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Consumo de álcool enfraqueceria ossos de portadores de HIV

Qualquer quantidade de bebida alcoólica eleva o risco de osteoporose e fraturas na população soropositiva, de acordo com estudo

Por Maria Tereza Santos - Atualizado em 27 mar 2020, 16h19 - Publicado em 27 mar 2020, 12h45

Uma nova pesquisa da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, mostra que o álcool, independentemente da dose, prejudica o esqueleto de portadores do vírus da imunodeficiência humana, o HIV. Com isso, há um aumento no risco de osteoporose, doença caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos, e de fraturas.

O reumatologista Charlles Heldan, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso), explica que essas bebidas já elevam a possibilidade do surgimento desses problemas na população em geral. Porém, nas pessoas soropositivas, o perigo é maior por causa dos efeitos do vírus e de alguns medicamentos utilizados contra ele. Tanto é que, ao longo do tratamento, a massa óssea desses pacientes passa por avaliações.

“O que esse estudo demonstra é que o excesso de bebida é um fator de risco a mais para esse grupo”, arremata o especialista.

Participaram da avaliação 198 pacientes, com média de idade de 50 anos, sendo que 93% usavam remédios antirretrovirais. Os cientistas americanos analisaram amostras de sangue de cada um deles para checar os biomarcadores associados ao metabolismo do esqueleto e ao consumo recente de álcool.

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Eles também entrevistaram os participantes para checar a quantidade de drinques ingerida anteriormente. Nisso, descobriram que 13% consumiam álcool durante pelo menos 20 dias no mês e a média de taças ou latas a cada 24 horas era de 1,93.

Após as análises, os experts verificaram que, para cada bebida a mais em um dia, os níveis de uma substância considerada como um marcador de formação óssea, chamada de P1NP, caíam 1,09 ng/mL.

Além disso, a taxa de P1NP de quem bebia no mínimo 20 dias durante o mês era mais baixa. E os voluntários com altos índices de um biomarcador relacionado ao consumo de álcool também apresentaram menos P1NP.

Lembrando que outros fatores (idade, sexo, raça, etnia, uso de demais substâncias, níveis de vitamina D e supressão viral do HIV) foram controlados para não influenciarem o resultado.

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“Nós não encontramos uma quantidade de álcool que pareça ‘segura’ para o metabolismo ósseo”, afirmou, em comunicado à imprensa, a médica Theresa W. Kim, professora da Universidade de Boston, líder da investigação.

Por que o álcool afeta a saúde do esqueleto

De acordo com Heldan, presidente da Abrasso, o osso é um tecido dinâmico que sofre um processo de remodelação ao longo de toda a vida.

“Na remodelação, o osso envelhecido é trocado. Dentro dele, existem células que absorvem o tecido antigo e outras que depositam o novo”, informa o reumatologista.

Quando uma pessoa bebe excessivamente, a capacidade dessas estruturas se renovarem diminui. É como se o álcool exercesse um efeito tóxico. “O resultado é um desequilíbrio”, resume o profissional. Assim, perdemos densidade óssea.

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Para evitar essa encrenca, Heldan diz que o segredo é manter hábitos saudáveis – recomendação que vale para a população em geral.

Entre as atitudes mais consagradas estão investir em fontes de cálcio na dieta (o mineral é o principal componente dos ossos), garantir o acesso à vitamina D (que ajuda a fixar o cálcio no esqueleto) e fazer exercícios físicos.

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