controlados para não influenciarem o resultado.

“Nós não encontramos uma quantidade de álcool que pareça ‘segura’ para o metabolismo ósseo”, afirmou, em comunicado à imprensa, a médica Theresa W. Kim, professora da Universidade de Boston, líder da investigação.

Por que o álcool afeta a saúde do esqueleto

De acordo com Heldan, presidente da Abrasso, o osso é um tecido dinâmico que sofre um processo de remodelação ao longo de toda a vida.

“Na remodelação, o osso envelhecido é trocado. Dentro dele, existem células que absorvem o tecido antigo e outras que depositam o novo”, informa o reumatologista.

Quando uma pessoa bebe excessivamente, a capacidade dessas estruturas se renovarem diminui. É como se o álcool exercesse um efeito tóxico. “O resultado é um desequilíbrio”, resume o profissional. Assim, perdemos densidade óssea.

Para evitar essa encrenca, Heldan diz que o segredo é manter hábitos saudáveis – recomendação que vale para a população em geral.

Entre as atitudes mais consagradas estão investir em fontes de cálcio na dieta (o mineral é o principal componente dos ossos), garantir o acesso à vitamina D (que ajuda a fixar o cálcio no esqueleto) e fazer exercícios físicos.

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